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![Planeje seu Futuro Financeiro 1ED: O Guia Sobre Investimentos Para Multiplicar Seu Patrimônio [1 ed.]
9788535241167](https://ebin.pub/img/200x200/planeje-seu-futuro-financeiro-1ed-o-guia-sobre-investimentos-para-multiplicar-seu-patrimonio-1nbsped-9788535241167.jpg)
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CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 17 – EC-02
© 2008, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
Editoração Eletrônica: Estúdio Castellani Copidesque: Cláudia Amorim Revisão Gráfica: Edna Cavalcanti e Jussara Bivar Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação. Rua Sete de Setembro, 111 – 16º andar 20050-006 Rio de Janeiro RJ Brasil Telefone: (21) 3970-9300 FAX: (21) 2507-1991 E-mail: [email protected] Escritório São Paulo: Rua Quintana, 753/8º andar 04569-011 Brooklin São Paulo SP Tel.: (11) 5105-8555 ISBN 978-85-352-3188-5 Nota: Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel.: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16º andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: [email protected] site: www.campus.com.br
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ G158p Gallagher, Lilian Planeje seu futuro financeiro : o guia sobre investimentos para multuplicar seu patrimônio / Lilian Gallagher. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2008. Inclui bibliografia ISBN 978-85-352-3188-5 1. Finanças pessoais. 2. Investimentos. 3. Segurança financeira. I. Título. 08-2693.
CDD: 332.02401 CDU: 330.567.2
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À minha mãe, Leila Massena, in memoriam.
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AGRADECIMENTOS
S
erei breve nos meus agradecimentos. Não que muitos não mereçam ser lembrados, mas quero ser pontual. Quero agradecer a meus sócios Ricardo Silveira e Betty Grobman; minha super ainda-assistente Michelle Mattos; meus alunos; meus professores do saudoso Colégio Pedro II, em especial a rigorosa professora de português, Dona Maria Teresa; o pessoal de treinamento da ANDIMA; meus clientes e meus amigos. Sem as histórias destes dois últimos, este livro não seria o mesmo. Obviamente que não posso deixar de citar minhas queridas filhas, razão do meu viver, e minha mãe, que foi minha melhor amiga e que, mesmo não estando presente neste mundo, sempre foi a maior incentivadora do meu progresso. E, acima de tudo, a Deus, que me deu o dom da vida e a capacidade de organizar meus pensamentos e transformá-los em palavras. Muito obrigada!
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INTRODUÇÃO
L
embro-me quando, em entrevista ao Fantástico, o Dr. Drauzio Varela disse que gostava muito de escrever, dessa relação dele com o computador, muitas vezes de frente para uma parede branca. Ao assistir a entrevista, logo me vi nessa situação, pois é assim que me sinto, extremante absorta nos meus pensamentos e tendo o computador como meu melhor amigo, capaz de tornar realidade tudo que está embaralhado dentro de mim. Este é o meu terceiro livro e pretendo escrever muito mais. Se escrever é bom e se aprendi tantas coisas ao longo de minha jornada, por que não transmitir esse conhecimento para outras pessoas e ajudá-las no seu progresso pessoal e financeiro? E é imbuída desse espírito que estou aqui mais uma vez, atualizando e acrescentando o que foi a primeira edição do meu livro Como aumentar seu patrimônio, também editado pela mesma casa. Dessa vez procurei dar mais informações sobre o mercado acionário, tendo em vista a febre que assolou o país desde o lançamento do meu primeiro livro. Ao ler esta obra, você estará navegando no mundo dos investimentos: financeiros, imobiliários e empresariais. Certamente, meu foco é no mercado financeiro, até porque foi aí que me criei. Já se vão 17 anos de estrada profissional nesse campo, tanto em área de produtos quanto de assessoramento a clientes, sempre com investimentos. Ao longo deste livro você vai encontrar inúmeros exemplos de casos reais. Informo que, em quase todos, troquei o nome dos personagens, de
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forma a preservar suas identidades. Esses exemplos procuram ilustrar os assuntos abordados. Tenho certeza de que você vai gostar e até corre o risco de se identificar com algumas pessoas citadas. O livro foi dividido em 14 capítulos e se inicia com uma reflexão filosófica sobre a riqueza e a questão do risco para o ser humano. Algo light para começar, antes de entrarmos em assuntos aparentemente mais ásperos sobre investimentos. Refiro-me à aspereza porque sei que esse tema é um tanto duro para muitos. Entretanto, tenho certeza de que, à medida que você for avançando na leitura, vai começar a achar tudo muito mais simples e esse sentimento vai se esvair. São abordadas, também, questões sobre herança e previdência privada. Afinal, a idéia é que tenhamos um futuro sem grandes turbulências financeiras e que deixemos nosso patrimônio sem grandes confusões para nossos herdeiros. No meio de tanto conceito, algumas poucas contas foram acrescentadas. Sei que há uma probabilidade relevante de que você não goste muito de números. Mas tenho certeza de que, mesmo os que a princípio não têm a mente tão quantitativa, não vão achar nenhuma dificuldade para entender o que é transmitido. Afinal, tudo é uma questão de como as palavras são transmitidas e os números ali inseridos. Para ajudar você nos cálculos das tabelas apresentadas, sugerimos consultar o site da editora e fazer o download do material complementar, com todas as planilhas já formatadas. Ao final da obra você encontrará uma série histórica dos principais índices utilizados no mercado financeiro, de forma a auxiliá-lo na análise de seus investimentos atuais. Tenha uma boa leitura e sucesso pessoal e financeiro! LILIAN GALLAGHER
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SUMÁRIO
CAPÍTULO 1
DINHEIRO: UMA RELAÇÃO CONFLITUOSA
1
CAPÍTULO 2
O SER HUMANO E SEU COMPORTAMENTO DIANTE DO RISCO Perfil de risco
7 13
CAPÍTULO 3
O QUE É INVESTIMENTO Mercado empresarial Mercado imobiliário Mercado financeiro Fazendo uma ligação entre os mercados
17 19 25 26 27
CAPÍTULO 4
QUEM É QUEM NO MERCADO FINANCEIRO
29
CAPÍTULO 5
COMO SE RELACIONAR COM SEU BANCO
37
CAPÍTULO 6
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: RENDA FIXA Poupança Conta-corrente que rende juros de poupança Certificado de Depósito Bancário (CDB) Títulos públicos: tesouro direto Operação compromissada Letra hipotecária Debênture Swap
45 46 48 49 56 57 58 58 59
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CAPÍTULO 7
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO Mercado acionário Homebroker Índices do mercado acionário IBOVESPA IBrX-50 Demais índices Modalidade operacional Bolsa: uma opção de longo prazo Custos de negociação Tributação Testando seus conhecimentos de Bolsa Ouro
CAPÍTULO 8
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: FUNDOS E CLUBES DE INVESTIMENTO Fundos de investimento Classificação dos fundos A cota O come-cotas A taxa de administração Os documentos do fundo Os principais players do mercado de fundos Clubes de investimento
89 89 90 94 95 96 97 98 100
INVESTINDO EM IMÓVEIS Imóvel de veraneio: mordomia ou investimento? O sonho da casa própria Fundo imobiliário
103 107 108 113
CAPÍTULO 10 PLANEJANDO A APOSENTADORIA Os fundos de previdência privada abertos Plano com remuneração garantida e performance Fapi PGBL/VGBL Benefícios extras que podem ser contratados Quando começar a contribuir
117 120 121 122 123 128 129
CAPÍTULO 9
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65 65 73 74 74 77 79 80 80 84 85 86 86
Com quanto contribuir Plano de previdência LAHIKI poupança programada Que cuidados tomar ao comprar um plano de previdência privada
130 ! 131
CAPÍTULO 11 FAZENDO CONTAS Rentabilidade da poupança Projeção da rentabilidade de um fundo Rentabilidade acumulada dos fundos de investimento Efeito do Imposto de Renda num fundo de investimento Cheque especial LAHIKI resgate de aplicação Rentabilidade da previdência privada Taxa de juros real Outras contas
133 134 135 136
CAPÍTULO 12 ORGANIZANDO A HERANÇA Sendo transparente e evitando confusão Conta conjunta: como funciona Seguro de vida Testamento: um cuidado especial Doação em adiantamento de legítima Herdando dívidas
143 145 145 146 146 148 149
CAPÍTULO 13 ALOCANDO O PORTFOLIO Definição da política de investimentos Cenários Implementação do Plano de Alocação de Portfolio Feedback
153 155 166 168 170
CAPÍTULO 14 COLHENDO OS FRUTOS DO CAPITAL INVESTIDO
173
137 139 140 140 141
ANEXOS
177
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
181
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CAPÍTULO 1
DINHEIRO: UMA RELAÇÃO CONFLITUOSA
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ocê já notou que falar sobre dinheiro gera um certo desconforto nas pessoas? Pois é, mas não deveria. Dinheiro é uma necessidade básica; é com ele que compramos comida, remédio, pagamos o aluguel onde moramos e outras coisas mais, necessárias para termos uma vida digna de um cidadão na sua plenitude. Vou contar uma história verídica para você.
Um homem tinha a opção de deixar duas beneficiárias para receber pensão em caso de sua morte. Ele designou sua esposa como primeira beneficiária e colocou sua sobrinha solteira como a segunda na linha de sucessão. Ambas foram avisadas dos benefícios a que tinham direito. Quando de sua morte, a esposa requereu a pensão. Quando da morte desta, a sobrinha não requereu sua pensão porque não queria falar sobre essas coisas de dinheiro com o primo, filho de sua tia falecida. Na sua opinião, cabia a ele o direito de recebê-la. Passados 19 anos e meio da morte da tia, e com dificuldades financeiras, a sobrinha, já com idade, lembrou-se dessa pensão a que tinha direito e, no momento, com muita dificuldade em tocar no assunto, está tentando encontrar os documentos do tio para poder dar entrada na pensão. Parece mentira, mas não é.
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Casos como esse acontecem mais do que imaginamos. Isso porque a relação das pessoas com o dinheiro é conflituosa. Muita gente associa riqueza com exploração, ganância, luxúria. Já outros vêem riqueza como uma bênção. A verdade é que falar em dinheiro incomoda. Dificilmente sentimos que ganhamos o suficiente. Muitas vezes nos sentimos explorados em nosso trabalho. É comum acharmos que valemos mais, que ganhamos menos do que os outros colegas de trabalho, que nosso chefe não nos valoriza. A verdade é que o dinheiro está associado com sucesso. Sucesso profissional, por exemplo, está associado a sucesso financeiro; não dá para separar essas duas coisas. É interessante notar como as pessoas lidam com seus símbolos de sucesso, conforme apresentado na história a seguir: Um cliente estava em má situação financeira. Não que ganhasse mal seu salário era em torno de 32 salários mínimos, bem acima da média nacional; entretanto, por não saber lidar com o dinheiro, diversas vezes na vida teve sua vida financeira em total ebulição. Ao tomar conhecimento de sua situação, aconselhei-o, dentre outras coisas, a desfazer-se de bens que geravam despesa ou nenhuma renda para quitar o que pudesse de suas dívidas. A primeira sugestão foi vender o carro, sobre o qual ainda pagava prestação, ou melhor, gerava desembolso. Sua reação foi a indignação. Para ele era inconcebível ficar sem seu meio de locomoção. Não compreendia ele que, muitas vezes na vida, tínhamos que tomar medidas mais drásticas para alcançar nosso alvo. Na realidade, devido à criação que recebeu, o fato de ficar sem carro era visto como uma demonstração de que estava mal financeiramente uma realidade , o que se traduzia em fracasso. Ele jamais conseguiu tomar esse remédio e sua doença até hoje perdura.
Mudar de padrão de vida, principalmente para baixo, é muito complicado; as pessoas costumam demorar para fazê-lo em épocas de vacas magras, mas isso muitas vezes é necessário. Infelizmente, na vida a maioria das pessoas não pode ter tudo o que deseja, e precisa abrir mão de algumas coisas para ter outras.
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Vale a pena também refletir um pouco sobre a questão da riqueza, pois muitos daqueles que julgamos serem ricos reclamam da falta de dinheiro. É comum vermos pessoas de bom nível financeiro reclamando que a vida está dura; entretanto, elas continuam trocando de carro e não é qualquer carro , todo ano viajam para o exterior mesmo em épocas de câmbio desfavorável, comem em restaurantes caros e desfrutam de outros prazeres que só o dinheiro é capaz de comprar. Como pode acontecer isso? Isso acontece em função do conceito que temos de riqueza. Então, o que é ser rico? Se fizermos essa pergunta, teremos respostas do tipo: Ser rico é ter US$1 milhão no banco. Ser rico é gozar de boa saúde. Ser rico é não ter que se preocupar com as contas do fim do mês. Ser rico é poder viajar para o exterior todo ano de primeira classe. Ser rico é ter um patrimônio líquido de US$100 milhões. Ser rico é não depender de patrão. Na verdade, a definição de riqueza é algo relativo. Na minha opinião, ser rico é ter independência financeira. Em outras palavras, é ter patrimônio financeiro que permita não depender do salário ou da renda do fim do mês para viver, não se preocupar com as contas para pagar e ter uma reserva financeira que permita fazer o que dá prazer. Aliás, o dinheiro existe para nos dar prazer. Um grande empresário do Rio de Janeiro, um homem muito rico, ao ser entrevistado disse que o dinheiro não traz felicidade, mas espanta a tristeza. Ele se referiu ao fato de que, quando está triste, pode fazer uma viagem que lhe dê prazer e que afaste seu pensamento daquele problema que está lhe causando aflição. Dentro dessa mesma lógica, um outro grande empresário do mercado financeiro costumava dizer que a vantagem de ter dinheiro é que com ele você não precisa fazer o que não quer. Pesquisa Mundial de Opinião realizada pelo instituto Gallup, que cobriu 132 países, investigou o quesito felicidade. Os pesquisadores fizeram a seguinte pegunta aos entrevistados: Qual seu grau de satisfação com a vida, numa escala de zero a dez? Conforme artigo publicado em 24 de ju-
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lho de 2007, na revista The Economist, em todos os lugares ricos (Estados Unidos, Europa, Japão, Arábia Saudita), a maioria das pessoas diz estar feliz. Em todos os lugares pobres (especialmente na África), as pessoas dizem que não estão. Apesar de algumas poucas exceções, os níveis declarados de felicidade estão correlacionados com a riqueza. Segundo o mesmo artigo, os americanos ricos são mais felizes do que os pobres, o mesmo ocorrendo com o brasileiro. Na realidade, em nada adianta ter dinheiro se não sabemos desfrutá-lo. Existem pessoas com patrimônio financeiro acima de muitos milhões de dólares mas que vivem na usura. A vida dessas pessoas se resume a ganhar dinheiro e não a desfrutar seu ganho. Elas normalmente não tratam bem seus funcionários, pois estão, o tempo todo, achando que os outros só almejam tomar conta do seu dinheiro e passá-las para trás. Assim, nunca aproveitam o prazer de uma relação interpessoal, pois são fruto da desconfiança. Tudo o que sabem fazer é trabalhar e economizar, até mesmo em situações desnecessárias. É muito difícil lidar com a riqueza. Não basta ser rico; há de se saber lidar com a riqueza. Enquanto há os indivíduos que só sabem guardar dinheiro, outros vivem completamente fora da realidade de suas posses, gastando muito mais do que seu orçamento permite. Estes são os que, mesmo com boa renda, vivem pendurados no cheque especial e no cartão de crédito, sem ter a menor noção do custo desse dinheiro. Gastam, muitas vezes, sem a preocupação de que terão que pagar essas faturas. Há ainda os que vivem somente em função do dinheiro. Uma vez, conversando com um amigo que vivia na iminência de ser seqüestrado sobre a possibilidade de ele ir morar no exterior, preservando sua vida e a de sua família, ele alegou que seus negócios estavam no Rio de Janeiro e que era aqui que ganhava dinheiro. Aleguei que não mudaria sua maneira de viver em nada se ganhasse mais US$1 bilhão, pois com seu patrimônio já podia ter tudo o que desejava. Foi em vão a conversa. Ele só pensava em ganhar dinheiro, cada vez mais. Valia a pena correr todo o risco em função do dinheiro, mesmo que isso representasse sua vida. Alguns têm raiva do dinheiro, como se os ricos tivessem pacto com o demônio. Essa posição parece extremamente peculiar. Outros tantos, mesmo sendo ricos, encaram a riqueza como a desgraça de suas vidas, como algo que os afastou de seus amores ou da vida simples e da liberdade dos cidadãos comuns.
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Pior são os espertinhos, que estão sempre querendo tirar alguma vantagem em cima dos outros, muitas vezes vantagens que se traduzem em valores financeiros muito pequenos. Estes não conseguem entender a vida de outra maneira, querendo sempre estar por cima da carne-seca. Até mesmo a religião procura nos confundir. Enquanto algumas dizem que ser rico é uma bênção de Deus, um reconhecimento por nossa capacidade e que, por isso, devemos contribuir com o dízimo em nossa igreja, na esperança de comprar nosso pedacinho no céu, outras religiões se posicionam dizendo que os tesouros da terra logo são corroídos pela ferrugem e pelas traças logo; não devem ser perseguidos. A Igreja católica, citando o Evangelho segundo São Mateus, diz que quando na vida o cristão dá mais espaço ao tesouro composto somente de bens da terra, seu coração enche-se de preocupações para adquirir mais ou defender o que possui. Dentro dessa visão, o importante é se preocupar com os tesouros do céu, demonstrando ao cristão que não vale a pena correr atrás da riqueza em termos econômicos, dando a ela um lugar secundário em nossas vidas. Comentando sobre o Sermão da Montanha, do Evangelho de Mateus, padre Gambarini conclui que nenhum tesouro deste mundo é capaz de nos dar a felicidade completa. Daí ter o olhar voltado para a nossa pátria definitiva: o céu. Fica a idéia de que, não valendo a pena acumular riqueza neste mundo, melhor é abandonarmos a idéia de sermos ricos. Se ser rico não vale a pena, para que trabalhar tanto e juntar dinheiro ou construir um patrimônio? Ser rico ou ser pobre depende, na realidade, do padrão de vida que a pessoa estabeleceu para si. Vamos supor, por exemplo, duas pessoas com expectativas diferentes de vida. Enquanto Vera não gosta de viajar e adora usar jeans e camiseta, Kátia curte o glamour de uma cabine de primeira classe em um transatlântico. A conclusão é óbvia: Kátia precisa de muito mais dinheiro para ter prazer na vida do que Vera. Essa concepção de riqueza é fundamental para que você possa estabelecer quanto precisa ter para poder se considerar rico, em termos financeiros. Lembre-se de que para ser rico é preciso ter dinheiro para se sustentar com o padrão de vida que você deseja ter e que lhe traz prazer. Assim, é mais fácil alguém ser rico com uma exigência de padrão de vida mais simples, gastando, por exemplo, R$10 mil por mês, do que R$100 mil, o que irá requerer um patrimônio muito maior.
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Enfim, o dinheiro é um tema que gera polêmica. Difícil é quem se sente confortável contando ao outro sobre seu patrimônio pessoal. Muitos nem mesmo comentam esse fato com seus consultores financeiros ou gerentes do banco. Ao montarem uma carteira de investimento, muitas vezes cometem o equívoco ao dizer: trabalhem como se este fosse todo o meu dinheiro; muitos, motivados pelo medo de contar sobre o montante de sua riqueza; outros, envergonhados pelo fato de terem muito dinheiro. A verdade é que não devemos ter vergonha de ter dinheiro. Ficaria mais com a posição daquele empresário rico: na pior das hipóteses, o dinheiro afasta a tristeza. Pense: Quanta coisa boa pode-se fazer com o dinheiro? Viajar, freqüentar bons restaurantes, morar numa boa casa, estudar em boas escolas, ajudar os necessitados, comprar bons livros, ter uma boa aparelhagem de som que nos permita ouvir uma boa música... Talvez o segredo seja encontrar o meio-termo, o equilíbrio. Aliás, esse é um segredo da vida: nem devemos nos tornar escravos do dinheiro, vivendo apenas em função dele, nem nos alienar diante do fato. A vida carece de decisões práticas, nas quais se inclui a questão das decisões financeiras, as quais pretendo ajudá-lo a tomar durante a leitura deste livro.
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CAPÍTULO 2
O SER HUMANO E SEU COMPORTAMENTO DIANTE DO RISCO
T
omar uma decisão, seja ela pessoal ou profissional, é algo muitas vezes estressante. Poucas pessoas se sentem confortáveis tendo que fazer escolhas. Decidir sobre algo significa mudar de um status conhecido para algo em que muitas vezes só temos uma indicação intuitiva de resultado. Apesar de algumas vezes termos a impressão de que estamos decidindo com base em nada, nenhuma decisão é solta; ela é parte de um processo que envolve elementos como toda uma bagagem psicológica acumulada pelo indivíduo. Até quando acreditamos que nossa decisão é extremamente racional, baseada na lógica dos fatos, estamos adicionando uma pitada do subconsciente, mesmo que não sejamos capazes de perceber. Sabe-se que o homem é um ser composto de corpo, mente e razão. Não sendo possível a dissociação entre mente e razão, é de se esperar que o homem nem sempre siga a racionalidade esperada. Isso tem por base fatores emocionais e psicológicos que formam o ser humano, e dessa forma a racionalidade humana passa por um componente subjetivo, muitas vezes presente em decisões. As abordagens de decisão vão de um contínuo em que o ser humano leva em consideração fatores puramente emocionais, como o desejo de comprar um perfume, por exemplo, a outro extremo de utilização de cálculos sofisticados de análise.
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O que se observa é que, diante de uma situação-problema, o indivíduo muitas vezes apresenta inúmeras dificuldades para tomar decisões. Em seu livro sobre tomada de decisões, Pereira e Fonseca (1997) comentam que essa dificuldade se deve a três fatores: n Não existe decisão perfeita, porque não podemos analisar todas as alternativas e todas as conseqüências. n Ao optarmos por uma alternativa, temos que renunciar às outras, e isso gera sempre um sentimento de perda, mesmo quando a decisão é eficaz. n Toda decisão é um ato absolutamente individual e intransferível. Não se pode decidir pelos outros nem culpar os outros pelas nossas más decisões. Há, ainda, o que se pode chamar de bloqueadores de decisão: inimigos invisíveis que operam isoladamente ou em conjunto, que atuam como mecanismos de defesa para liberar as energias represadas dentro do tomador de decisão e que têm que ser liberadas de alguma forma, como procrastinação, resignação, dependência emocional, perfeccionismo, pressão de tempo, falta de criatividade e desorganização intensa, entre outras. Todos esses bloqueadores agem de forma a inibir e postergar a tomada de decisão. Pontuando-se mais precisamente as decisões financeiras pessoais, pode-se mencionar Pereira (2001, p. 20), que faz um comentário muito interessante em seu livro A Energia do Dinheiro:
a ligação do corpo com o dinheiro é (
) vital. O corpo expressa a relação que temos com o dinheiro. (
) Dinheiro está intimamente ligado ao usufruto de todos os tipos de prazer: físico, emocional, mental ou espiritual. Isso acontece porque ele dispara internamente no indivíduo uma cadeia de hormônios através da produção da endorfina, vulgarmente chamada de hormônio do prazer.
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Vale também refletir sobre uma observação de Kiyosaki & Lechter (2000), que mencionam:
Quando o assunto é dinheiro, há fobias profundas (...) demais para fazer uma relação. Eu as tenho. Você as tem. Todos nós as temos. Isso porque, quer a gente goste ou não, dinheiro é um assunto emocional. E por ser um assunto emocional, a maioria das pessoas não consegue pensar logicamente sobre dinheiro. Se você não acha que o dinheiro tem natureza emocional, dê só uma olhada no mercado de ações. Não há lógica na maioria dos mercados... só emoções de cobiça e medo. Ou então olhe só as pessoas entrarem num carro novo e sentirem o cheiro do interior de couro. Tudo o que o vendedor tem que fazer é sussurrar as palavras mágicas: pagamento facilitado em pequenas prestações... e toda a lógica vai pela janela.
Em seu artigo Sonhe sem ter pesadelos, da revista Exame de 6 de março de 2002, Ferraz e Naiditch comentam que uma simples pergunta sobre decisões de compra ou de investimento não é racional. Para eles, decisões de gasto ficam num campo onde o componente emocional ganha um peso muito superior a qualquer lógica econômica. Seu comentário é ilustrado por Francisco Longo, que no mesmo artigo afirma que no caso dos nossos clientes (Via Europa, empresa que representa luxuosos carros italianos Ferrari e Maserati no Brasil), a emoção sempre fala mais alto na hora de comprar. Pesquisa divulgada na Psychological Science de 2004, sobre os efeitos de diferentes emoções negativas sobre decisões econômicas, em particular no efeito posse, mostrou que o estado emocional das pessoas é fundamental na negociação de compra e venda. Quando a tristeza estava presente, o valor de venda do bem material utilizado na pesquisa era reduzido, mas o valor de compra aumentava. Em outras palavras, a pessoa procurava se desvencilhar do objeto que possuía a qualquer preço e, por outro lado, podia oferecer somas mais elevadas para adquirir aquilo que não tinha. Vera Rita Ferreira resume muito bem essa pesquisa em artigo do Valor Econômico de 14 de julho de 2008:
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Este comportamento confirmaria a hipótese de que, quando tristes, as pessoas desejam alterar seu estado seja do modo que for por exemplo, comprando por mais do que vale, ou vendendo abaixo do valor desde que estes atos acenem com promessa de alívio para o mal-estar que sentem. Neste caso, não só sumia o efeito posse, como a pessoa se mostrava mais vulnerável a valorizar objetos de terceiros.
Apesar de tudo, e de todas as conjecturas emocionais sobre a decisão de compra ou de investimento, o que se nota é que as pessoas reagem diferentemente no que se refere a decisões, sejam elas financeiras, pessoais ou da empresa, sejam sobre sua vida profissional ou familiar. Todo ser humano é único, pois traz dentro de si uma bagagem de experiências somente vivenciadas por ele. Os cientistas comportamentais Fisher e Ayton, citados por Aquiles Mosca em artigo do Valor Econômico de 28 de agosto de 2007, demonstraram, por exemplo, que sempre que as pessoas fazem previsões e acertam de maneira sucessiva, tendem a superestimar sua capacidade de previsão, sentindo-se cada vez mais confiantes na qualidade de suas previsões, mesmo que na realidade tais acertos não sejam mais que resultado do acaso. Se nossas emoções nos influenciam, então, nossa disposição a correr risco também é importante quando se fala em investimentos. Existem os mais conservadores e os mais agressivos, estando estes últimos dispostos a correr mais riscos em busca de um retorno maior. Apesar de a literatura econômica apontar em direção a um tomador de decisão racional, que prefere assumir sempre um menor risco para uma mesma taxa de retorno, essa atitude nem sempre é seguida. A racionalidade humana esbarra em fatores como os apontados por teóricos das finanças comportamentais e por Simon (1999, p. 81), o qual diz que:
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1. Racionalidade requer um conhecimento completo e antecipação das conseqüências que se seguirão sobre cada escolha. Na verdade, o conhecimento sobre as conseqüências é sempre fragmentado. 2. Uma vez que as conseqüências estão no futuro, a imaginação tem que suprir a falta de sentimentos com base na experiência ao conectar valores a ela, mas esses valores podem ser imperfeitamente antecipados. 3. Racionalidade requer uma escolha entre todos os possíveis comportamentos alternativos. Na realidade, somente muito poucas dessas possíveis alternativas vêm à mente.
Depois dessas palavras, você não precisa mais se aborrecer quando o resultado de uma decisão sua não atingir o objetivo esperado. Afinal, você não é um computador capaz de avaliar tudo em tempo real. Limitado pela realidade, cada vez mais suas características de personalidade vão preencher esse vazio e levá-lo a um comportamento único, só seu. Dessa forma, uma regra básica em finanças pessoais passa a ser:
Conheça suas preferências, sua maneira de agir, seus objetivos de vida e seu perfil de risco. Ter definidos na mente seu projeto de vida e seus objetivos irá ajudá-lo muito a atingir suas metas. Pare, pense sobre você. Feche os olhos, faça-se as seguintes perguntas e procure respostas dentro de você, sem influência de ninguém:
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
1. Qual meu projeto de vida? 2. O que busco para mim? 3. Onde estou e aonde quero chegar? 4. O que pretendo atingir em termos financeiros daqui a 1, 5, 10, 20, 30 anos?
Anote aqui suas respostas:
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Tudo bem, às vezes é difícil imaginar você daqui a 30 anos, mas vislumbre o máximo possível como você pretende que seja sua vida. Lembre-se de que o amanhã depende de hoje, de suas decisões. O futuro é construído passo a passo com as atitudes que temos hoje. Nossa colheita depende da semente que plantarmos. Não se colhe maçã com sementes de algodão. Agora, depois de pensar sobre o que você deseja, pense em como você é para poder definir como e se pode atingir o que deseja. Assim, responda ao questionário que se segue e conheça seu perfil de risco como investidor.
PERFIL DE RISCO 1.
Em que fase da vida você se encontra? Acumulação procuro poupar constantemente e pretendo acumular mais patrimônio b. Consolidação quero manter meu patrimônio c. Consumo já juntei o suficiente e procuro satisfazer meus desejos de consumo d. Distribuição tenho justo ou mais do que preciso e estou em fase de doação do meu patrimônio a.
2.
Evolução profissional Em rápido crescimento b. Estável c. Insatisfatória/instável d. Aposentado a.
3.
Como está distribuído seu patrimônio total, incluindo imóveis e negócios próprios? Praticamente 100% em imóveis Pelo menos 20% no mercado acionário (fundos ou papéis) c. Meu patrimônio financeiro está todo em renda fixa d. Sou empresário e meu patrimônio está quase todo aplicado na minha empresa a.
b.
4.
Qual seu grau de conhecimento de mercado financeiro?
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
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Não entendo de investimentos Entendo pouco de investimentos. Conheço os principais investimentos do mercado (poupança, fundos e CDB) c. Tenho algum conhecimento de mercado financeiro. Entendo o que são opções, futuros, hedge e afins d. Conheço profundamente o mercado financeiro e todos os seus instrumentos, inclusive derivativos a.
b.
5.
Qual sua necessidade de liquidez sobre seus investimentos? Vou precisar lançar mão desse recurso em até 60 dias O investimento, ou pelo menos 80% dele, pode esperar 6 meses c. Pelo menos 50% dele pode ser aplicado por 1 ano d. Não precisarei desse recurso em menos de 2 anos a.
b.
6.
Qual seu grau de tolerância a correr riscos? Não aceito perder parte de meu principal em prazo algum Aceito correr um pequeno risco para obter retorno um pouco acima da média c. Entendo que sem risco não há retorno significativo e estou sujeito a correr riscos d. Gosto de emoções fortes e de assumir riscos em meus investimentos a.
b.
Calculando seu perfil: Some os pontos atribuídos a cada reposta, por meio da tabela a seguir.
Tabela de Pontuação Pergunta
a
b
c
d
1
4
3
2
1
2
4
3
1
2
3
3
2
1
4
4
1
2
3
4
5
1
2
3
4
6
1
2
3
4
Total
Total Geral de Pontos: __________________
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O SER HUMANO E SEU COMPORTAMENTO DIANTE DO RISCO
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Identifique sua pontuação geral nos perfis abaixo: 6 a 10 Conservador Não gosta de correr riscos, dando sempre preferência à preservação do capital. Recomendação: 100% em renda fixa. 11 a 17 Moderado Aceita correr algum risco em parte do seu capital e não se apavora quando o mercado financeiro se torna muito volátil. Recomendação: até 30% em renda variável. 18 a 24 Agressivo Acredita que o risco é importante para se ter um retorno acima da média. Não perde o sono quando a Bolsa de Valores apresenta fortes quedas. Entende os ciclos do mercado financeiro e sempre tem dinheiro em ativos de risco, mesmo nos períodos turbulentos. Recomendação: acima de 30% em renda variável. Não se preocupe se você gostaria de ser avaliado de uma maneira e a resposta tenha apontado em outra direção. Não existe um tipo de pessoa melhor do que a outra. Isso é apenas uma característica sua. O importante é se conhecer, para poder trabalhar sua vida e seus investimentos conforme seu perfil, sem cometer o erro de ter seus investimentos alocados de uma forma que avilte sua maneira de pensar, o que fatalmente o fará sofrer. Lembre-se de que dinheiro foi feito para dar prazer.
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CAPÍTULO 3
O QUE É INVESTIMENTO
Roberto, colega de mestrado, filho de portugueses, abriu uma oficina mecânica em 1990. Ele o fez com o dinheiro que seus pais haviam depositado em uma caderneta de poupança, desde seu nascimento, até completar 18 anos.
O exemplo acima mostra duas situações: uma de poupança, feita pelos pais do Roberto, e outra de investimento, quando ele abriu sua oficina. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em seu Guia de Orientação e Defesa do Consumidor, diz que quando você investe, há um risco maior de perder o seu dinheiro do que quando você poupa. Mas, ao mesmo tempo, você tem oportunidade de ganhar mais. Vejamos o que significa essa afirmativa. Poupar significa juntar dinheiro restringindo o seu consumo. Quando você poupa energia, você economiza energia. O mesmo com o dinheiro. Ao poupar dinheiro, você está deixando de gastar para juntar para o futuro. Veja este outro exemplo: William, amigo meu, vendeu um terreno e foi ao banco para depositar o cheque que havia recebido e para aplicar o dinheiro. Ao chegar na agência, conversou com sua gerente e disse que queria colocar numa aplicação segura, a mais segura que o banco tivesse. Ele não estava preocupado em ganhar muito dinheiro, apenas em garantir que não sofreria perdas.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Adivinha qual foi a recomendação de sua gerente? Caderneta de poupança. Já Roberto, aquele nosso colega, sacou da poupança, que rendia pouco, e investiu no mercado empresarial. Ele decidiu se tornar um empresário, e sua meta era ganhar muito dinheiro, mesmo sabendo que corria o risco de perder tudo e, quem sabe, ainda ficar devendo algum dinheiro. Roberto podia ter investido no mercado financeiro e até no mercado imobiliário, mas decidiu ter um negócio próprio, no ramo de serviços. Ele felizmente prosperou, e sua oficina mecânica é hoje muito conhecida no seu bairro. Já o Dr. Martins, amigo de minha família, costumava investir em imóveis toda vez que lhe sobrava um dinheirinho. Durante toda a sua vida, assim o fez. Quando se aposentou, era dono de uma vila com oito casas, cinco salas comerciais, três terrenos e sete apartamentos, além de uma casa de praia. Alguns imóveis haviam se valorizado bastante, outros nem acompanharam os índices de inflação, mas, certamente, dava para viver com os aluguéis. Enquanto uns montaram negócios e outros compraram imóveis, Ricardo resolveu investir sua poupança num banco, aplicando diretamente no mercado financeiro, tanto em ações como em fundos de renda fixa. Como era especialista no assunto, está rindo à-toa, mas algumas outras pessoas que fizeram como ele se atrapalharam com os diversos planos econômicos ou com suas estratégias de investimento e hoje choram suas mágoas. Vale aqui, também, fazermos um parêntese para diferenciar investimento de especulação. Afinal, na cabeça de muita gente, o mercado financeiro é local de especuladores e não de investidores. Note que, enquanto investidores aplicam seus capitais buscando rendimentos, os especuladores tentam prevalecer-se de certa posição ou circunstância para tirar partido ou proveito. Assim, nem Roberto, nem o Dr. Martins e nem mesmo quem compra uma ação e carrega o papel por uma longa data estariam especulando. O mesmo não poderíamos dizer de uma pessoa que compra uma ação na bolsa pela manhã e vende na parte da tarde. Enfim, como visto, existem três modalidades de investimento: (1) mercado empresarial no qual o Roberto investiu; (2) mercado imobiliário caso do Dr. Martins; e (3) mercado financeiro exemplo do Ricardo.
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O QUE É INVESTIMENTO
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MERCADO EMPRESARIAL Já sabemos que antes de começar qualquer planejamento e investimento, temos que refletir sobre nossa vida, nossos sonhos, definir metas de curto, médio e longo prazos. Vale a pena analisar se você está disposto a trabalhar durante muitas horas seguidas, sacrificar alguns finais de semana e até mesmo algumas noites. Vamos supor que sua meta seja se aposentar do mercado de trabalho aos 50 anos, quando pretende montar um pequeno restaurante nos arredores da cidade onde vive. Hoje você tem 40 anos e faltam 10 anos para chegar lá. Muita gente dirá que você é louco, pois tem um emprego estável, um bom salário e ótimos benefícios. Outros lhe dirão que você é fantástico, que faz muito bem em se dedicar a algo de que gosta e que lhe trará prazer, sem falar que poderá escolher com quem trabalhar, o que evitará uma série de problemas vividos hoje. O importante ao se montar um negócio como em tudo na vida é ouvir seu coração. Mas ele tem que conviver junto com a razão. Cuidado! Ouçamos o ensinamento de Kiyosaki, autor de Pai Rico Pai Pobre: Aprenda a usar suas emoções para pensar e não pensar com suas emoções. A razão tem que estar no controle do pensamento. Monte algo que lhe dê prazer, mas use a cabeça para tornar seu negócio rentável. Lembre-se também de que gostar de um tema como, por exemplo, comprar roupa, não significa que você gostaria de administrar uma loja de roupa, o que requer disciplina, sacrifício e determinação. Mas, pelo menos, já é um início. Ao fazer uma pesquisa com empresários e executivos de sucesso, constatei que todos gostavam muito do que faziam e que tiravam do trabalho um enorme prazer. Não dá para ser campeão sem gostar do que se faz. Um campeão passa horas treinando, se dedicando à sua atividade. Quando se gosta do que faz, coloca-se mais amor na atividade, permitindo mais tempo de dedicação ao trabalho e que a energia gerada seja sempre positiva, capaz de levá-lo à perfeição. Por isso, pense bem: para ganhar muito dinheiro, é preciso despender muita energia. Você quer isso para você? Os primeiros anos são normalmente difíceis, até que a atividade engate uma quinta marcha e ande sem solavancos. Muitos negócios morrem
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
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no primeiro ano de vida; por outro lado, que tal uma vida sem patrão, na qual você define as estratégias de partida e de chegada? Lembra que você critica tanto as decisões dos executivos da empresa onde trabalha? Agora, quem as tomará será você, que também terá que assumir todo o risco do rumo tomado, e o pior, com o seu dinheiro, não mais com o dos outros. Aconselho que, antes de seguir em frente, você estruture um Plano de Negócios, no qual irá abordar as metas do negócio, os planos de marketing e vendas, as projeções financeiras e os riscos do negócio. Um plano de negócios é material de pesquisa que reúne a estratégia do negócio e leva o empresário a refletir sobre o assunto. É indispensável para fazê-lo refletir sobre seu negócio como um todo. Conheça, a seguir, a estrutura de um plano de negócios.
ESTRUTURA DE UM PLANO DE NEGÓCIOS 1.
Sumário executivo: Resumo do trabalho em uma página. Deve ser feito no final, quando todo o trabalho estiver pronto. É a parte que vende o projeto e deve ser objetiva e clara.
2.
Missão e visão do negócio: Aborda o que a empresa quer ser e aonde quer chegar.
3.
Descrição do negócio: Descreve o negócio em estudo, a qualidade que se deseja dar ao negócio, os elementos de diferenciação do negócio comparado com os concorrentes, as etapas do processo e como agregam valores, e os pontos fortes e fracos do negócio. A forte concorrência hoje em dia, com margens de lucro apertadas, requer um detalhamento do negócio com todo o cuidado. Há que se ter consciência de que o diferencial é fundamental para que os objetivos sejam atingidos. Pense em quê seu negócio é diferente dos demais.
4.
O mercado e a concorrência: É uma análise do mercado, do setor do negócio, do tamanho desse setor, das tendências, dos tipos de serviços oferecidos no segmento e das oportunidades e ameaças existentes. Além disso, aborda o tipo de clientes e a concorrência. É muito importante o conhecimento detalhado da concorrência e de seus pontos fortes e fracos. Em quê o seu negócio é melhor ou pior do que o da concorrência? Assim, este item o orienta na condução de seu negócio.
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O QUE É INVESTIMENTO
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5.
Planejamento de marketing e vendas: Aborda como o produto será oferecido no mercado, as alianças e parcerias que se pretende fazer, a publicidade e a que preço se pretende oferecer o produto. Onde será divulgado o seu negócio? Via jornais, revistas especializadas, boca a boca? Você sabia que, de acordo com pesquisa da Ipsos-Marplan, a principal fonte de informação a que o consumidor brasileiro recorre quando decide fazer uma compra é o jornal? Pois é, todos esses aspectos devem ser cuidadosamente abordados nesta parte do plano.
6.
Estrutura organizacional: Descreve como se pretende estruturar a equipe que atuará na empresa, quem são essas pessoas e suas expertises. Lembre-se de que a diversidade de idéias agrega valor ao negócio; entretanto, saberá você lidar com as divergências de opiniões?
7.
Planejamento financeiro: Nesta parte, todo o planejamento anterior é transformado em números, que tem como desfecho o fluxo de caixa1 do negócio, bem como sua rentabilidade. Requer conhecimento de contabilidade e análise do cenário macroeconômico. Caso não seja o seu caso, oriente-se com algum amigo que trabalhe em contabilidade ou controladoria ou que esteja acostumado a fazer projeções financeiras.
Se seu desejo é montar um negócio, despenda algumas horas escrevendo seu projeto ou contrate um consultor que entenda do assunto. Lembro-me de uma vez em que preparei um Plano de Negócios para um herdeiro que estava estudando Educação Física e queria ter uma academia aquática, das mais modernas. Ao parar para refletir sobre o negócio, ele desistiu. Nunca havia pensado que eram tantos detalhes e que consumiria tanta energia para ter um retorno abaixo do desejado. Ter os pés no chão é fundamental na hora de se montar um negócio. Trabalhe com o coração, mas reflita com a razão. Um fator de sucesso igualmente importante na montagem de um negócio é a questão da sociedade. Saber ouvir e trabalhar em grupo é fundamental para quem pretende ter um sócio. Muitas vezes perdemos amigos de longa data simplesmente devido à inabilidade de um dos dois lidar com 1 O fluxo de caixa de um negócio é o resultado de todas as saídas e entradas de caixa previstas durante o ano.
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a questão da parceria. Sociedade é como casamento. Se você tem dificuldade em se relacionar com um(a) parceiro(a), desista da sociedade. Contudo, gostaria de compartilhar com você uma experiência minha: ninguém nasce sabendo tudo. Logo, saber ouvir os outros é fundamental para seu crescimento pessoal e profissional. Ninguém é idêntico, e pessoas diferentes e que saibam trabalhar juntas podem somar e não dividir. Conheço um empresário muito bem-sucedido que me confidenciou que tem 82 sócios e que não é fácil lidar com tantos sócios. Certamente não é, mas ele mesmo me disse que dessa forma pode continuar crescendo. Quem pensa que sabe tudo tem dificuldades para ir muito longe. Um pouco de humildade para ouvir um conselho sempre faz bem, mesmo que depois da reflexão sobre o assunto refutemos o que nos foi dito. No mínimo, alarga nossa visão sobre o tema. Sempre se pode agregar algo com a visão de quem vê de fora. Reflita sobre o texto que se segue. Ele traduz essa idéia. Duas pessoas vinham caminhando na rua, em direções opostas, cada uma com um pão na mão. Ao se cruzarem, trocaram os pães e cada um saiu dali carregando um pão. Outras duas pessoas também caminhavam, cada uma com uma idéia. Ao se cruzarem, trocaram de idéia. Cada uma saiu dali com duas idéias.
Uma possibilidade em negócios é ter uma franquia. O sistema de franchising agrega uma série de benefícios a quem pretende operar seu próprio negócio. O Instituto Franchising lista uma série deles, a saber: n O franqueador não precisa reinventar a roda. O negócio já foi testado e aprovado no mercado, o que aumenta as chances de sucesso. n Marca conhecida. Muitas vezes, a marca do franqueador já é bastante conhecida do público consumidor. Vamos supor que você vá abrir uma loja O Boticário. Não é preciso explicar muito o que faz essa rede, concorda? O custo de firmar uma marca é muito grande e pode-se poupar esse tempo e trabalho optando-se por uma franquia.
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n Assessoria na instalação do negócio. Um bom franqueador normalmente dá assessoria para escolha do ponto, no projeto para a instalação da unidade, oferece treinamento e orientação nas práticas administrativas e comerciais, bem como em diversos outros fatores críticos de sucesso. n Propaganda e marketing cooperados. Existe uma concentração de energia muito grande no sistema de franchising, permitindo que se utilize de maneira muito mais eficaz a divulgação da marca e/ou dos seus produtos e serviços, através da organização dos fundos cooperativos de propaganda e marketing. n Desenvolvimento contínuo. Existe a possibilidade de troca de conhecimento do franqueador para o franqueado e vice-versa, permitindo o desenvolvimento contínuo dos participantes da franquia. É como uma bola de neve: franqueador alimentando o franqueado, que retroalimenta o franqueador e volta ao mecanismo inicial. n Maior poder de negociação. Ao adquirir uma franquia, o franqueado adquire poder de negociação próprio de uma rede com inúmeras unidades, o que seria muito difícil se ele estivesse sozinho. n Desenvolvimento de novos métodos e produtos. Um bom franqueador está permanentemente firmando novas parcerias, fazendo projeções, analisando a concorrência e, quando oportuno, criando novos produtos e serviços que agreguem valor à rede. Cuidado! Como nada é perfeito, esteja atento à escolha do franqueador. Ele é muito importante para o sucesso da sua franquia. Se o franqueador falhar no desenvolvimento de um método, de um sistema, de um produto ou de uma campanha publicitária, o franqueado acabará sofrendo as conseqüências. Além do ponto levantado, há de se pensar sobre a questão da padronização, uma regra insubstituível nesse tipo de negócio. Isso significa mais limitações para o franqueado, que pode se sentir tolhido na sua liberdade administrativa. Isso pode se refletir até na transferência e venda do seu negócio para terceiros.
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A montagem de uma franquia tampouco sai barata. Existem diversas taxas cobradas pelo franqueado, quais sejam: n Taxa de franquia ou taxa inicial. Cobrada ao se aderir à rede e/ou na renovação do contrato de franquia. n Taxa de royalties. Normalmente, os royalties, pagos em geral mensalmente, são calculados com base na aplicação de certo percentual sobre o faturamento bruto mensal de cada franquia ou sobre as compras realizadas pelo franqueado junto ao franqueador. Remunera o uso da marca e quase sempre o acompanhamento operacional (ou suporte) dado pelo franqueador durante o período estipulado em contrato. n Taxa de publicidade e propaganda. Valor pago normalmente em bases mensais pelos franqueados e destinado à criação e manutenção de um Fundo Cooperativo de Propaganda e Marketing da Rede. Caso esteja interessado em montar uma franquia, vale a pena checar o site do Instituto Franchising, que pode ser encontrado no endereço eletrônico www.franquia.com.br. Lá você encontra diversas informações detalhadas sobre o assunto, inclusive uma lista com 50 perguntas que devem ser feitas a um franqueador antes de entrar numa rede. Do ponto de vista legal, a franquia traz peculiaridades. O sistema de franquias no Brasil é regido pela Lei 8.955/94, que define seu funcionamento e disciplina os contratos. O artigo terceiro da lei determina a apresentação, pelo franqueador, da Circular de Oferta de Franquia, o mais importante documento para o franqueado, em até 10 dias antes da assinatura do contrato. A Circular traz o histórico da empresa franqueadora, balanços e demonstrações financeiras, indicação de pendências judiciais que possam impossibilitar a operação, descrição geral do negócio e obrigações a serem cumpridas. Além disso, está incluído o nível de envolvimento exigido na administração da franquia e a indicação de tudo o que é oferecido ao investidor em termos de suporte e treinamento.
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A Circular serve ainda de base para a análise da viabilidade econômica do negócio. Ainda no artigo terceiro, estão definidas especificações quanto ao total do investimento para aquisição, implantação e operação da franquia e o valor das taxas cobradas. O ideal, porém, é procurar outros franqueados para conhecer o dia-a-dia do negócio. Para tanto, a Circular deve conter uma listagem dos franqueados atuais e daqueles que se desligaram da franquia nos últimos 12 meses.
MERCADO IMOBILIÁRIO Chico, meu cliente e amigo, costumava dizer que as grandes fortunas foram feitas baseadas na posse de terra. Talvez isso seja verdade, mas hoje vivemos a era do conhecimento, na qual o que está na sua mente pode valer mais do que o que está na sua mão. Muita gente gosta de investir em imóveis, se sente seguro tendo imóveis. Certamente há muitas oportunidades no ramo, mas já não é assim tão simples quanto antes. Na pós-modernidade que vivemos, a flexibilidade é essencial para se ter sucesso e, no tema imóveis, isso fica difícil de se aplicar. Trata-se de um mercado de baixa liquidez e de investimentos de alto vulto. Por menor que seja o imóvel, não se consegue comprar um apartamento por menos de R$25 mil. É muito comum as pessoas enterrarem toda a sua poupança num imóvel, imaginando que estão fazendo um investimento. Imóvel pode ser, sim, um excelente negócio, mas tem que ser feito com toda a cautela que o tema exige, pois é um investimento do qual não se consegue desfazer de uma hora para outra, como é o caso de um fundo de investimento DI. Colocando todo o seu dinheiro num único investimento, você estará incorrendo no erro mais grave em finanças. Por isso:
Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta. Quando você assim o faz, está concentrando todo o seu risco, o que posteriormente pode lhe render uma decepção ou lhe trazer grandes alegrias. Assim, o mercado imobiliário não é para leigos, e deve ser visto como uma forma de diversificação.
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Há de se ter clara visão da tendência na hora de decidir colocar sua poupança aqui. Hoje, o imóvel é ótimo; amanhã, com a mudança nos hábitos da sociedade, a planta pode ficar desatualizada, os azulejos cafonas e pior: uma favela pode se instalar nos arredores ou ser solicitada a desapropriação pela prefeitura já que naquela localidade passará uma nova rua ou um novo túnel. Tudo isso contribuirá para desvalorizar sua propriedade. Lembre-se sempre de que se trata de um mercado sem liquidez, o que significa que, ao se tentar vendê-lo, pode-se não obter o valor esperado no prazo desejado. Como nem tudo está perdido, por pior ou melhor que possa ser um investimento imobiliário, costumo recomendar esse tipo de aplicação para pessoas que não conseguem ter dinheiro na mão ou no banco, que se sentem compelidas a gastar tudo que podem e o que não podem. Nesses casos um imóvel pode representar certa dificuldade de se transformar em dinheiro fácil. Contudo, investir em imóveis não significa somente comprar um apartamento ou uma loja. Você pode investir no mercado imobiliário através da aquisição de cotas de fundos imobiliários. Ao participar de um fundo imobiliário, o investidor não está comprando um imóvel específico e, sim, participando de um grande bolo, que pode ser um shopping, um hotel, um edifício comercial, enfim, qualquer negócio no ramo imobiliário. É uma modalidade de investimento muito interessante, pois permite que com relativamente pouco dinheiro você invista, não necessitando de R$100 mil ou R$200 mil. Esse tema será mais abordado no Capítulo 9.
MERCADO FINANCEIRO Por muitos considerado equivocadamente um mercado do mal, no qual banqueiros gananciosos só pensam em rentabilizar seus negócios, colocando seus interesses acima de tudo e de todos, o mercado financeiro é de fundamental importância para o desenvolvimento do país. É aqui que pessoas, empresas e governo se financiam para investir e crescer. Imagina, por exemplo, a Petrobras. Quanto não custa construir uma plataforma em alto-mar? Algo na casa das muitas centenas de milhões ou mesmo bilhões de reais. Dificilmente a empresa terá dinheiro para financiar esses custos e certamente irá buscar dinheiro no mercado de capitais.
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O mercado financeiro, diferentemente do mercado imobiliário, ou mesmo do mercado empresarial, é muito dinâmico, requerendo acompanhamento mais freqüente do que os demais. Está dividido em quatro grandes submercados, a saber: n Mercado monetário Aqui o governo se financia através da emissão de títulos públicos. n Mercado cambial No qual ocorrem as transações entre diferentes moedas. n Mercado de crédito Neste mercado pessoas e empresas tomam empréstimos e se financiam no curto e médio prazos. n Mercado de capitais No qual empresas buscam se capitalizar para investimentos de longo prazo. Saiba, nos Capítulos 4 a 8, um pouco mais sobre esses mercados.
FAZENDO UMA LIGAÇÃO ENTRE OS MERCADOS Antes de passar adiante, acho importante que você pare para refletir sobre os três mercados. A revista Veja de 5 de novembro de 2003 traz uma entrevista com Antônio Ermírio de Moraes, na qual ele diz: Não sou de apostar em Bolsa, não. Considero, no mínimo, curiosa sua colocação. Na realidade, ele, como grande empresário e chefe do Grupo Votorantim, um dos maiores conglomerados industriais do país, não demonstrou perceber que comprar ações em Bolsa é praticamente a mesma coisa que ter ações ou cotas de uma empresa; a diferença resta apenas no campo de como e onde essas ações ou cotas podem ser negociadas. No fundo, a diferença entre montar um negócio e comprar ações em Bolsa reside no fato de que, no primeiro caso, ninguém precifica a empresa, em outras palavras, não há o hábito de se dar valor ao negócio periodicamente. As pessoas acabam olhando para suas empresas como uma fonte de caixa, de dinheiro, enquanto deveriam valorizar a empresa para saber se estão criando valor para si e aumentando sua riqueza. Se você está na fase de importantes decisões na sua vida no que diz respeito a seu rumo profissional e anda refletindo sobre a questão executi-
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vo versus empresário, há também um ângulo que deve ser analisado. Decidir pela carreira de executivo é como investir em renda fixa: você vai ganhando salário e bônus, acumulando dinheiro, e aposta que vai ganhar mais no futuro. O executivo troca trabalho por dinheiro, já o empresário troca trabalho por valor, representado pela capacidade de a empresa gerar negócios, daí a importância em periodicamente se fazer uma avaliação da empresa (há, inclusive, empresas de consultoria especializadas em avaliação de empresas). Já o caso dos imóveis é peculiar. Muitas pessoas mantêm imóveis fechados por não quererem vê-los destruídos por inquilinos que não dão o devido cuidado ao bem; nesse caso, acabam gerando ônus para si com IPTU, condomínio e outras despesas mais. O imóvel só gera fluxo, renda, caso se decida alugar. Resumindo, as pessoas pensam em imóvel em termos de estoque e em negócio em termos de fluxo, de quanto podem tirar dali; na realidade, deveriam comparar desempenhos, o que as ajudaria a tomar novas decisões de investimento.
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CAPÍTULO 4
QUEM É QUEM NO MERCADO FINANCEIRO
V
ocê colocaria seu dinheiro num banco que fosse desorganizado e que estivesse mal financeiramente? Certamente que não, mas como saber se o banco é bem administrado? Sabendo que as pessoas dificilmente terão acesso ou compreenderão os relatórios dos bancos, o governo faz esse papel regulador e fiscalizador por intermédio de instituições que orquestram esse mercado, de forma que haja harmonia e segurança nas operações financeiras. Existem quatro instituições que fazem esse papel. São elas: n Banco Central do Brasil (BC ou Bacen) Além de responsável pela política monetária1 do país, o Bacen é o órgão executivo central do Sistema Financeiro Nacional, responsável pela fiscalização e cumprimento das disposições que regulam o funcionamento deste, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. É o banco dos bancos e a quem você deve recorrer caso tenha problema na sua relação com o banco onde tem conta, dado que uma de suas funções é fiscalizar as instituições fi-
1 Ao fazer a política monetária, o Banco Central está se preocupando com o valor da moeda, em perseguir uma meta de inflação que lhe foi passada pelo Conselho Monetário Nacional, que é formado pelo ministro da Fazenda, ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e pelo presidente do Banco Central do Brasil.
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nanceiras. O site do Bacen (www.bcb.gov.br) tem informações muito úteis. Lá você encontrará desde regulamentações relativas ao mercado financeiro, até cálculos de juros. n Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Autarquia normativa criada com o objetivo de fiscalizar, regulamentar e desenvolver o mercado de valores mobiliários, visando a seu fortalecimento. Uma de suas principais atribuições é proteger o pequeno investidor, de modo a garantir o cumprimento da legislação que disciplina as diversas modalidades de investimentos que são apresentadas e vendidas a pessoas como você. No site da CVM (www.cvm.gov.br), você encontra o Portal do Investidor, um site de educação financeira muito interessante. Vale a pena dar uma navegada. n Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) Autarquia responsável pela execução da política traçada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados e pelo cumprimento das normas estabelecidas por parte das seguradoras e corretores pessoas jurídicas e independentes. É a SUSEP que regula e fiscaliza nossos planos de saúde e de previdência privada, desde que administrados por entidades abertas como, por exemplo, os PGBLs e VGBLs. n Secretaria de Previdência Complementar (SPC) Órgão executivo do Ministério da Previdência e Assistência Social responsável pelo controle e fiscalização dos planos e benefícios de previdência complementar e das atividades das entidades de previdência privada fechada. Em outras palavras, o SPC fiscaliza os planos de previdência privada fechados, como a Petrus e a Previ, por exemplo. Além dessas instituições, o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica Federal têm papel importante nesse sistema. n Banco do Brasil O Banco do Brasil, além de operar como um banco normal, tem uma função muito importante, na medida em que opera também como agente financeiro do governo federal, principalmente na execução da política oficial de crédito rural.
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QUEM É QUEM NO MERCADO FINANCEIRO
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n BNDES O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é a instituição responsável pela política de investimentos de longo prazo do governo federal e principal instituição financeira de fomento do país, por meio de fundos e programas especiais de fomento direcionados a compras de máquinas e equipamentos e à exportação. n Caixa Econômica Federal (CEF) A CEF é um banco muito voltado para a pessoa física, concedendo empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de habitação, assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos e esportes. Além disso, detém os direitos de administração dos recursos do FGTS e vende bilhetes de loteria. Sob as asas dos órgãos fiscalizadores e normatizadores encontram-se os intermediários financeiros e demais entidades de apoio ao funcionamento do sistema. Conheça as principais instituições ligadas à área de investimentos e suas funções: n Banco Comercial versus Banco de Investimento Os bancos comerciais têm funções de captação e empréstimo de recursos para pessoas físicas e jurídicas, e emissão de boletos bancários, como o Itaú, Bradesco, Unibanco, Santander, HSBC e Citibank, entre outros. Já os bancos de investimento têm como foco a montagem de operações estruturadas com clientes pessoas jurídicas que envolvem grandes somas. Exemplo de bancos de investimento: UBS Pactual, JP Morgan, entre outros. n Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento Conhecidas como Financeiras, têm como função o financiamento de bens de consumo duráveis através de Crédito Direto ao Consumidor. n Sociedades de Crédito ao Microempreendedor Instituições com o objetivo de prover um modelo de financiamento, sem assistencialismo, a indivíduos que não têm acesso ao sistema bancário. De acordo com a legislação em vigor em outubro de 2003, o empréstimo máximo que podem conceder é de R$10 mil, preservando, dessa forma, suas características.
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n Bolsa de Valores Bolsa de Valores é o ambiente onde se negociam as ações das companhias de capital aberto. São os mais importantes centros de negociação das ações, devido ao expressivo volume e maior transparência das operações. Na verdade elas existem para juntar compradores e vendedores num ambiente em que se tenha segurança para se negociar. Atualmente, a BOVESPA, a maior bolsa de valores da América Latina, é uma empresa de capital aberto e qualquer pessoa pode comprar suas ações, mas sempre por intermédio de uma corretora de valores. Para se ter uma idéia, o volume médio diário de negócios com ações na BOVESPA em junho de 2008 foi de R$5,7 bilhões. n Bolsa de Mercadoria e Futuros Na BM&F, como é conhecida a Bolsa de Mercadoria e Futuros brasileira, são negociados, principalmente, contratos para liquidação futura sobre diversos ativos, dentre eles dólar, taxa de juros, soja e boi gordo. Nesse ambiente, há indivíduos e empresas que buscam se proteger de oscilações nos preços desses ativos e os que querem simplesmente especular e ganhar com essas variações de preços. A BOVESPA e a BM&F estão se fundindo e em 10 de julho de 2008 a operação foi aprovada no Cade. A integração da BOVESPA com a BM&F deu origem à BM&FBOVESPA Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros. A nova companhia nasce como a terceira maior Bolsa do mundo e líder de mercado na América Ltina. No momento, a nova bolsa está em processo operacional e legal da condução da integração. Espera-se que traga ganhos não somente às duas companhias, mas para o investidor em geral. n Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários Instituições que efetuam, principalmente, e com exclusividade, a intermediação financeira nas Bolsas de Valores. Mesmo quando um cliente pede a seu gerente do banco que efetue a compra de ações de uma empresa específica, essa solicitação é repassada e efetuada por uma corretora associada ao banco. Somente as corretoras estão autorizadas a efetuar negociação em Bolsa. O homebroker é um produto das corretoras, de negociação de ações através da internet. Para conhecer as corretoras autorizadas pela CVM a operar, entre no site da própria CVM: www.cvm.gov.br.
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QUEM É QUEM NO MERCADO FINANCEIRO
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n Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários De âmbito menor do que as corretoras, as DTVMs não têm acesso às Bolsas de Valores e gravitam na esfera das subscrições de títulos, através da emissão de novos títulos de empresas para serem negociados no mercado primário.2 As DTVMs podem, também, administrar recursos de terceiros e fundos de investimento. n Corretoras de Câmbio Intermedeiam a compra e venda de moedas estrangeiras. n Asset Managers As empresas de asset management, ou Assets, como são conhecidas, administram recursos de pessoas físicas e jurídicas e foram criadas com o propósito de separar o dinheiro da carteira própria do banco do dinheiro dos clientes. É uma forma de evitar possíveis conflitos de interesse na negociação de papéis para a carteira de investimentos do cliente. Assim, quem administra o fundo DI onde você tem aplicação não é o Bradesco ou o Unibanco e, sim, uma empresa associada ao banco: a BRAM (Bradesco Asset Management) ou a UAM (Unibanco Asset Management), por exemplo. O banco, representado na figura de seu gerente, faz o papel de distribuidor do fundo e, nos exemplos aqui mencionados, recebeu esse mandato da BRAM ou da UAM. O mercado de asset management é um mercado em crescimento, que foi potencializado com a profissionalização do serviço de administração de recursos e com a exigência dos consumidores, que passaram a buscar pessoas dedicadas em tempo integral a esse trabalho. Muitos investidores, hoje em dia, aplicam diretamente com as Assets, sem a intermediação dos bancos. Há, ainda, no mercado muitas Assets especialistas, com tecnologia voltada para a administração de fundos com perfil mais agressivo, e que não são associadas a bancos. n Agente Autônomo de Investimento O agente autônomo de investimento tem como atividade a distribuição e mediação de títulos, valores mobiliários, quotas de fundos de investimento e 2 No mercado primário, os títulos são vendidos pelas empresas pela primeira vez, como instrumento de captação de recursos.
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derivativos, sempre sob a responsabilidade e como preposto das instituições financeiras. Eles têm que ser certificados pela ANCOR (Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias). Existe tendência no mercado de crescimento tanto de Assets independentes, que não fazem parte de nenhum grande grupo financeiro, como de Agentes Autônomos de Investimento devido à especialização que ambos podem oferecer, cada um em seu segmento de atuação. n Consultores Financeiros Os consultores financeiros podem ser pessoas físicas ou jurídicas autorizadas pela CVM para prestar serviço de consultoria de valores mobiliários para terceiros. Consulte o site da CVM (www.cvm.gov.br) e confira se seu Consultor Financeiro tem autorização para executar esse trabalho. n CBLC A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações e dos títulos negociados na BOVESPA, bem como da custódia dos mesmos, informando aos acionistas suas posições e seus direitos. n CETIP A Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos é uma empresa de custódia e liquidação criada em conjunto pelas instituições financeiras e o Bacen, e se constitui em um mercado de balcão organizado para registro e negociação de títulos e valores mobiliários de renda fixa. Assim, as compras de debêntures públicas ficam aí registradas, bem como alguns CDBs. n SELIC O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia destina-se ao registro e custódia de títulos públicos federais. n ANDIMA A Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro é uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne cerca de 250 instituições financeiras, incluindo bancos comerciais, múltiplos e de investimento, corretoras e distribuidoras de valores. A ANDIMA se destaca como importante prestadora de serviços, oferecendo suporte técnico e operacional às instituições, fomentando novos mercados e trabalhando pelo desenvolvimento do Sistema Financeiro Nacional. Dentro desse enfoque, tem uma
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QUEM É QUEM NO MERCADO FINANCEIRO
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área forte de treinamento, oferecendo ao mercado, tanto para profissionais atuantes como para estudantes e investidores, uma gama de cursos presenciais e on-line de alto gabarito. n ANBID A Associação Nacional dos Bancos de Investimento é uma entidade de representação do segmento das instituições financeiras que operam no mercado de capitais. Seus associados são, basicamente, os bancos de investimento e os bancos múltiplos com carteira de investimento, instituições estas que, por exemplo, administram os fundos de investimento ou que captam recursos de toda a sociedade e os aplicam em títulos e valores mobiliários emitidos pelas empresas que precisam desses recursos para viabilizar seus projetos de investimento. A ANBID tem forte programa de certificação de executivos do mercado financeiro que atuam na área comercial de investimentos. Verifique se o nome do seu gerente está incluso no site da ANBID: www.anbid.com.br, como profissional certificado. n APIMEC A Associação dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais congrega profissionais e investidores que atuam no mercado na parte de análise de investimentos e certifica, através do IBCPI,3 os Analistas de Investimentos, profissionais que avaliam e emitem opiniões sobre investimentos. n INI O Instituto Nacional de Investidores tem por objetivo formar investidores em ação conscientes, disseminando uma cultura de investimento de longo prazo. Ele oferece um software de análise de empresas bem interessante e interativo para quem deseja saber mais sobre as empresas. Acesse www.ini.org.br, para saber mais.
3 Instituto Brasileiro de Certificação dos Profissionais de Investimento.
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CAPÍTULO 5
COMO SE RELACIONAR COM SEU BANCO
V
imos até aqui as principais instituições com as quais um investidor deve cruzar ao longo do trajeto de pensar sobre suas finanças pessoais. Reflita agora em como deve ser seu relacionamento com o banco onde opera. Primeiro, acho que podemos definir um postulado:
As necessidades financeiras de quem ganha R$500 por mês são diferentes das de quem ganha R$250 mil de salário mensal. Se você concorda com o postulado apresentado, há de concordar que um banco tem que ter segmentos diferenciados de atendimento para pessoas com necessidades diferentes e que geram receitas de formas diferentes para o banco. Dessa forma, do mesmo modo que os bancos têm uma área para atender pequenas empresas e outra para atender as gigantes multinacionais, eles têm um segmento para atender indivíduos com poucos recursos e outra para grandes investidores.
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Muita história existe sobre o atendimento dado aos clientes Private, aqueles que têm, geralmente, investimentos acima de R$1 milhão1 no banco. Todos gostamos de atenção, de ser atendidos imediatamente, de ganhar flores ou uma garrafa de vinho no nosso aniversário e outros mimos mais, mas tudo isso custa dinheiro, você não concorda? Não adianta querermos ser atendidos num segmento acima do nosso só porque queremos ganhar presentes no nosso aniversário. Da mesma forma, se estamos sendo atendidos num segmento abaixo do nosso, estamos perdendo oportunidades. Ser atendido no segmento correto significa receber o atendimento e ter disponibilizados produtos de que necessitamos. O banco e o gerente têm que ser vistos como parceiros, alguém que precisa nos ter como clientes e que nos ajuda. Do nosso lado, quando enxergamos o lado de lá a nosso favor, certamente teremos o melhor dos atendimentos possíveis. Veja só essa história.
Isabela sempre fora atendida pela assistente da agência, Giselli, que ficava na frente para resolver as necessidades do dia-a-dia dos clientes, liberando os gerentes para tarefas que requeriam mais conhecimento. Um dia, Isabela precisou falar com seu gerente e descobriu que ele havia saído do banco. Triste, pois gostava muito dele, solicitou por escrito ser atendida por Giselli, que havia sido promovida para gerente havia pouco tempo. Neste momento, criou-se uma relação de parceria entre as duas. Isabela sempre procurou ajudar Giselli, indicando clientes novos sempre que tinha oportunidade. Por sua vez, Giselli sempre foi muito camarada com Isabela, estando sempre pronta a resolver seus problemas.
A verdade é que o cliente precisa do banco e o banco precisa do cliente, logo, uma parceria deve ser estabelecida. Tudo funciona muito bem quando há um clima de parceria. Não explore o banco nem o veja como um explorador, mas também não se deixe ser explorado. Essa relação só acontece quando existe parceria e confiança mútua, mas esteja atento! Veja esta outra história sobre o Sr. Francisco, um cliente muito tranqüilo 1 Esse valor varia de um banco para outro. Alguns exigem investimentos mínimos equivalentes a US$2 milhões ou US$3 milhões.
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COMO SE RELACIONAR COM SEU BANCO
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que gostava de fazer negócios somente com os amigos, em quem confiava de olhos fechados.
Ao necessitar de dinheiro para comprar um apartamento na Delfim Moreira, no Rio de Janeiro, o Sr. Francisco resolveu vender uma grande posição que tinha em ações da Vale. Ligou, então, para a corretora na qual costumava operar ações. Sua confiança na corretora era total, já que o dono da instituição era seu compadre. Mas que surpresa desagradável não teve... Sua posição estava zerada. Mas como? O senhor não recebia sua posição da CBLC?, perguntei. O Sr. Francisco ficou sem saber o que dizer, pois não sabia o que era a tal CBLC. Ele confidenciou que somente recebia posição da corretora, que mensalmente enviava a sua carteira de ações. Sua confiança cega no amigo lhe rendeu um prejuízo equivalente a US$3 milhões na época.
Esse episódio real nos leva a formular duas regras que sempre devem ser seguidas por qualquer investidor, seja ele grande ou pequeno:
Regra no 1: Antes de investir, procure conhecer bem os procedimentos e os órgãos reguladores. Conheça seus direitos e pergunte a um amigo acostumado a operar no mercado, ou um consultor financeiro credenciado pela CVM. Não tenha vergonha de fazer perguntas e procure tirar todas as suas dúvidas. Regra no 2: Confie sempre desconfiando, ou seja: opere somente com a instituição que lhe transmite confiança, mas solicite documentos oficiais comprobatórios de sua aplicação e dos rendimentos periódicos.
Na realidade, o ser humano muitas vezes se coloca numa posição de vítima perante aquilo que não domina. O Dr. Wayne W. Dyer nos explica em seu livro Pulling your own strings (Sendo dono de sua própria vida), que somos constantemente vitimados e ficamos paralisados diante de uma situação sobre a qual não temos domínio. Assim, quando um médico nos in-
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forma sobre o preço de sua consulta, nós simplesmente preenchemos o cheque e pagamos, sem nada questionar. O mesmo acontece no banco ou na corretora. Quando nos dão os custos da corretagem, ou a taxa do CDB, tendemos a aceitar aquilo como verdade, a menos que tenhamos prática no mercado. O investidor ou o tomador dos recursos não deve nunca se sentir assim e deve sempre fazer valer seus direitos, afinal, lembre-se: você precisa do banco, mas o banco também precisa de você. As instituições só existem porque existem clientes; sem cliente, elas fecham. Dessa forma, listo a seguir uma declaração de direitos preparada pela própria CVM em seu site. Leia com atenção e assimile os ensinamentos.
DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO INVESTIDOR O INVESTIDOR TEM O DIREITO DE: n Fazer perguntas Indagar sobre o investimento no qual pretende aplicar sua poupança, sobre a operação e sobre os participantes de mercado envolvidos. n Conhecer as oportunidades de investimento Definidos o montante que será aplicado, o horizonte de aplicação e o perfil de risco do investidor, o profissional deverá informar quais as oportunidades de investimento, considerando a disponibilidade de capital do investidor e o grau de risco que está disposto a suportar. n Ser informado das regras que regem o mercado referentes a seu investimento O profissional deverá prestar-lhe as informações necessárias sobre o investimento escolhido, operacionalidade deste e práticas do mercado, assim como informar as garantias legais e regulamentares no caso do não-cumprimento da ordem como especificado. n Fazer valer sua escolha Ter sua vontade respeitada. Uma vez definido o investimento, o profissional não poderá destinar a quantia relativa ao investimento para operação diversa da escolhida pelo investidor.
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n Ter acesso às informações Solicitar e receber informações da empresa, ou do fundo, objeto de sua pesquisa, visando decidir sua aplicação (informações contábeis, financeiras, atos societários, identificação dos controladores e dos administradores), através de departamento de acionistas da empresa, da Bolsa em que a ação for negociada, do administrador do fundo e também da CVM, tudo isso visando permitir sua decisão consciente dos riscos e custos envolvidos na operação. n Ser informado do retorno e do risco da aplicação Para a escolha do investimento, o interessado deverá ser informado pelo profissional de forma clara sobre o retorno do investimento e sobre as possibilidades (riscos) de esse retorno esperado não vir a se concretizar. A definição do perfil de risco do investidor também é importante para um melhor direcionamento da aplicação. n Conhecer os custos decorrentes do investimento Na realização de qualquer investimento sempre haverá custo envolvido. Caberá ao profissional esclarecer o investidor quanto aos custos a serem suportados por ele, assim como sobre o valor líquido da operação. O investidor deverá recusar o pagamento de qualquer despesa que não tenha sido previamente acertada ou divulgada. n Ler previamente o contrato Tomar conhecimento prévio do contrato decorrente do investimento escolhido, que deverá estar redigido de modo claro. O profissional deverá cumprir as regras constantes do contrato. n Receber documentação comprobatória do seu investimento Uma vez definidos o tipo de investimento e a quantia envolvida, o profissional tem a obrigação de entregar ao investidor um documento comprobatório da aplicação contendo as características da operação e o montante investido, assim como deverá informá-lo sobre os documentos comprobatórios que deverão ser encaminhados pelas instituições com as quais operar, como garantia de que sua vontade está sendo respeitada. n Receber os títulos ou valores mobiliários decorrentes da operação Realizada a operação, o investidor deverá, após a liquida-
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ção, receber imediatamente os títulos ou o comprovante correspondente e, no caso de venda ou de resgate, os valores decorrentes destes. n Ser informado dos direitos decorrentes do investimento efetuado O profissional deverá informá-lo sobre as vantagens acessórias ligadas ao seu investimento; por exemplo, no caso de ações, explicar-lhe a existência de dividendos, bonificações, desdobramentos, grupamentos, direito de voto e de preferência. n Reclamar, fazer valer os seus direitos No caso do não-cumprimento das regras vigentes, o investidor tem o direito de apresentar sua reclamação, sem qualquer tipo de constrangimento ou de ameaça junto ao profissional contratado, à instituição, à Bolsa de Valores ou mercado de balcão, ou junto à CVM, órgão regulador responsável pela fiscalização do mercado de valores mobiliários. Preocupada com a lisura dos negócios, a CVM está sempre pronta a ajudar o investidor. Procure sempre saber se o intermediário financeiro com o qual está pretendendo operar é autorizado pelo Banco Central do Brasil ou se a corretora é credenciada pela CVM. Investigue se esse intermediário já teve problemas com a CVM. Cuidado! Afaste-se de problemas, não ceda a pressões para investir nem acredite em promessas de lucros rápidos. Ganhar dinheiro requer paciência e assunção de riscos. Não existe alto retorno em investimento seguro. Se você tiver alguma dúvida, quiser fazer sugestões ou reclamações, entre em contato com a CVM através da Superintendência de Proteção e Orientação a Investidores. Ligue 0800 7260802. É importante, também, conhecer as credenciais do seu interlocutor na instituição financeira na qual você está fazendo o seu investimento. Afinal, ele estará lhe orientando nas suas decisões. Por isso, vale a pena perguntar se ele é certificado e credenciado na CVM ou na ANBID. Conheça as certificações e credenciamentos obrigatórios no mercado financeiro:
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Certificação/ Credenciamento
Para quem é obrigatória
ANBID CPA-10
Todo gerente de agência bancária que atende cliente e sugere investimentos.
ANBID CPA-20
Todo gerente que atende cliente Qualificado. Segundo a CVM, o investidor Qualificado é todo aquele que tem no mínimo R$300.000,00 aplicado no mercado financeiro.
ANCOR
Agente Autônomo de Investimentos, um preposto da instituição financeira, muitas vezes o seu interlocutor na corretora, quando você dá ordem de compra ou venda de ações.
APIMEC/IBCPI
Para quem prepara relatórios sobre as empresas recomendando comprar ou vender valores mobiliários (ações, debêntures, dentre outros).
Consultor de Valores Mobiliários
Todo profissional que exerce a atividade de consultoria sobre investimentos.
Administrador de Carteiras
Todo profissional que administra recursos de terceiros e é remunerado por exercer essa atividade.
Além dessas, existe a Certificação ANBID de Private Bank, que é eletiva e certifica os executivos de relacionamento da área de Private Banking das instituições financeiras. Não deixe de checar nos sites da CVM ou da ANBID se o profissional com quem você fala sobre investimentos tem a certificação adequada. Ter as credenciais exigidas pelos órgãos reguladores significa que o executivo tem o conhecimento mínimo necessário para exercer suas funções.
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CAPÍTULO 6
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: RENDA FIXA
T
oda vez que falo em produtos bancários, lembro-me de minha mãe. No tempo em que eu trabalhava em Mercado, na área comercial de investimentos, ela sempre achava engraçado quando eu comentava que dava consultoria e vendia produtos bancários de investimento. Na cabeça de muita gente, produto está associado a algo físico, como uma geladeira ou uma margarina. Na verdade, um produto pode tomar formas mais abstratas, como um produto na área de serviços, o que é o caso dos bancos. Podemos citar como exemplo de produtos bancários de investimento de renda fixa: CDB, poupança, letra hipotecária e operação compromissada, que serão abordados neste capítulo. Esses produtos são chamados de renda fixa porque sua rentabilidade é determinada no momento da contratação do produto, diferentemente dos produtos de renda variável, cuja rentabilidade não é previamente conhecida. Existem dois tipos de produtos de investimento: os que geram funding para o banco e os que não geram funding para o banco. Gerar funding para o banco significa que os recursos captados pelo banco, através daquele produto, entrarão em seu caixa. Há, portanto, o risco de o banco ser mal administrado e quebrar, não pagando o que deve ao cliente. É o que se chama risco de crédito. Os demais produtos não mexem no caixa do banco, não servindo como fonte de captação para este. A receita do
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banco, nesse caso, se dá por intermédio de tarifas que estes recebem pela venda dos produtos. Confira a seguir alguns produtos geradores e não-geradores de funding para o banco: Geradores de funding
Não-geradores de funding
Depósito à vista CDB Poupança
Fundo de investimento Ações Swap
Desses produtos, depósito à vista, CDB e poupança são produtos que geram compulsório, que forma a reserva em reais do Banco Central. Em outras palavras, de cada real depositado pelo cliente nesses produtos, um percentual definido pelo Banco Central do Brasil tem que ficar depositado nessa instituição fiscalizadora. É obvio que o banco não gosta disso. Confira, neste e nos próximos dois capítulos, os principais produtos de investimento oferecidos no mercado brasileiro.
POUPANÇA A caderneta de poupança é a aplicação mais simples e tradicional. Toda poupança rende TR1 + 0,5% a.m., o que significa TR + 6,17% a.a.2 de ganhos efetivos, devido ao efeito da taxa de juros composta, que rende juros em cima de juros já ganhos. De acordo com a regra vigente, se a TR for negativa, ela não será levada em consideração para o cálculo da remuneração da poupança. Neste caso, a remuneração da poupança será 0,5%. A abertura pode ser feita em qualquer dia do mês, sendo que as contas abertas nos dias 29, 30 e 31 começam a contar rendimento a partir do dia primeiro do mês seguinte. É comum muita gente aplicar em poupança por julgar que é o investimento mais seguro do mercado, garantido pelo governo federal. Entretanto, a poupança é quase tão segura quanto um CDB, no que se refere ao ressarcimento do dinheiro em caso de quebra do banco. Isso porque tanto a 1 A Taxa Referencial de Juros (TR) é divulgada mensalmente pelo Banco Central, e calculada com base na remuneração mensal média dos depósitos ou aplicações em instituições financeiras e utilizada como indexador de débitos fiscais, contratos privados etc. É um índice muito aplicado para reajustes das prestações dos contratos de financiamento imobiliário. 2 a.a. = ao ano; a.m. = ao mês.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: RENDA FIXA
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conta-corrente como o CDB e a poupança são produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito FGC. De modo geral, as poupanças rendem pouco. Compare a seguir a rentabilidade da poupança nos últimos anos com o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), o índice de inflação calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Inflação LAHIKI rendimento da poupança 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
IGP-M 16,2 9,2 7,7 1,8 20,1 10,0 10,4 25,3 8,7 12,4 1,2 3,8 7,2
Poupança 39,7 16,3 16,6 14,4 23,3 8,4 8,6 9,1 11,1 10,8 9,2 8,3 7,7
2008 (até junho)
6,8
3,5
Como se pode notar, há anos em que a rentabilidade da poupança ficou acima da inflação e há anos em que perdeu para a inflação. Logo, uma aplicação em poupança não garante que a rentabilidade obtida será superior ou, pelo menos, igual ao índice de inflação. Mas a poupanca pode ser um ótimo produto para quem tem poucos recursos. Por não incidir imposto de renda nem taxa de administração, pode render mais que um fundo de investimento.
Fundo Garantidor de Crédito FGC O FGC é um fundo de proteção ao investidor e correntista. É como um seguro: todo depósito em conta-corrente, poupança e CDB está garantido até o valor de R$60 mil ao todo, na instituição, por CPF, contra qualquer problema de solvência que o banco apresente.
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Isso significa que se o banco no qual você tem conta quebrar, tudo o que você tiver em conta-corrente, CDB e poupança, somando o limite máximo de R$60 mil ao todo, lhe será devolvido. Se você tiver, num mesmo banco, R$2 mil na conta-corrente, R$50 mil num CDB e R$20 mil na poupança, perfazendo um total de R$72 mil, e esse banco quebrar, você receberá R$60 mil, perdendo R$12 mil que não são cobertos pelo FGC. Repare que suas aplicações em fundos de investimento não estão cobertas.
CONTA-CORRENTE QUE RENDE JUROS DE POUPANÇA Provavelmente você tem esse produto, característico de muitos bancos. Você já reparou se no extrato que recebe do banco no fim do mês aparecem pequenos créditos descritos como Remuneração Básica Poupança Automática, ou algo semelhante? Esse produto funciona da seguinte forma: o banco abre uma poupança automática para você, normalmente com o mesmo número da sua conta. Todo dinheiro que cai na sua conta vai direto para a poupança automática, rendendo os mesmos juros e seguindo as mesmas regras da poupança normal; afinal, trata-se de uma poupança como outra qualquer, só que camuflada de conta-corrente. Contudo, preste muita atenção: se você resgatou de uma aplicação como um CDB ou um fundo de investimento, os recursos não vão para essa poupança automática e, sim, para uma conta-corrente normal, que não rende juros. Isso acontece porque todo resgate de investimento tem que passar pela conta-corrente ou pela containvestimento, dependendo da origem. Veja o esquema que se segue:
Poupança automática Crédito de empréstimo, resgate de fundos, CDB...
Poupança automática Conta-corrente
Contacorrente
INSS
$
Cheque
Salário
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: RENDA FIXA
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Note que pensões, depósitos em cheque ou dinheiro, DOCs, TEDs3 e crédito de salário são depositados nessa conta de poupança. Já créditos de resgates de aplicações vão para a conta corrente normal, que não rende juros. Esse produto assume diversos nomes, de acordo com o banco. Seja Poupança Automática, Poupcash ou qualquer outro, é tudo a mesma coisa.
CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO (CDB) Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro para o banco. O CDB é um título que permite que os bancos captem recursos. Os CDBs podem ser emitidos: n Prefixado Nesta modalidade, o valor dos juros a serem pagos pelo banco são conhecidos no momento da contratação da operação, por exemplo: um CDB no valor de R$100 mil, a uma taxa prefixada de 15% a.a., pagará, no dia do vencimento, R$15 mil de juros. n Pós-fixado Neste caso, o valor absoluto dos juros é conhecido somente no dia do vencimento. No momento da contratação da operação ficam combinados apenas o percentual e o indexador que irão remunerar o título. Os CDBs pós-fixados mais usuais são emitidos: (1) como um valor percentual do CDI e (2) indexados ao IGP-M. É comum ouvir falar que um título é indexado ao CDI. Na realidade, os títulos não rendem CDI e, sim, ficam indexados à taxa DI (taxa DI Over calculada pela CETIP). O CDI é um Certificado de Depósito, como o CDB, só que negociado no mercado interbancário (entre as instituições financeiras). A taxa DI tem por base a média das taxas negociadas nesse mercado de CDI, daí o mercado dizer que o título rende um percentual do CDI. Suponhamos que você foi ao banco e sua gerente lhe ofereceu um CDB com as seguintes opções de aplicação: 3 TED é transferência eletrônica de dinheiro e foi criada junto com o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro. Todo valor acima de R$5 mil enviado eletronicamente deve ser feito através da TED. Nesse caso, a remessa se dá imediatamente. O DOC, apesar de ser creditado com a data do envio dos recursos, só é visualizado no dia seguinte ao da transação.
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n CDB prefixado a 15% a.a., ou n CDB pós-fixado em 91% do CDI. De volta para casa, e após fazer os cálculos, você concluiu que as possibilidades de ganho com as duas modalidades oferecidas lhe renderiam a mesma coisa, mas você tinha que optar e, sem saber qual seria a melhor decisão, ligou para um consultor financeiro amigo seu, e fez as seguintes observações, fundamentais para uma decisão dessa natureza: Qual, dentre as modalidades, oferece o menor risco? 2. Qual o cenário macroeconômico? Qual a possibilidade de uma alteração da taxa de juros? Qual a tendência da taxa de juros durante o período de sua aplicação? 3. Qual a liquidez dessas aplicações? Estarei recebendo a rentabilidade até o dia do meu resgate? 4. Em caso de resgate antes do vencimento, que valor estarei recebendo do banco? Qual a regra aplicada no caso de resgate antes do vencimento? 1.
Como se vê, a decisão, aparentemente fácil, é mais complexa. Vamos, então, parar para uma análise de cada um desses itens. Pense: para você, uma aplicação na qual já se sabe os juros em valores absolutos é mais ou menos arriscada do que uma que só dá o valor no final? Assim: Numa aplicação de R$1 mil, o que é menos arriscado: saber que no vencimento vai ganhar R$100 ou saber que esse título rende 95% do CDI? Certamente muita gente irá preferir uma aplicação prefixada, pois a sensação de segurança é maior, uma vez que já se conhece o valor a receber. Esse pensamento é uma falácia e o motivo desse erro comum pode ser percebido após mais algumas considerações. Vamos, então, prosseguir e, mais adiante, você mesmo responderá a essa pergunta, através da lógica que você utilizará depois de mais alguns comentários. Bom, agora você tem que analisar o cenário. Você pode ter conhecimentos de economia ou não. Se os tem, saberá analisar o momento macroeconômico e dizer sobre a tendência da taxa de juros. Se essa não for a sua praia, recorra a quem possa ajudar ou a algum relatório do seu banco. Agora veja como funciona a questão de taxa pré ou pós-fixada.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: RENDA FIXA
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Decidimos por uma taxa prefixada quando acreditamos que a taxa de juros vai cair. Dessa forma, estaremos garantindo a manutenção de uma taxa mais alta durante todo o período da queda da taxa. Observe o gráfico que se segue.
Taxa contratada prefixada LAHIKI taxa de mercado declinante Taxa de juros
Contratada x%
Mercado
Tempo
Por exemplo, se você aplicou no CDB prefixado a 15% a.a. e a taxa de juros caiu para 10% no quarto mês, você estará recebendo 15% num mercado que paga 10%. Sua rentabilidade será acima do mercado, mas veja o que acontece se a taxa de juros sobe:
Taxa contratada prefixada LAHIKI taxa de mercado ascendente Taxa de juros
Mercado
x%
Contratada
Tempo
Como você pode notar, neste caso de taxas de juros ascendentes, uma taxa prefixada não é interessante para um investidor.
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Por outro lado, decidimos por uma aplicação pós-fixada quando visualizamos uma subida na taxa de juros. Estaremos acompanhando essa subida conforme a figura que se segue.
Taxa contratada pós-fixada LAHIKI taxa de mercado ascendente Taxa de juros
Mercado = Contratada
x%
Tempo
Em outras palavras, neste caso de taxas pós-fixadas, não importa a taxa do mercado, você estará acompanhando todas as subidas e quedas dos juros. Agora você já é capaz de responder à primeira pergunta. Sabendo que o conceito de risco está atrelado à questão de perdas, em qual dos dois produtos pré ou pós-fixado você pode perder menos, comparado ao mercado? Acertou se respondeu pós-fixado. Assim, pode-se concluir que no pós-fixado você corre um risco menor quanto às oscilações da taxa de juros, pois estará acompanhando cada movimento do mercado. Mas como decidir por pós-fixada indexada à DI ou IGP-M? A decisão do indexador depende de outras variáveis, como: n Liquidez de cada modalidade Normalmente os CDBs em IGP-M só têm a opção de recompra pelo banco emitente com o pagamento dos juros integrais na data de vencimento. Os CDBs pós-fixados em DI têm, normalmente, liquidez diária, dado que a taxa DI é calculada diariamente pela CETIP. Daí ser o mais comum.
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n Dívidas do investidor Suponhamos que o investidor tenha uma dívida que é reajustada pelo IGPM. De forma a acompanhar a variação desse indexador, pode ser interessante que os recursos sejam aplicados pelo mesmo indexador. Tal procedimento protege o investidor contra um descolamento entre os indexadores, fazendo com que o rendimento do dinheiro aplicado seja igual ao da sua dívida. Neste caso o investidor estará hedgiado.4 Finalmente analise o que acontece se você desejar resgatar fora do prazo de vencimento do título. Ocorrendo o desejo do investidor assim proceder, cabe lembrar que o título é recomprado, geralmente, por seu valor de mercado.
Preço de mercado de um título de renda fixa Comprar a valor de mercado significa precificá-lo a um valor justo, de tal forma que reflita o preço de mercado nesta data, sendo esse preço função da taxa de juros praticada pelo mercado neste momento, para este título. Dessa forma, pode acontecer de o investidor ter pactuado 15%, por exemplo, num CDB prefixado, mas, devido a fatores de mercado, como variações na taxa de juros, o mesmo título ser recomprado pelo banco a uma taxa menor, gerando rentabilidade também menor para o aplicador. Veja por quê. Conheça a regra básica para a precificação de um título de renda fixa:
taxa de juros do mercado (i) sobe Preço de mercado (Pm) do título cai taxa de juros do mercado (i) cai Preço de mercado (Pm) do título sobe
ou Se i Û Pm Ü Se i Ü Pm Û 4 Jargão de mercado que significa protegido. Trata-se de um termo abrasileirado, cuja origem é o verbo to hedge, que significa proteger.
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Traduzindo a regra: o preço de um título de renda fixa é influenciado pela taxa de juros de mercado e pela percepção do investidor quanto à taxa de juros que deseja receber no papel. Se a taxa de juros sobe, dada a não-variabilidade dos fluxos futuros do papel, o preço do título cai, de modo a se ajustar à nova realidade do mercado. Já se a taxa de juros desce, o preço do título sobe. Em outras palavras, ao descontar um título que tem fluxos futuros preestabelecidos a uma taxa de juros maior, encontra-se matematicamente um Valor Presente (preço de mercado) menor para o título, e vice-versa. Ficou confuso? Vejamos uma variação sobre o mesmo tema. Suponhamos um título de renda fixa tradicional com as seguintes características: R$112,00
0
n
360 dias
R$100,00
Prazo: 360 dias Valor da aplicação: R$100,00 Taxa de juros: 12% a.a. Juros no vencimento: R$100,00 x 12% = R$12,00 Valor do título no vencimento: R$112,00
Imagine que você comprou esse CDB e que após n dias deseje resgatá-lo. Nessa data, duas coisas podem ocorrer: A taxa de juros, que era de 12% no momento da aplicação, subiu para 15%. 2. A taxa de juros caiu para 10%. 1.
Qualquer que seja o caso, o banco irá recomprá-lo a valor de mercado. Isso significa que ele irá trazer o fluxo futuro a valor presente na data n e que descontará esse valor no vencimento (R$112,00 neste caso) a uma nova taxa de mercado.
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Você concorda que descontar algo a 15% resulta em um valor menor do que se descontado a 12%? É como na compra de uma roupa, por exemplo. Suponha que você solicitou um desconto ao vendedor. Quanto maior o desconto, menor o valor a ser pago. Logo, se eu descontar um título a uma taxa maior do que a previamente contratada, estarei resgatando menos do que o valor histórico, pois o desconto é maior (i Û => Pm Ü). Utilizando a mesma regra, pode-se também afirmar que, caso a taxa de juros tenha caído nesta data antecipada (no caso n dias), estarei descontando um título por uma taxa menor do que a contratada. Logo, estarei recebendo um valor maior do que o valor histórico (i Ü => Pm Û). Para quem gosta de matemática, é fácil esse entendimento, pois a fórmula de valor presente em juros compostos é: P= em que: P = valor presente F = valor futuro i = taxa de juros n = prazo
F (1 + i) n
Como i está no denominador, se a taxa de juros (i) aumentar, o valor de P será menor e vice-versa. Assim, cheque com o gerente do banco qual a regra para resgate do CDB que ele está lhe oferecendo. Lembre-se da Declaração de Direitos do Investidor.5 Questione e se informe sobre as regras que se aplicam a seu investimento. Agora, depois desse entendimento sobre CDBs, você já é capaz de responder: qual modalidade de CDB é melhor para você? Depende, você não concorda? Afinal, sua vida financeira e suas expectativas quanto ao futuro podem ser diferentes das demais pessoas. Você pode ter optado por um CDB pós-fixado em IGPM porque tem uma dívida que é corrigida pelo IGPM. Nesse caso, a rentabilidade do seu CDB estará garantindo e cobrindo riscos de perdas na outra ponta da dívida. Daí vai um ensinamento: 5 Veja o Capítulo 5.
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O que é melhor para uma pessoa pode não ser para a outra. Logo, não tente copiar as aplicações dos outros. Você é um ser único e, como tal, deve ser tratado.
TÍTULOS PÚBLICOS: TESOURO DIRETO Até relativamente pouco tempo, a venda de títulos públicos estava limitada a grandes investidores. Entretanto, desde 2002 o Banco Central decidiu oferecer essa possibilidade a pequenos investidores, através da compra, pela internet, do que chamou de Tesouro Direto. Com pouco dinheiro (em torno de R$200,00) pode-se adquirir LTN, LFT e NTN,6 todos títulos de emissão do Tesouro Nacional. Para adquirir os títulos, o seguinte procedimento deve ser seguido: Entrar na página do Tesouro (www.tesourodireto.gov.br). Dar a ordem de compra. 3. Indicar uma instituição financeira para concluir a operação. O site dá informação sobre as instituições cadastradas e autorizadas a operar com o Tesouro Direto e as taxas cobradas por elas. 4. Esperar a emissão de um recibo eletrônico de que a operação foi concluída com sucesso e esperar o débito da compra na conta corrente indicada na operação. 1. 2.
Se o investidor desejar resgatar o investimento antes do prazo do vencimento, ele pode vender os títulos de volta ao governo, que tem um mecanismo de recompra específico para os papéis vendidos pela internet. Nesse caso, os papéis serão comprados pelo governo por um valor de mercado, podendo ser menor do que o contratado no início da operação. Trata-se de procedimento semelhante ao explicado anteriormente, quando do CDB. 6 LTN Letra do Tesouro Nacional; LFT Letra Financeira do Tesouro; NTN Nota do Tesouro Nacional, que pode ser indexada ao IGPM, ao IPCA ou prefixada.
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Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto são liquidados e custodiados na CBLC. Cabe a esse sistema controlar e liquidar financeiramente as operações de compra e venda de títulos públicos e manter sua custódia. Mas qual a vantagem de se comprar título público? Por que não deixar o dinheiro numa aplicação tradicional, como um CDB ou um fundo DI? Para começar, muitos bancos têm um limite mínimo de aplicação em CDB e outros produtos muito superior. Logo, com R$500,00 você não conseguirá aplicar o dinheiro em CDB em muitas instituições. Além disso, a remuneração oferecida pelo governo deverá ser superior à oferecida pelo banco para pequenos valores. Por fim, um título do governo normalmente oferece risco muito menor que um título de um banco, ou até mesmo que uma caderneta de poupança. Logo, considere essa possibilidade em sua carteira de investimentos. É mais uma opção de diversificação. Entretanto, verifique com a instituição financeira intermediária que você escolheu para concluir a operação quanto ela cobra pelo serviço. Às vezes, o custo é tão alto que acaba comendo toda a rentabilidade.
OPERAÇÃO COMPROMISSADA A operação compromissada é uma operação de compra com compromisso de revenda ou uma operação de venda com compromisso de recompra, ou seja, trata-se de um compromisso mútuo entre o banco e o cliente. Muitos bancos oferecem esse produto a seus clientes hoje em dia. Na realidade, eles usam um título como lastro da operação e esse título pode ser um título público ou privado. Normalmente os bancos oferecem como lastro um título de emissão de uma empresa do mesmo grupo. A utilização de um título de uma empresa coligada é interessante, pois o risco da empresa continua dentro do mesmo grupo. Assim, se você tem segurança no seu banco, estará correndo um risco na operação semelhante ao do seu banco. Numa operação compromissada, o vendedor se compromete a recomprar o título que está servindo de lastro para a operação a uma taxa pactuada. Essa taxa utilizada normalmente é em percentual da taxa DI. A taxa contratada nada tem a ver com a taxa do papel que você adquiriu, o
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qual está sendo utilizado como lastro da operação. Em outras palavras, não importa a taxa do papel, o que vale é a taxa pactuada entre as partes, o compromisso assumido mutuamente.
LETRA HIPOTECÁRIA A Letra Hipotecária, ou LH, é um título emitido por instituições de crédito imobiliário e as mais famosas LHs são emitidas pela Caixa Econômica Federal (CEF). Esses títulos têm boa rentabilidade (normalmente TR + x%) e não há incidência de imposto de renda sobre seus rendimentos. Muitas vezes, a própria instituição oferece esse título com rentabilidade atrelada à taxa DI numa operação conhecida como swap. O swap é uma operação de troca de indexador, como a mencionada anteriormente: o título rende TR mais juros, mas a própria CEF oferece a oportunidade de o cliente comprá-lo remunerando um percentual da taxa DI, através de um contrato de outra operação de swap. O cliente está, dessa forma, trocando uma remuneração em TR por outra em DI. É um papel que vale a pena considerar e cujas rentabilidades costumam ser atrativas. Vários bancos oferecem esse papel, emitido pela CEF ou pelas instituições de crédito imobiliário pertencentes ao mesmo grupo do banco. Vale lembrar, entretanto, que esse papel não tem liquidez antes de seu vencimento. Por isso, antes de comprar uma LH, certifique-se de suas necessidades de fluxo de caixa.
DEBÊNTURE A debênture é um título de emissão de uma sociedade anônima que representa um empréstimo que a empresa emitente contraiu com você investidor. São títulos de longo prazo que têm por finalidade gerar recursos para grandes investimentos na empresa. O título, na sua quase totalidade, é somente oferecido a grandes investidores, pode pagar juros periódicos ou não, assim como pode oferecer algum tipo de garantia. Trata-se de um papel com investimento mínimo normalmente em torno de R$10 mil, o que corresponde ao preço de uma debênture. Isso significa dizer que os investimentos têm que ser feitos em múltiplos desse valor, ou do valor do título, que pode ser de até R$250 mil por título.
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O importante é ter em mente os seguintes pontos na hora de decidir pela compra de uma debênture: n Observe a liquidez do papel. Pergunte a quem está lhe oferecendo o negócio se há a possibilidade de recompra do título antes do vencimento ou se há liquidez no mercado para esse papel. Lembre-se de que a debênture é um título de longo prazo. Imagine se você compra um papel com vencimento para daqui a dez anos e não tem liquidez? n Cheque a rentabilidade do papel e confira se vale a pena. Compare com a rentabilidade de outros investimentos. As debêntures normalmente têm taxas atrativas. n Analise se a empresa emitente da debênture é merecedora de crédito. Procure entender o que significa o rating7 dado pela agência de rating. A debênture é um título de dívida e você, como possível credor da empresa, precisa saber se esta tem condições de honrar o que está tomando emprestado de você. n Utilize a debênture como mais uma possibilidade de diversificar sua carteira de investimentos. Não coloque todo o seu dinheiro em apenas uma empresa, concentrando, dessa forma, o seu risco. Pense também naquela regra fundamental de um título de renda fixa, apresentada neste capítulo, pois caso você decida se desfazer do investimento antes do vencimento, sua venda no mercado secundário terá que obedecer a esta regra: Se i Û Pm Ü e se i Ü Pm Û. Isso significa que você pode ter ganhos ou perdas ao revender o papel fora do prazo de vencimento, quando houver liquidez.
SWAP Apesar de não ser especificamente um instrumento de renda fixa, o swap encontra-se aqui inserido para fins didáticos e por permitir que a rentabilidade de um investimento fique protegida conforme o indexador que se deseje seguir. 7 Rating é uma nota que procura resumir o grau de risco da operação. A melhor nota é AAA, e a pior, D.
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O swap é um instrumento oferecido pelo mercado e tem por finalidade trocar o indexador da operação. Vamos supor, por exemplo, que você tenha um CDB que rende 90% do CDI. Entretanto, por algum motivo, você tem uma dívida oriunda de uma prestação ou de algum julgamento em trâmite na justiça que está indexada ao IGP-M ou ao dólar. Note que você está descasado, ou seja, você está correndo o risco de a variação do IGP-M ou do dólar ficar acima da rentabilidade da sua aplicação indexada à taxa DI. Nesse caso, convém fazer um hedge, que é uma proteção contra esse tipo de risco. Uma das maneiras de se fazer esse hedge é por meio de uma operação de swap. Quando você faz um swap, você está trocando o indexador. Sendo sua dívida em dólar e sua remuneração do CDB em DI, convém fazer um swap de DI para dólar. O swap é um contrato entre você e o banco que explicita essa troca do indexador. Trata-se de um instrumento sujeito também ao imposto de renda. Veja como funciona: Suponhamos que seu CDB, com vencimento para um ano, tenha sido contratado a 90% do CDI e que concomitantemente você tenha feito um swap de 90% do CDI para dólar + 8%. Vamos supor também que a variação da Taxa DI no período foi de 20%. Logo: 20% × 90% = 18% (rentabilidade do seu CDB, antes de descontado o imposto de renda) Valor aplicado: R$100.000,00 Rendimento do CDB: (a) R$100.000,00 × 18% = R$18.000,00 Valor CDB no dia do vencimento: (b) R$100.000,00 + R$18.000,00 = R$118.000,00 Imposto de renda sobre o CDB: (c) 20% sobre o rendimento (a)* R$18.000,00 × 20% = R$3.600,00 Valor líquido a ser creditado por conta da operação de CDB: (d) = (b) (c) R$118.000,00 R$3.600,00 = R$114.400,00 *Conforme legislação vigente em julho de 2008.
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Vamos ver agora o que aconteceu na operação de swap, lembrando que seu contrato de swap era de troca de 90% do CDI para dólar mais 8%. Na liquidação da operação, após 30 dias, podem ocorrer dois eventos diferentes: opção 1: Variação de dólar +8% = 37% opção 2: Variação de dólar +8% = 15% Veja o que acontece em cada caso: Opção 1: Variação de dólar +8% = 37% Rendimento da ponta em dólar: (e) R$100.000,00 × 37% = R$37.000,00 Ajuste do swap: (f) = (e) (a) R$37.000,00 R$18.000,00 = +R$19.000,00 Neste caso você ganhou a aposta que fez com o banco, pois o resultado de dólar + 8% foi maior do que 90% da taxa DI. Como você teve um ganho, tem que pagar imposto de renda (IR) de 20% sobre esse rendimento:* (g) = (f) × 15% R$19.000,00 × 20% = R$3.800,00 O crédito em sua conta, já sem IR será de: (h) = (f) (g) R$19.000,00 R$3.800,00 = R$15.200,00 Com base nas contas anteriores, podem-se levantar os débitos que serão efetuados em sua conta-corrente provenientes de ajuste de swap: Histórico
Valor – R$
Saldo inicial
0
Resgate CDB**
114.400,00
C
15.200,00
C
129.600,00
+
Ajuste operação swap** Saldo final
C/D
C = crédito; D = débito ** líquido de IR *Segundo legislação vigente em junho de 2008.
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Opção 2: Variação de dólar +8% = 15% Rendimento da ponta em dólar: (i) R$100.000,00 × 15% = R$15.000,00 Ajuste do swap: (j) = (i) (a) R$15.000,00 R$18.000,00 = R$3.000,00 Como o ajuste foi negativo, não houve ganho, logo, não há incidência de imposto de renda. Preste bem atenção neste caso, em que você apostou que dólar + 8% renderia mais do que 90% do CDI, e no final isso não aconteceu! Com base nas contas anteriores, pode-se levantar os débitos que serão efetuados em sua conta corrente provenientes de ajuste de swap: Histórico
Valor – R$
C/D
Saldo inicial
0
Resgate CDB
114.400,00
C
3.000,00
D
111.400,86
+
Ajuste operação swap Saldo final C = crédito; D = débito
Verifique o que aconteceu nesse caso, em que você perdeu para o banco: Você pagou imposto de renda sobre o rendimento de R$18 mil do CDB. Entretanto, a rentabilidade que você teve foi de 15% na ponta de sua aposta (90% do CDI). Assim sendo, muita gente acredita que o imposto deveria ser sobre o menor valor, no caso R$15 mil. Na verdade, são duas operações distintas, cabendo o cálculo do imposto de renda em cada uma delas, como ocorreu na primeira opção, em que você pagou imposto de renda sobre o rendimento do CDB, mais sobre o ajuste positivo de R$19.000,00 dado que você ganhou do banco da ponta em dólar. Na segunda opção somente não houve cobrança de imposto de renda sobre o ajuste porque ele foi negativo. Nesse caso, os menos avisados esperam, erroneamente, que o imposto de renda seja de:
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Rendimento 2a opção (k): R$15.000,00 Imposto de renda imaginável (m) R$15.000,00 × 20% = R$3.000,00 Cálculo da perda com o imposto de renda: Imposto de renda pago (c)
R$3.600,00
Imposto de renda imaginável (m)
R$3.000,00
Prejuízo no IR
R$600,00
Como visto, a metodologia do cálculo do imposto de renda pode levar a uma perda para o investidor caso ele tenha um produto tributável e contrate um swap que tenha ajuste negativo. É importante mencionar, também, o caso de produtos que são vendidos com swap mas cujo produto da primeira ponta não gere imposto de renda, como o caso das letras hipotecárias. Nesse caso, o imposto de renda será cobrado somente sobre ajuste positivo, quando houver. Moral da história: Cuidado nas operações de swap que possam ter ajuste negativo e em que haja incidência de imposto de renda no produto da primeira perna do swap! Se tudo der certo, muito bem, mas se o ajuste for negativo, você estará pagando imposto de renda em cima de um valor maior, o que resultará em uma rentabilidade efetiva menor do que a esperada.
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CAPÍTULO 7
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
M
uita gente acredita que investir em ações é o mesmo que jogar num grande cassino. Será? Esta parte do livro irá abordar os produtos de renda variável e, ao final, você será capaz de tirar suas próprias conclusões. Nossa conversa será em torno do mercado acionário e sobre aplicação em ouro.
MERCADO ACIONÁRIO Ao contrário do que muitos imaginam, o mercado acionário não é uma roleta russa, que depende unicamente de sorte. Na realidade, por trás de uma ação está uma empresa, dado que uma ação é um título de propriedade. Quando você adquire ações da Petrobras, está se tornando sócio da Petrobras, mesmo que em pequenas proporções. É como se você abrisse uma loja no shopping de seu bairro e tivesse outros sócios. A diferença é que a loja não tem ações negociadas em Bolsa de Valores, e a Petrobras e outras grandes empresas têm. É na Bolsa de Valores que ocorrem as negociações, feitas sempre por intermédio dos corretores, sendo a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) a principal Bolsa de Valores brasileira.* Se for sua intenção inves*A BOVESPA e a BM&F estão em processo de integração, o que resultará na BM&FBOVESPA.
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tir em ações, busque, antes de começar, uma corretora de valores séria, cadastrada na CVM, não se deixando levar por falsas aparências ou por amizades. Há muitas corretoras que prestam excelente serviço e que são de total idoneidade. Lembra do caso do Sr. Francisco, citado no Capítulo 3, que foi roubado pela corretora? Com relação a esse caso, costumo dizer sempre que esse tipo de coisa só acontece com amigos. A probabilidade de algo dessa natureza ocorrer com uma corretora bem estabelecida no mercado ou ligada a um grande banco é, em geral, baixa. Logo, não se deixe levar por aparências. Ao fazer negócio, exija o profissionalismo que o tema requer. As ações no Brasil são do tipo nominativas, ou seja, sabe-se quem são seus proprietários. Estas podem ser ainda: n Ordinárias (ON) Conferem ao acionista o direito de voto em assembléias gerais. n Preferenciais (PN) Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos e no reembolso de capital, no caso de dissolução da sociedade. De acordo com a nova Lei das S.As., um exemplo de preferência pode ser que as ações preferenciais têm direito adicional a 10% de dividendos acima do valor destinado aos detentores de ações ordinárias. Entretanto, não dão direito a voto. Além do direito ao voto ou não, no caso das ações preferenciais , todo acionista tem direito a: n Dividendos De acordo com a Lei das S.A., toda empresa tem que distribuir no mínimo 25% do seu lucro para seus acionistas. n Bonificação As bonificações podem ser pagas em ações ou em dinheiro. A bonificação na forma de ações acontece quando a empresa distribui novas ações a seus acionistas. A bonificação em dinheiro ocorre excepcionalmente, quando a empresa concede a seus acionistas uma participação adicional nos lucros. Muitas pessoas chamam as bonificações de filhotes.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
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n Direitos de subscrição1 Quando a empresa decide emitir novas ações, visando ao aumento do capital da empresa, seus acionistas têm a preferência na aquisição dessas novas ações, de forma a manter a mesma proporção na participação acionária que detêm na empresa. n Venda de direitos de subscrição Caso não haja interesse por parte do acionista em adquirir as novas ações oriundas da subscrição citada no item anterior, ele poderá vender, em Bolsa, esses direitos a terceiros. n Juros sobre capital próprio É parecido com um dividendo, porém tem como origem lucros de exercícios anteriores e que ficam retidos na empresa. As ações têm, às vezes, seu valor dividido por determinada quantidade, por exemplo: uma ação que custa em mercado R$100,00 de repente é dividida por quatro, passando cada ação a valer R$25,00. A esse evento se dá o nome de split ou desdobramento. O split ocorre quando o preço da ação está muito alto comparado com o preço de mercado de outras ações, acarretando perda de liquidez para a ação. Quando ocorre a divisão de uma ação em 10 ações, como no caso citado, não há perda para o investidor, que passa a deter dez vezes a quantidade que detinha antes. O inverso, inplit ou grupamento, também pode ocorrer e, nesse caso, o preço das ações estaria tão barato que acarretaria quantidade muito grande de ações adquiridas, de difícil controle. Assim como no split, o investidor não sai perdendo, pois se antes ele tinha 1 milhão de ações a R$0,10 cada, após o inplit, vamos supor de 100:1, ele terá 10 mil ações de R$10,00 cada. As ações têm preços diferentes quanto ao tipo, por exemplo: um lote de mil ações da Petrobras ON em 19 de março de 2008 fechou a um preço de R$83,80 sem variação 5,91% com relação ao fechamento do dia anterior. Já o da Petrobras PN valia no fechamento do mesmo dia R$75,18 com variação negativa de 6,36% comparado com a véspera. Apesar de serem da mesma empresa, a diferença de preços se deve a fatores como liquidez e a questões de direitos atrelados a estas. 1 Ocorre a subscrição de uma ação quando a empresa emite novas ações, como forma de captação de recursos para investimentos na empresa.
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Mas quanto rende uma ação? Essa é uma resposta difícil, afinal trata-se de um instrumento de renda variável. Na realidade, ao investir em ações, você pode ganhar de três formas: n Apreciação do preço da ação Ocorre quando você compra uma ação por um preço e depois vende por outro preço mais alto. É o chamado ganho de capital, sobre o qual incide imposto de renda. n Recebimento de dividendos ou juros sobre capital próprio Quando a empresa gera lucro, parte deste é distribuída para seus acionistas na forma de dividendos, sobre os quais não incide imposto de renda. A distribuição de dividendos, como percentual a ser distribuído, e as datas de pagamento são definidas em assembléia dos acionistas, após o fechamento dos demonstrativos financeiros anuais. Logo, nada se pode precisar sobre o valor do pagamento de dividendos futuros, apesar de os analistas fazerem suas projeções. Enquanto os dividendos não são tributados, há incidência de 15% sobre os juros sobre capital próprio recebido. n Ganho de juros sobre aluguel de ações O aluguel de ações é uma transação na qual ocorre a transferência do uso (posse) temporário do proprietário das ações doador para um tomador, mediante o pagamento de uma comissão, no início da operação, e de uma remuneração ao doador no final da operação. O tomador do aluguel estará com o ativo disponível em sua carteira durante o período de vigência do contrato. Ressalta-se que o papel alugado deve estar disponível em carteira, para devolução, no dia de encerramento do contrato, o que implica a recompra do ativo em no máximo até D-3 do prazo da liquidação contratual. Toda a transação é registrada na CBLC. Note que, apesar de ocorrer a transferência de fato das ações do doador para o tomador, a valorização e os direitos inerentes às ações, como dividendos, subscrição e bonificação, continuam com o doador, exceto o direito de voto, no caso das ações ordinárias. Entretanto, durante o período de aluguel, o tomador pode, inclusive, vender ou dar em garantia as ações. Por que você alugaria suas ações? Porque quer mantê-las por um período superior ao do aluguel e pode, desta forma, per-
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ceber um rendimento. As taxas que incidem sobre a operação são taxa de juros previamente estipulada pelo doador, corretagem fixa no ato do aluguel e corretagem variável nas negociações subseqüentes. A decisão de comprar ação de uma empresa, em detrimento de outra, tem por base parâmetros muito semelhantes ao de investir numa loja de roupas ou numa lanchonete. Ao tomar uma decisão desse tipo, você primeiramente analisa o potencial da boutique e da lanchonete. Se for um comércio já estabelecido, você analisará também os resultados passados, o setor em que a empresa se insere e as possibilidades futuras, do mesmo jeitinho que você definirá que ações comprar para a sua carteira. Mas como avaliar o potencial de cada empresa? Existem dois tipos de análise de ações: n Análise técnica n Análise fundamentalista
Análise técnica A análise técnica, ou análise gráfica, baseia suas orientações de decisão no exame de dados de preço e volume passados. A partir de uma análise passada das tendências do mercado, os analistas tentam predizer o comportamento futuro para o mercado como um todo e para ações específicas. Os analistas que defendem essa idéia desconfiam da utilidade dos demonstrativos financeiros e acreditam em certos padrões de comportamento do mercado. Dessa forma, eles analisam gráficos, buscando determinar pontos de compra e de venda de papéis, como demonstra a figura a seguir.
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Exemplo de uma análise gráfica feita em 13 de março de 2008 IBOVESPA
disponível em < http://www.bolsahoje.blogspot.com/ >
Para Humberto dos Santos, que postou esse gráfico em seu blog, no dia 13 de março de 2008, a hora é de ganhar uns trocados. Com base no gráfico, ele concluiu que a BOVESPA iria ter uma alta curta que não iria ultrapassar os 66.000 pontos. É uma análise que tem seus prós e seus contras, mas que é muito utilizada pelo mercado, inclusive por sua facilidade de entendimento.
Análise fundamentalista Os fundamentos do mercado e da empresa são a base da análise fundamentalista (segmento ou empresa que se deseje analisar). Em outras palavras, uma análise fundamentalista buscará explicação para suas recomendações nos fundamentos macro e microeconômicos do objeto em análise e adotará a hipótese da existência de um valor intrínseco para cada ação, calculado com base nos resultados projetados pela empresa emitente.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
71
Uma análise fundamentalista contempla os seguintes itens sobre a empresa: n Análise do impacto das variáveis macroeconômicas n Análise econômico-financeira da empresa n Análise competitiva n Análise do fluxo de caixa n Análise evolutiva n Análise prospectiva n Análise da gestão estratégica n Determinação do valor da empresa e de suas ações Essas informações culminam numa recomendação de comprar, vender ou manter as ações da empresa, tendo por base um valor intrínseco calculado pelo analista, comparado ao preço de mercado desse papel. Pode-se ler abaixo o exemplo do resumo da análise de uma empresa real, aqui com nome fictício, do ramo de energia: ENERGEL Setor: Energia O racionamento de energia e a alta do dólar serão os principais direcionadores do resultado da Energel em 2001. Neste relatório, realizamos simulações demonstrando os possíveis impactos da variação cambial sobre os resultados da empresa. Além disso, já estão contemplados os efeitos do racionamento de energia projetamos uma queda de 20% no volume vendido enquanto o plano estiver em vigor. No longo prazo, a empresa segue como uma das melhores opções de investimento do setor elétrico. A Energel permanece sem data definida para sua privatização, o que vem determinando sucessivos descontos nos preços de suas ações em nossa avaliação, e incluímos o risco implícito Energel, aumentando a taxa de desconto no cálculo do valor justo pelo método de Fluxo de Caixa Descontado. Reforçamos nossa recomendação de compra com um preço justo de R$37,10, determinando um potencial de apreciação de 39,7%.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Essa breve análise mostra que a análise fundamentalista está muito mais preocupada com o futuro da empresa do que com o passado. A decisão do analista de recomendar a compra da Energel se baseou em projeções futuras de geração de caixa e na capacidade da empresa de reestruturação estratégica. Talvez um analista que apenas analise gráficos não tenha a oportunidade de vislumbrar a capacidade de recuperação da empresa, o que somente uma análise mais criteriosa permite enxergar. A análise fundamentalista é hoje utilizada por nove entre dez administradores de recursos do mercado. Acho importante neste ponto fazer um parêntese e lembrar que todo empresário deve olhar sua empresa dessa forma, de modo a valorizá-la periodicamente, conforme mencionado no Capítulo 3.
Outros itens a considerar Além dos já citados, vale a pena dar uma considerada em alguns outros itens, como: n Preço/Lucro O P/L é o resultado da cotação da ação dividido pelo lucro por ação. Esse índice é medido em anos e indica o tempo que o investidor terá para retornar o investimento sob a forma de lucros, além da valorização da ação. Por exemplo, se uma ação tem índice PL de 3,50 significa que o prazo previsto para retorno do investimento é de 3,5 anos. É importante verificar se a empresa costuma distribuir o lucro sob a forma de dividendos. Se ela não distribuir, esse índice é apenas teórico. n Dividend yield2 Equivale ao dividendo pago pela empresa dividido pelo preço de mercado da ação. Quando você usa o último dividendo pago no cálculo, ao tomar conhecimento dessa relação, você ficará sabendo se é uma empresa que costuma pagar bons dividendos. Já, caso você utilize no cálculo a projeção do próximo, poderá projetar em quanto tempo você reaverá o valor pago pela ação. Lembre-se de que o pagamento de dividendos é uma forma de remuneração. n Liquidez média diária Valor financeiro médio da empresa negociado em Bolsa. Este item permite que você avalie em quanto tem2 Yield, do inglês, significa rendimento.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
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po poderá comprar ou vender uma quantidade de ações dessa empresa. Suponha que você decida comprar R$50 mil em ações dessa empresa e que o volume médio diário negociado nesta ação seja de R$10 mil. Isso significa dizer que, em média, você deverá demorar cinco dias para comprar ou vender os R$10 mil que deseja operar nessa empresa. n Diversificação Procure diversificar sua carteira de ações. Não compre apenas ações de empresas de um setor econômico, como, por exemplo, de energia. Se esse segmento tiver contratempos, sua carteira será afetada. Procure montar um portfolio de ações com empresas dos mais diversos setores econômicos. Assim, não estará concentrando seu risco. Afinal, como é precificada uma ação na Bolsa? Com tanto estudo, há de se ter uma fórmula matemática! Na realidade, o preço de mercado de uma ação é determinado pela lei de oferta e procura. Boas empresas são muito demandadas, o que aumenta o seu preço até um nível que o mercado acha caro e pára de comprar a ação. De modo inverso, quando a ação está muito barata, o mercado entra comprando. Com a elevação da demanda, o preço aumenta até um valor considerado aceitável.
HOMEBROKER Homebroker é o instrumento que permite a negociação de ações via internet. Ele permite que você envie ordens de compra e venda de ações através do site de sua corretora na internet. Se você nunca operou ações, cuidado! Tenha certeza de que o homebroker é de uma corretora cadastrada na CVM e que antes de começar a negociar, você tem que preencher uma ficha cadastral na corretora e enviar cópia de sua identidade, CPF e comprovante de residência. O homebroker é muito prático de usar. Ele alia uma série de vantagens, tais como: n Independência do investidor. n Recebimento da confirmação das ordens executadas, logo após a realização das mesmas.
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n Agilidade no cadastramento e no trâmite dos documentos. n Acompanhamento de sua carteira de ações. n Informação sobre o mercado Além do acesso às cotações on-line, algumas corretoras ainda oferecem análises sobre o mercado. n Envio de ordens imediatas ou programadas de compra e venda de ações. Algumas pessoas me perguntam o que vale mais: comprar ações através do homebroker ou através de um executivo (funcionário de corretora ou agente autônomo de investimentos). O uso do executivo pode agregar valor de informação e sensibilidade sobre o mercado, já o homebroker dá independência ao investidor.
ÍNDICES DO MERCADO ACIONÁRIO Toda noite, no Jornal Nacional, o apresentador, ao comentar sobre o mercado financeiro costuma mencionar: A Bolsa de Valores de São Paulo hoje fechou em alta (ou baixa) de x%. Mas o que vem a ser esse índice? Ao dar essa notícia, o jornal está utilizando um índice, um indicador de desempenho que serve para avaliar a performance do mercado durante determinado período. Os principais índices da Bolsa de Valores brasileira são: n IBOVESPA n IBrX e IBrX-50 n IGC n ISE Cada índice tem sua metodologia de cálculo, conforme veremos a seguir; entretanto, todos são formados por uma carteira teórica de ações, carteira esta definida segundo algum critério.
IBOVESPA O Índice BOVESPA é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Além de retratar o comporta-
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
75
mento dos principais papéis negociados na Bovespa, é um índice com tradição, pois não sofreu modificações metodológicas desde sua implementação, em 1968. Quando o Jornal Nacional menciona a alta (ou baixa) da Bolsa, está se referindo a este índice. O IBOVESPA é uma carteira teórica de ações que busca reproduzir o comportamento das principais ações negociadas na BOVESPA, com base em volume financeiro. Ele reflete liquidez, transparência, segurança, confiabilidade e independência, além de representar aproximadamente 70% do somatório da capitalização do mercado3 de todas as empresas com ações negociáveis na BOVESPA. De forma a manter sua representatividade ao longo do tempo, a carteira do IBOVESPA é reavaliada ao final de cada quatro meses, utilizando-se os critérios e procedimentos de sua metodologia. Dessa maneira, as alterações necessárias são feitas no início de janeiro, maio e setembro. Entre maio e agosto de 2008, esta era sua carteira vigente:
Carteira Teórica IBOVESPA4 maio a agosto de 2008 Código
Ação
Tipo
Quantidade Teórica (1)
ALLL11
ALL AMER LAT
UNT ED
54,52412230693
Participação (%) (2) 1,743
AMBV4
AMBEV
PN ES
6,62864701998
1,211
ARCZ6
ARACRUZ
PNB
42,77539835115
0,845
BTOW3
B2W VAREJO
ON
14,03879631094
1,140
BBDC4
BRADESCO
PN
68,23067052133
3,840
BRAP4
BRADESPAR
PN EJ
19,54667733724
1,415
BBAS3
BRASIL
ON
55,86664782529
2,379
BRTP3
BRASIL T PAR
ON
4,27958518841
0,340
BRTP4
BRASIL T PAR
PN
19,06464422680
0,733
BRTO4
BRASIL TELEC
PN
25,83070614185
0,761
BRKM5
BRASKEM
PNA
41,21479198220
0,870
CCRO3
CCR RODOVIAS
ON
16,80934320154
0,793
CLSC6
CELESC
PNB ED
2,68047909532
0,182
CMIG4
CEMIG
PN EDB
35,41870663757
1,800
3 Capitalização de mercado ou capitalização bursátil = Somatório do preço de mercado de todas as ações multiplicado por suas respectivas quantidades. 4 As carteiras teóricas de todos os índices de ações podem ser obtidas na internet, no site da Bovespa: www.bovespa.com.br, em Mercado/Índices.
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Código
Ação
Tipo
Quantidade Teórica (1)
Participação (%) (2)
CESP6
CESP
PNB
39,87783845098
1,545
CGAS5
COMGAS
PNA
2,71243472198
0,186
CPLE6
COPEL
PNB
18,61022300598
0,821
CSAN3
COSAN
ON
23,79935056859
1,048
CPFE3
CPFL ENERGIA
ON
11,05947602296
0,684
CCPR3
CYRE COM-CCP
ON ED
6,25995340519
0,098
CYRE3
CYRELA REALT
ON ED
31,29976702596
1,279
DURA4
DURATEX
PN
16,00030627148
0,794
ELET3
ELETROBRAS
ON
25,17188521863
0,927
ELET6
ELETROBRAS
PNB
28,43395425425
1,081
ELPL6
ELETROPAULO
PNB ED
15,30948824274
0,830
EMBR3
EMBRAER
ON
30,98085481527
0,792
GFSA3
GAFISA
ON
18,45615393144
0,992
GGBR4
GERDAU
PN
26,73803838033
2,591
GOAU4
GERDAU MET
PN
6,23395804397
0,813
GOLL4
GOL
PN ED
31,85457403945
1,228
ITAU4
ITAUBANCO
PN ED
45,24629660051
3,161
ITSA4
ITAUSA
PN EBS
151,07151819149
2,437
JBSS3
JBS
ON ED
47,52360665117
0,605
KLBN4
KLABIN S/A
PN
49,91545485519
0,478
LIGT3
LIGHT S/A
ON
7,59232074216
0,280
LAME4
LOJAS AMERIC
PN
64,14457876016
1,125
LREN3
LOJAS RENNER
ON
18,55979691971
1,072
NATU3
NATURA
ON
31,13806876167
0,890
NETC4
NET
PN
46,33724001429
1,562
BNCA3
NOSSA CAIXA
ON
11,32103964777
0,424
PCAR4
P.ACUCAR-CBD
PN ED
13,11991143467
0,730
PRGA3
PERDIGAO S/A
ON EJ
16,38570408700
1,105
PETR3
PETROBRAS
ON EB
35,41578254463
2,640
PETR4
PETROBRAS
PN EB
227,39112495815
14,139
RSID3
ROSSI RESID
ON
22,36230096532
0,541
SBSP3
SABESP
ON
8,81023584932
0,540
SDIA4
SADIA S/A
PN
55,91525390231
1,000
CSNA3
SID NACIONAL
ON EDJ
25,80752006582
2,768
CRUZ3
SOUZA CRUZ
ON EJ
7,63477626205
0,524
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO Código
Ação
Tipo
Quantidade Teórica (1)
TAMM4
TAM S/A
PN
20,08483371923
1,130
TNLP3
TELEMAR
ON
8,47284167594
0,637
Participação (%) (2)
TNLP4
TELEMAR
PN
27,16035816031
1,521
TMAR5
TELEMAR N L
PNA
1,87623517009
0,265
TMCP4
TELEMIG PART
PN
2,20645194766
0,186
TLPP4
TELESP
PN
4,02374772205
0,260
TCSL3
TIM PART S/A
ON
29,55155814206
0,333
TCSL4
TIM PART S/A
PN
119,16432880974
0,994
TRPL4
TRAN PAULIST
PN
5,37331461901
0,344
UGPA4
ULTRAPAR
PN
5,56742575638
0,479
UBBR11
UNIBANCO
UNT
76,21789409645
2,782
USIM3
USIMINAS
ON EB
4,47644629819
0,561
USIM5
USIMINAS
PNA EB
25,61171333759
3,063
VCPA4
VCP
PN
9,04471113453
0,704
VALE3
VALE R DOCE
ON
34,62299612278
3,349
VALE5
VALE R DOCE
PNA
161,45431830862
12,749
VIVO4
VIVO
PN
48,34769490344
0,862
Quantidade Teórica Total
2.208,65687368321
77
100,000
(1) Quantidade teórica válida para o período de vigência da carteira, sujeita a alterações somente no caso de distruibuição de proventos (dividendo, bonificação e subscrição) pelas empresas. (2) Participação relativa das ações da carteira, divulgada para a abertura dos negócios do dia 02/01/2006, sujeita a alterações em função das evoluções dos preços desses papéis. Fonte: Bovespa.
IBrX-50 O IBrX Índice Brasil-50 é um índice de preços que mede o retorno de uma carteira teórica composta por 50 ações negociadas na Bovespa e selecionadas de acordo com o critério de capitalização de mercado. Em outras palavras, o critério de participação das empresas na carteira teórica do IBrX-50 tem por base o tamanho de mercado da empresa, tamanho este resultado da multiplicação da quantidade de ações da empresa por seu valor de mercado (capitalização da empresa). Criado no final de dezembro de 1995, o IBrX-50 teve sua divulgação iniciada no início de janeiro de 1997. Assim como o IBOVESPA, o IBrX-50 tem sua carteira reavaliada a cada quatro meses. A seguir é apresentado um quadro comparativo entre a carteira do IBrX-50 e do
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78
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
IBOVESPA para o quadrimestre janeiro-abril de 2008, no qual se podem ver algumas diferenças na composição dos dois índices.
IBrX-50 LAHIKI IBOVESPA (carteira válida para maio-agosto de 2008) Participação percentual (%) Empresa
IBOVESPA
IBrX-50
Ambev PN
1,211
2,246
Bradesco PN
3,840
6,526
Comgas PNA
0,186
Embraer ON
0,792
1,453
Itaubanco PN
3,161
6,162
Natura ON
0,890
0,244
Petrobras ON
2,640
12,580
Tam PN
1,130
0,318
Vale PNA
12,749
11,350
O quadro acima nos permite ver diferenças significativas entre a participação dessas empresas na composição do IBOVESPA e do IBrX-50. A Petrobras ON, por exemplo, tem um peso de 2,640% no IBOVESPA e de 12,580% no IBrX-50, e a Comgas não participa do IBrX-50 e representa 0,186% do IBOVESPA. Essas diferenças são explicadas devido aos diferentes critérios de escolha para participação no índice. Há empresas de grande valor de capitalização de mercado, mas com pouca negociabilidade na Bolsa . O IBrX-50 é também um índice bem utilizado pelo mercado, que reflete melhor o desempenho das ações de segunda linha. É importante mencionar que uma ação de segunda linha não é má ação. Na realidade, a classificação das ações somente tem a ver com liquidez de mercado, não refletindo questões de gestão da companhia. Por esse prisma, as ações podem ser classificadas em: n Blue chips Ações de grande liquidez, que facilmente são negociadas em Bolsa
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n Segunda linha Essas ações não têm a mesma liquidez que uma blue chip n Terceira linha Baixa liquidez
DEMAIS ÍNDICES Além do IBOVESPA e do IBrX-50, são também calculados os seguintes índices, entre outros: n IBrX Adota a mesma metodologia do IBrX-50, porém seleciona apenas as 100 primeiras empresas no ranking. n IGC O Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada procura medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa. São elegíveis a participar do índice todas as empresas negociadas no Novo Mercado ou classificadas nos Níveis 1 e 2 da BOVESPA.5 n ISE O Índice de Sustentabilidade Empresarial é um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica composta por aproximadamente 40 ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial.
5 O Novo Mercado é um segmento de listagem destinado à negociação de ações emitidas por empresas que se comprometem, voluntariamente, com a adoção de boas práticas de governança corporativa e níveis de transparência adicionais em relação ao que é exigido pela legislação brasileira. A BOVESPA definiu dois níveis diferenciados de governança corporativa. Dependendo do grau de compromisso assumido pela empresa, esta pode ser considerada Nível 1 ou Nível 2. Para ser uma companhia listada no Nível 1, esta deve apresentar melhorias nas informações prestadas ao mercado e em sua dispersão acionária. Uma empresa classificada como Nível 2 segue, além das obrigações contidas no Nível 1, regras de equilíbrio de direitos entre controladores e minoritários. Uma empresa participante do Novo Mercado, além de adotar as regras listadas no Nível 2, só pode ter ações com direito a voto. Para conhecer as companhias listadas em algum desses níveis e no Novo Mercado, entre no site da BOVESPA: www.bovespa.com.br.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
MODALIDADE OPERACIONAL No mercado à vista, os preços das ações são formados em pregão, pela dinâmica das forças de oferta e demanda de cada papel. A maior ou menor procura por determinada empresa é função de variáveis como comportamento histórico dos preços e, sobretudo, das perspectivas futuras da empresa emissora, incluindo política de dividendos, prognósticos de expansão de seu mercado e dos seus lucros e influências da política macroeconômica sobre o resultado da empresa. A realização de negócios no mercado à vista requer a intermediação de uma sociedade corretora credenciada pela Bolsa. Na BOVESPA, as ações são negociadas apenas no Sistema Eletrônico de Negociação, que permite às corretoras executarem as ordens de clientes sem sair de seus escritórios. O pregão da BOVESPA pára para almoço; entretanto, o sistema eletrônico funciona ininterruptamente. O horário da Bolsa varia algumas vezes por ano em função de alterações de horário de verão nos Estados Unidos. Dessa forma, pode-se acompanhar as negociações lá e aqui no Brasil simultaneamente. A liquidação dos títulos, ou processo de transferência da propriedade dos títulos e do pagamento e recebimento do valor financeiro envolvido na transação de compra e venda de ações, abrange duas etapas: n Liquidação física É a entrega dos títulos à Bolsa, pela corretora intermediária do vendedor, que ocorre no terceiro dia útil (D + 3) após a realização do negócio em pregão (D + 0). n Liquidação financeira Pelas regras atuais, o pagamento e recebimento de valores que envolvem a transação ocorre no terceiro dia útil (D + 3), após a realização do negócio em pregão.
BOLSA: UMA OPÇÃO DE LONGO PRAZO Investir em Bolsa é um opção de longo prazo, afinal não temos certeza do cenário futuro e do real desempenho da empresa. Assim, podemos ser obrigados a aguardar por um tempo maior do que imaginávamos inicialmente para obter o retorno desejado. Entretanto, no longo prazo, o desempenho em Bolsa deve se provar mais vantajoso. Observe o quadro que se segue.
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Variação do IBOVESPA em dólares 1968-2007 VARIAÇÃO MÊS/ANO 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989
% ANUAL EM US$ 47,23 133,02 35,9 87,12 49,6 4,72 14,3 10,51 8,87 8,42 19,85 22,97 4,5 7,43 17,1 120,63 67,37 52,23 0,52 71,99 151,14 24,06
VARIAÇÃO MÊS/ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
% ANUAL EM US$ 72,73 288,63 3,66 111,24 59,59 13,91 53,23 34,85 38,53 70,15 17,97 25,34 45,53 141,3 28,23 44,83 45,54 73,39
média aritmética = 32,55% retorno acumulado = 35.477,58% retorno anualizado = 15,82 %
É sugerido que, no longo prazo, o investidor obteve um retorno anualizado de 13,17% a.a. em dólar, o que pode ser considerado um excelente retorno. É como se tivéssemos aplicado nossos dólares e tivéssemos conseguido rentabilizá-lo em 13,17% a cada ano. Entretanto, se o investidor tiver aplicado no início de 2000, ao final de 2002 terá amargado grande prejuízo caso tenha resgatado sua aplicação.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
82
R$1.000,00 corrigido pelos indicadores de julho de 1994 a junho de 2008
50.000
43.318,16
40.000 R$
30.000
20.129,80
20.000 6.089,69
4.339,89
10.000
1.519,33
– Dólar
IGPM
Poupança
Taxa DI
IBOVESPA
Ele mostra R$1.000,00 corrigido pelos diversos indicadores de mercado, desde o início do Plano Real até final de junho de 2008. Animadora a diferença entre quem aplicou na Bolsa e quem ficou na poupança ou mesmo em renda fixa (Taxa DI), você não concorda? Entretanto, veja o próximo gráfico: R$1.000,00 corrigido pelos indicadores de junho de 1994 a junho de 2008
R$ 50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
Dólar
IGPM
Poupança
Taxa DI
Ibovespa
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Jun/08
Jun/07
Jun/06
Jun/05
Jun/04
Jun/03
Jun/02
Jun/01
Jun/00
Jun/99
Jun/98
Jun/97
Jun/96
Jun/95
Jun/94
0
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
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Note o sobe-e-desce da Bolsa. Veja que houve períodos em que os juros ganharam do Ibovespa e que, enquanto a linha que representa a Taxa DI é estável, a linha da Bolsa é extremamente volátil (variável). Mas note, também, o presente que recebeu quem manteve a calma durante o período de turbulência! Hoje está rindo à toa. Esse fato me lembra um caso que presenciei quando trabalhava em Mercado de Capitais. Veja só: Um cliente do banco em que trabalhava na ocasião havia aplicado num fundo de ações. Sua decisão teve por base a rentabilidade passada do fundo, que seguia a variação do IBOVESPA. O Sr. Carlos havia vendido seu fusquinha e aplicado no fundo. Para sua decepção, a Bolsa despencou logo em seguida. A aplicação do Sr. Carlos, é óbvio, amargou grande prejuízo. Vendo seu investimento despencar a cada dia, o Sr. Carlos resolveu resgatar tudo, realizando o prejuízo todo e recebendo a metade do que tinha aplicado. Sentindo-se enganado, o Sr. Carlos encaminhou uma carta ao banco reclamando e solicitando ressarcimento.
O Sr. Carlos incorreu em alguns erros. Primeiro, aplicou grande parte de sua poupança em Bolsa. Destine para Bolsa apenas parte do seu dinheiro que não lhe fará falta. Depois, ele não vislumbrou o longo prazo; aplicou pensando no curto prazo. Se você pensa em resgatar o dinheiro aplicado em Bolsa em prazo inferior a três anos, esqueça. Aplique em renda fixa. Aplicações de curto prazo são para profissionais do mercado, que estão dispostos a correr esse risco. E mais: na Bolsa, paciência é fundamental. Se você fica olhando todo dia para o desempenho da Bolsa e se sente mal quando ela cai, este não é um investimento para você, que pode acabar resgatando antes do prazo adequado, por pura impaciência, realizando o prejuízo que poderia ser amenizado ou eliminado caso você esperasse para resgatar num prazo mais longo. Ainda com relação ao último gráfico apresentado, você pode estar pensando: Bom, mas se eu vendi minha ação quando estava no cume e recomprei por um preço mais baixo quando estava em baixa, certamente me dei bem. O problema é apenas um: acertar sistematicamente esses pontos é muito difícil. Diversos artigos acadêmicos mostram que o correto é aplicar com regularidade, independentemente do mercado porque, dessa for-
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ma, você estará fazendo preço médio e acompanhando a tendência do mercado que no longo prazo é sempre de alta. Ademais, quem gosta que você compre e venda toda hora é a corretora, que ganha taxa de corretagem a cada operação que você faz.
CUSTOS DE NEGOCIAÇÃO A negociação de ações na BOVESPA gera os seguintes custos: n Corretagem: pago à corretora intermediadora n Emolumentos: pagos à BOVESPA Confira, a seguir, as tabelas de corretagem e emolumentos:
Tabela de Corretagem Intervalos financeiros
Variável
Parte fixa
Até R$135,07
0,0%
R$2,70
De R$135,08 até R$498,62
2,0%
R$2,70
De R$498,63 até R$1.514,69
1,5%
R$2,49
De R$1.514,70 até R$3.029,39
1,0%
R$10,06
Acima de R$3.029,39
0,5%
R$25,21
Observação: Algumas corretoras cobram corretagem fixa, que independe do volume negociado. Mas, atenção, essa taxa é cobrada toda vez que você executa uma ordem. Por exemplo: se você compra 100 VALE5 pela manhã, paga esse preço, que fica em torno de R$20,00. Se mais tarde você decidir comprar mais 200 VALE5 paga mais uma vez, e assim sucessivamente. Há de se fazer conta para saber se para o volume operado é mais vantagem trabalhar com corretagem fixa ou variável, conforme a tabela anterior.
Tabela de Emolumentos Emolumentos (à vista/opções) normal Emolumentos (à vista/opções) day-trade 6
0,035% 0,025%
6 As operações day-trade são operações de compra e venda do mesmo papel no mesmo pregão.
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TRIBUTAÇÃO O imposto de renda sobre o ganho de capital em ações (diferença entre o custo da compra e da venda) é devido toda vez que o investidor auferir ganho líquido na venda, conforme exemplo a seguir.
Caso 1: Compra por preço único O investidor comprou 1.000 ações de ABCD3 a R$20,00 e pagou de corretagem mais emolumentos o valor de R$107,00. Custo total = 20.107,00. Passado um tempo, esse mesmo investidor liquidou sua posição em ABCD3 por R$25,00 cada ação, pagando de corretagem mais emolumentos o total de R$133,75. Custo total = R$24.866,25. Cálculo do imposto devido: Ganho de capital: 24.866,25 20.107,00 = R$4.759,25 Imposto: R$4.759,25 × 15% = R$713,89 O imposto deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente, através de DARF (código 6015). E atenção! Ficam isentos os ganhos obtidos com vendas ocorridas durante o mês, desde que o seu somatório não ultrapasse R$20.000,00.
Caso 2: Compra por preços diferentes O investidor fez duas operações de compra de ABCD3: 500 a R$20,00 = R$10.000,00 Custos: 57,00 mais 500 ações a R$22,00 = R$11.000,00 Custos: R$63,00 Total do custo das duas aquisições (1.000 ações): R$10.000,00 + R$57,00 + R$11.000,00 + R$63,00 = R$21.120,00 Custo médio por ação: R$21.120,00 ÷ 1.000 = R$21,12 Passado um tempo, esse mesmo investidor decidiu liquidar sua posição, vendendo as 1.000 ações a R$ 25,00. Valor líquido da venda:
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1.000 × R$ 25,00 = R$25.000 Custo: R$125,00 Valor recebido: R$25.000,00 R$ 125,00 = R$24.875,00 Cálculo do imposto devido: (24.875,00 R$21.120,00) × 15% = R$563,25
TESTANDO SEUS CONHECIMENTOS DE BOLSA Agora que já despertou em você uma curiosidade maior sobre Bolsa, sugiro que participe do concurso patrocinado pela Folha de São Paulo, com apoio técnico da BOVESPA. Trata-se de uma oportunidade de conhecer o mercado de ações através de aplicações virtuais, o que lhe permitirá testar seus conhecimentos para avaliar as empresas cotadas em Bolsa . Ao se inscrever, o participante recebe um capital fictício de R$100 mil e mais 15 ações de grande liquidez. O objetivo de quem participa é obter a melhor rentabilidade na carteira, em cada período, através de operações de compra e venda de ações. Por se tratar de um concurso, os ganhadores de cada período têm direito a diversos prêmios. Participe do concurso Folha Invest no site http://folhainvest.folha.com.br/.
OURO Existe muita lenda quanto a investimento em ouro. Até mesmo na televisão são anunciados prêmios em barras de ouro. Veja esses dois exemplos: O Sr. Raimundo, cliente em prospecção, confessou numa reunião que gostava de investir em ouro. Tinha diversas barras de ouro num cofre de um banco. 2. Zezinha Soares, mulher muito vaidosa, gostava de exibir suas jóias e dizia sempre que ouro era um investimento seguro. 1.
Será que eles estavam certos? Talvez no século passado sim, mas hoje em dia suas posições são totalmente equivocadas. Veja a razão. O mercado de ouro já teve seus dias de glória no Brasil. O metal era considerado garantia em momentos de crise; entretanto, com a modernização dos instrumentos financeiros e a maior estabilidade da economia, outros investimentos foram ocupando seu espaço.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: AÇÕES E OURO
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O ouro teve seu lugar na história da civilização. Já foi usado como moeda e até serviu como lastro na cunhagem do dinheiro, estabelecendo paridade entre as moedas, uma vez que todas poderiam ser convertidas em ouro. Quanto mais ouro um país tinha, mais rico era, o que desencadeou grande corrida em busca do metal. Foi o chamado padrão-ouro, suspenso na Primeira Guerra Mundial, quando os governos necessitaram de mais dinheiro e não tinham a mesma reserva em ouro para lastreá-lo. O ouro pode ser adquirido de três maneiras: (1) no mercado à vista; (2) no mercado futuro; e (3) no mercado de opções. A maneira mais negociada hoje em dia é através de contratos-padrão de 250 gramas de ouro à vista, na BM&F. O lote-padrão negociado é de 249,75 gramas de ouro fino, correspondente a uma barra de 250 gramas. O teor de pureza é de 999 partes de ouro puro para cada 1.000 partes de metal. Ter ouro em casa ou no cofre de um banco deixou de ser um bom negócio. Além de correr o risco de ser assaltado, ao tentar vendê-lo, o investidor tem que provar sua autenticidade. Para isso, o ouro deve ser refundido para se saber o grau de sua pureza. O preço cobrado pelas fundidoras nessa operação varia muito, podendo chegar a 15% do valor do ouro, prejudicando muito a rentabilidade desse investimento. Se já não é um bom negócio ter ouro em barra, imagina uma jóia, sobre a qual você pagou um preço adicional pelo design, as pedras, tudo, enfim?! E na hora de revendê-la, no caso de necessidade financeira, apenas a quantidade de ouro será levada em consideração para precificação. Além de tudo, o ouro é um ativo muito volátil, sendo essa volatilidade ligada às turbulências do cenário internacional por ser um ativo cotado em moeda americana. Contudo, em momentos de crise, costuma haver melhora em sua procura. Parafraseando o diretor da Fitta Corretora, André Luis Nunes da Silva, citado em reportagem da Gazeta Mercantil, os conflitos motivam a demanda por ouro, pois, em momentos instáveis, os investidores não priorizam a rentabilidade e, sim, a segurança, além de não enfrentar problemas cambiais, pois o ouro é cotado em dólar moeda forte no mundo inteiro. Logo, cautela ao investir em ouro é recomendável, e nada de barrinhas ou jóias. Se desejar comprar ouro para sua carteira de investimentos, que o faça através de contratos negociados na BM&F. Para tal, procure um corretor credenciado na instituição.
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CAPÍTULO 8
PRODUTOS DE INVESTIMENTO: FUNDOS E CLUBES DE INVESTIMENTO
FUNDOS DE INVESTIMENTO Muita gente aplica em fundo mas não sabe muito bem o que vem a ser esse produto, que é muito popular e que realmente traz muitos benefícios para o investidor. Um fundo de investimento é um condomínio de pessoas (indivíduos ou empresas) que se juntam com o objetivo em comum de rentabilizar o capital investido, de acordo com determinadas regras a serem seguidas pelo gestor dos recursos. Por ser um condomínio, apresenta CNPJ, demonstrativos financeiros, auditoria e regulamento. Você, investidor desse fundo, é dono de uma fração do total, propriedade essa representada pela quantidade de cotas que você tem aplicada no fundo. A indústria de fundos é muito poderosa. Para se ter uma idéia, havia no Brasil 8.194 fundos de investimento registrados em junho de 2008 na ANBID, Associação Nacional dos Bancos de Investimento. Essa associação faz o acompanhamento de todos os fundos e fornece em seu site diversas informações consolidadas. Mas qual a vantagem de investir em fundos sobre os demais investimentos? Confira a seguir: n A união faz a força Ao fazermos parte de um grande bolo, temos acesso a investimentos e mercados que, com menos recursos,
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não teríamos. Com R$ 500, por exemplo, posso investir em um fundo, mas não posso comprar um CDB. n Gestão profissional A administração dos recursos é entregue a um profissional do mercado, com formação específica e dedicado em tempo integral à análise e decisões de investimento. Você certamente tem sua expertise num campo específico de conhecimento e grande parte do seu tempo dedicado à sua profissão. Aplicando num fundo, você vai deixar seu dinheiro aos cuidados de profissionais gabaritados e que têm acesso a milhares de complexas informações sobre economia e investimentos, muitas de difícil compreensão. n Diversificação Devido à grande massa de recursos, é possível diversificar a carteira de ativos do fundo de forma a minimizar riscos. Com R$1 mil, por exemplo, tudo o que um investidor pode fazer é comprar um CDB de um banco, ou determinada ação, tendo o risco concentrado nesse banco ou nessa companhia, respectivamente. Já no fundo, seu R$1 mil vai se juntar a muitos mil reais, que somarão milhões de reais. Com milhões de reais, o gestor pode comprar diferentes papéis, diversificando riscos e minimizando perdas. n Isonomia no tratamento dos cotistas Não importa quanto você tenha aplicado no fundo, todos os cotistas de um mesmo fundo recebem a mesma rentabilidade. Assim, num mesmo fundo, seu R$1 mil terá a mesma rentabilidade do restante. n Facilidade no acompanhamento da performance As cotas e sua rentabilidade podem ser acompanhadas diariamente, através do jornal Valor Econômico. Para saber sua posição e a rentabilidade de um dia para outro, basta multiplicar sua quantidade de cotas pelo valor da cota. Já o acompanhamento da rentabilidade de um CDB fica um pouco confusa.
CLASSIFICAÇÃO DOS FUNDOS Visando aumentar a transparência para o investidor, a CVM reclassificou os fundos de investimento no final de 2004. Conheça a atual classificação:
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QUANTO AO PRAZO DOS TÍTULOS QUE COMPÕEM A CARTEIRA: n Fundo de Curto Prazo Fundos conservadores que aplicam exclusivamente em títulos públicos federais. Os títulos têm vencimento em no máximo 375 dias, sendo que a média desses prazos dos títulos da carteira do fundo não pode ultrapassar 60 dias. n Fundo de Longo Prazo Os fundos são considerados de longo prazo quando o prazo médio de sua carteira de títulos é maior do que 365 dias.
QUANTO À COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA: n Fundo Referenciado Devem identificar em sua denominação o seu indicador de desempenho, em função da estrutura dos ativos financeiros integrantes das respectivas carteiras. O Fundo DI é um típico fundo referenciado, pois seu benchmark é a Taxa DI; 95% de sua carteira é composta por ativos financeiros que acompanham, direta ou indiretamente, a variação do benchmark escolhido. n Fundo de Renda Fixa Compram ativos de renda fixa quanto a carteira do fundo tem mais de 50% em títulos privados; a denominação crédito privado deve constar do nome do fundo. n Fundo de Ações Suas carteiras são compostas por no mínimo 67% de ações e alguns outros ativos primos1 das ações, e podem ser de vários tipos:
Fundos Passivos Fundos cuja performance está atrelada a algum índice da Bolsa (IBOVESPA, IBrX-50 ou outro índice).
Fundos Ativos Fundos cuja decisão de composição da carteira não tem por base a composição do índice da Bolsa e que segue alguma filosofia de investimento específica. A decisão de compra ou venda de papéis para a carteira desses fundos tem por base estratégias de investimento definidas no regulamento
1 a) ações admitidas à negociação em bolsa de valores ou entidade do mercado de balcão organizado; b) bônus ou recibos de subscrição e certificados de depósito de ações admitidas à negociação; c) cotas de fundos de ações e cotas dos fundos de índice de ações; d) BDR classificados como nível II e III.
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do fundo. Neste caso, o objetivo não é simplesmente seguir um índice e, sim, superá-lo.
Fundos Segmentados Fundos que se dedicam à compra de ações de algum segmento econômico, por exemplo: ações de empresas de telecomunicações, do setor energético, tecnologia etc.
n Fundo Cambial Sua carteira é composta por ativos cuja performance está atrelada à variação de outra moeda. Esses fundos são utilizados, normalmente, quando há a preocupação de uma desvalorização cambial ou quando temos um passivo em outra moeda. Serve para proteção (hedge). Existem os fundos em dólar e os fundos em euro. Observação: Todos os fundos citados anteriormente podem aplicar no exterior, até o limite de 10% do seu patrimônio líquido, desde que o seu regulamento assim estabeleça. n Fundo de Dívida Externa São fundos registrados aqui no Brasil, fiscalizados pela CVM como os demais, mas aplicam em papéis da dívida externa brasileira, no exterior. n Multimercado Devem possuir políticas de investimento que envolvam vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator em especial ou em fatores diferentes das demais classes previstas anteriormente. Podem aplicar até 20% do seu patrimônio líquido no exterior, quando estabelecido no seu regulamento. Os fundos long-shorts, fundos de hedge ou de arbitragem se enquadram nessa categoria. Esses fundos procuram tirar partido da volatilidade dos preços dos ativos, fazendo operações mais sofisticadas e de maior grau de risco.
FUNDOS ESPECIAIS n Fundos de Investimento em Participações Fundos fechados que compram ações de companhias abertas ou fechadas, visando participar do processo decisório da empresa, influenciando na sua política estratégica e na sua gestão. É um fundo com ativos de alto
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risco e deve ser usado somente para diversificação de carteira e com objetivos claros de longo prazo. n PGBL/VGBL Voltados para a aposentadoria. O interessante nesses fundos é que, ao aplicar, o cliente escolhe o perfil desejado. O tipo Soberano é composto por papéis do governo federal. O Renda Fixa pode ter parte de sua carteira em papéis de renda fixa não atrelados ao CDI ou ao governo federal. Os fundos Composto 25 ou Composto 49 são formados também por ações, até a proporção indicada (25% ou 49%). n Fundos Imobiliários Fundos fechados cujo ativo é composto por imóveis. Um fundo fechado não emite cotas ilimitadamente, como os fundos abertos. Ao solicitar um resgate de um fundo dessas natureza, há de se buscar um terceiro investidor que deseje comprar as cotas em questão. Os fundos imobiliários são abordados no Capítulo 9. n Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Também conhecidos como fundo de recebíveis, no mínimo 50% de seu patrimônio líquido é composto por recebíveis de empresas, como por exemplo a carteira de empréstimos consignados dos bancos. Esses fundos são direcionados exclusivamente para investidores qualificados.2 n Fundos Exclusivos Os fundos exclusivos não estão abertos a todos os investidores, sendo montados para um grupo de pessoas específicas. n Fundos de Fundos - Existem fundos que em sua carteira têm cotas de outros fundos, em vez de ações ou papéis de renda fixa. Esse é o caso dos Fundos de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento (FICFI ou FIC), por exemplo. n Fundos para Investidores Superqualificados Esses fundos, cujo investimento mínimo é de R$ 1 milhão, podem ter 100% do seu patrimônio líquido investido no exterior, pois não têm restrição de limites. 2 O investidor qualificado pessoa física é um indivíduo que tem R$300.000,00 no mínimo aplicado no mercado financeiro.
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É importante frisar que, qualquer que seja o fundo, não há garantia de rentabilidade, sendo, inclusive, por norma da CVM, proibido dar essa garantia. Assim, quando você perguntar ao seu gerente sobre a rentabilidade de um fundo, tudo o que o gerente deve dizer é que no período de tanto a tanto, o fundo rendeu X%, ou Y% equivalente ao CDI ou a outro índice qualquer. Preste atenção no exemplo que se segue, em que são apresentados dois eventos. Vamos supor que se trate de um Fundo DI com taxa de administração de 2% a.a. No primeiro exemplo (1) o CDI no período foi de 18% e no segundo exemplo (2), foi de 15%.
Rentabilidade CDI () Taxa de administração Rentabilidade líquida fundo Rentabilidade fundo versus CDI
(1)
(2)
11,25%
9%
2%
2%
9,25%
7%
82,2% do CDI
77,8% do CDI
Repare que quando comparado com o CDI, o primeiro fundo rendeu 82,2% do indicador, enquanto o segundo, 77,8%. Esse é um exemplo simples, dentre diversos outros que poderiam ser dados, para explicar por que não se pode garantir rentabilidade nem mesmo num fundo com pouco risco como o DI.
A COTA Ao aplicar num fundo, o investidor compra cotas desse fundo. Seu dinheiro não vai gerar funding3 para o banco, ou seja, não vai para o caixa do banco para ser emprestado. Cota é o valor mínimo que se pode adquirir de um fundo. Na maioria dos fundos, a cota é calculada diariamente, tendo por base a divisão entre o patrimônio líquido do fundo e sua quantidade de cotas emitidas até aquela data. Dessa forma, ao investir num fundo de investimento, o sistema divide o valor aplicado pelo valor da cota do fundo, naquele dia, encontrando a quantidade de cotas adquiridas.
3 Conceito abordado no Capítulo 6.
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Quando o banco diz que um fundo rendeu 10,7% acumulado até aquela data, está informando que o valor da cota variou 10,7% no período estudado, sendo essa cota líquida de custos como taxa de administração, mas bruta de imposto de renda. Com base no valor da cota diária, o investidor pode calcular, também, seu patrimônio no fundo, bem como a rentabilidade que vem obtendo. Para saber o valor atualizado, investido em um fundo, basta multiplicar a quantidade de cotas pelo valor da cota. Veja o exemplo que se segue: Data da aplicação: 03/03/08 Valor aplicado: R$10.000,00 Valor da cota no dia da aplicação: R$1,34593870 Quantidade de cotas adquiridas: R$10.000,00 ¸ 1,34593870 = 7.429,75887386 cotas Valor da cota em 09/10/08: R$1,537370129 Valor atualizado em 09/10/08: 7.429,75887386 x R$1,537370129 = R$11.422,29
O COME-COTAS A menos que se peça resgate de um fundo, a quantidade de cotas não deveria diminuir. Entretanto, na prática, se você notar nos extratos que recebe do banco, mesmo sem resgate, a quantidade de cotas dos fundos (com exceção dos fundos de ações) diminui semestralmente. Isso se deve ao pagamento de Imposto de Renda sobre a renda auferida com a rentabilidade do fundo, todo final de maio e novembro de cada ano. É o que se chama de come-cotas no mercado. É a maneira encontrada para automaticamente o investidor pagar o Imposto de Renda sem ter que colocar recursos, toda vez que há recolhimento de imposto de renda, ocasionando o desconto na fonte. No que se refere ao imposto de renda, é bom lembrar também que esse item deve ser cuidadosamente investigado sempre que se aplica em um
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fundo de investimento, pois os ganhos que se tem no fundo são taxados de acordo com dois fatores: 1. Tipo de fundo aplicado 2. Prazo de permanência no fundo Os fundos de ações têm alíquota de 15% sobre os ganhos. Para os demais fundos, a alíquota é decrescente, de acordo com o prazo de permanência no fundo e o prazo médio dos papéis que compõem sua carteira, conforme tabela que se segue:
Alíquotas de imposto de renda dos fundos Fundo de Curto Prazo
Fundo de Longo Prazo
Fundo de Ações
Até 6 meses
22,5%
22,5%
15%
6 a 12 meses
20%
20%
15%
12 a 24 meses
20%
17,5%
15%
24 meses ou mais
20%
15%
15%
Prazo de permanência
Muitos investidores preferem o investimento em títulos, como CDBs, por exemplo, por acreditarem que os mesmos não sofrem a incidência do come-cotas. Entretanto, se o investidor quiser se beneficiar integralmente das alíquotas de longo prazo, todos os seus títulos terão de ter prazo de emissão de no mínimo dois anos, o que não ocorre nos fundos, cujo prazo médio dos títulos de um fundo de longo prazo têm que ultrapassar 365 dias apenas.
A TAXA DE ADMINISTRAÇÃO A taxa de administração é a remuneração do gestor. Ela pode ser de duas formas: n Fixa Calculada e provisionada diariamente, tendo por base 1/252 de x% sobre o patrimônio líquido do fundo, e paga, normalmente, mensalmente.
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n Performance Percentual calculado sobre o que variar acima de um benchmark4 estabelecido, que pode ser a Taxa DI, IBOVESPA, IBrX-50 ou outro índice. No que tange à cobrança de taxa de administração, vale ainda acrescentar que, normalmente: n Quanto maior o risco do fundo, maior a taxa de administração. Isto se baseia no fato de que fundos com maiores riscos requerem mais trabalho de seus gestores, na análise de risco dos papéis e das estratégias de investimento. n Quanto maior o valor mínimo de aplicação aceito por um fundo, menor sua taxa de administração. Tal prática busca incentivar a captação de volumes maiores, bem como não matar produtos concorrentes como poupança, por exemplo. n A rentabilidade de um fundo DI sofre grande influência da taxa de administração. Em outras palavras, para fundos com carteira de risco idêntico, o que irá definir a rentabilidade de um fundo DI será sua taxa de administração. Quanto maior a taxa, menor a rentabilidade.
OS DOCUMENTOS DO FUNDO A aplicação no fundo se dá de acordo com normas estabelecidas em seu regulamento. O regulamento e o prospecto são documentos que explicam os objetivos do fundo, a composição da carteira, a estratégia de investimentos, os riscos incorridos pelo cotista, bem como assuntos de ordem operacional e administrativa. Ao aplicar num fundo, exija esses documentos, até porque, geralmente, lhe será exigido assinar um Termo de Adesão antes de fazer a primeira aplicação, no qual constará que você terá recebido esses documentos e que está ciente dos riscos incorridos pelo fundo.
4 Padrão de referência.
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Estar ciente dos riscos é fundamental em qualquer investimento. No caso dos fundos, como cotista, o investidor pode ser obrigado a colocar dinheiro quando o patrimônio líquido do fundo ficar negativo, dado ser ele o dono do fundo. Dessa forma, antes de investir, é importante tomar ciência dos riscos do fundo. Veja só o que se passou quando da desvalorização do Real em janeiro de 1999. O Sr. Daniel era cliente meu e também cliente de outro banco pequeno, no qual tinha aplicações em um fundo agressivo, que fazia operações de alto risco. Em janeiro de 1999, o administrador errou em suas projeções e apostou na ponta errada, o que gerou enorme prejuízo para o fundo. Com operações volumosas em mercados de alto risco, o fundo foi obrigado a desembolsar grande soma de recursos para cobrir prejuízos junto à BM&F. Sem caixa, o administrador do fundo convocou os cotistas e solicitou que eles fizessem o depósito requerido. Revoltados, os cotistas se reuniram e entraram na justiça contra a instituição administradora. Estamos em início de 2005 e até agora o caso não teve solução. Os cotistas alegam não terem recebido o regulamento e o prospecto do fundo, e o banco não apresentou os Termos de Adesão assinados por todos os cotistas. A confusão está formada.
Por isso, reforço:
Exija o regulamento e o prospecto do fundo antes de aplicar, e leia os dois atentamente.
OS PRINCIPAIS PLAYERS DO MERCADO DE FUNDOS Há várias entidades trabalhando para o fundo, todas remuneradas pelo serviço que prestam. Veja quais são: n Gestor Administra a carteira do fundo. Decide que papéis comprar ou vender, de acordo com a política de investimento do fundo. Sua remuneração é parte da taxa de administração.
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n Administrador É o responsável legal do fundo. Representa o fundo junto aos órgãos reguladores e nas assembléias das empresas sobre a qual mantenham posição nas suas carteiras. Por seu trabalho, recebe parte da taxa de administração. n Custodiante Responsável pela guarda dos títulos do fundo. n Distribuidor Vende as cotas do fundo. Esse é o papel dos bancos e dos agentes autônomos na indústria de fundos. Quando o banco vende fundos, é remunerado por esse trabalho e essa remuneração é paga pelo administrador, que divide, com o banco, a taxa de administração recebida. n Auditor Checa se a contabilidade do fundo está dentro dos conformes do regulamento e se espelha corretamente as operações do fundo. Cabe aqui uma explicação relevante. Note que gestor e distribuidor são figuras diferentes. Alguns bancos apenas vendem as cotas dos fundos, não administram (gerenciam) sua carteira de investimentos. Na realidade, em 1995 o Banco Central instituiu uma norma, conhecida como Chinese Wall, a qual determina que quem cuida de recursos de clientes não pode cuidar da carteira própria do banco. Foram, então, criadas as empresas de Asset Management. Como já mencionado no Capítulo 4, as Assets, como são chamadas, são empresas independentes operacionalmente e fisicamente da Tesouraria5 dos bancos. Isso evita possíveis problemas de conflito de interesse entre a administração da carteira do banco e os recursos de clientes, preservando, dessa forma, o investidor.
5 A Tesouraria cuida da carteira própria do banco.
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100
Maiores gestores de fundos no Brasil Junho de 2008 Instituição
Market share
Acumulado
236.316,1
20,1%
20,1%
ITAU
154.957,7
13,2%
33,2%
BRADESCO
147.305,4
12,5%
45,8%
CEF
72.261,0
6,1%
51,9%
HSBC
53.608,2
4,6%
56,4%
SANTANDER
53.554,9
4,5%
61,0%
UNIBANCO
52.757,7
4,5%
65,5%
UBS PACTUAL
52.390,6
4,5%
69,9%
ABN AMRO REAL
40.786,9
3,5%
73,4%
BANCO DO BRASIL
R$ milhões
BANCO SAFRA DE INVESTIMENTO
24.998,2
2,1%
75,5%
NOSSA CAIXA
24.050,7
2,0%
77,6%
LEGG MASON WESTERN ASSET
22.271,0
1,9%
79,4%
BNY MELLON ARX INVESTIMENTOS
22.048,6
1,9%
81,3%
OPPORTUNITY
19.506,7
1,7%
83,0%
BNP PARIBAS
18.791,5
1,6%
84,6%
181.612,2
15,4%
100,0%
1.177.217,3
100,0%
Outros Total Fonte: Anbid.
Como se pode notar, apenas quatro instituições detêm mais de 50% do mercado de fundos de investimento no Brasil em fevereiro de 2008. A maioria dos fundos de investimento no Brasil investe em renda fixa. As modalidades DI, curto prazo e renda fixa representam 50% do total do patrimônio líquido dos fundos do mercado, em fevereiro de 2008. Os fundos de ações são responsáveis por apenas 12,4% desse total. Isso ocorre porque o brasileiro não tem o hábito de investir em Bolsa.
CLUBES DE INVESTIMENTO Um clube de investimento é uma aplicação financeira criada por um grupo de pessoas que deseja investir seu dinheiro principalmente em ações, visando poupança de longo prazo. Ele pode ser criado por empregados ou contratados de uma mesma entidade ou empresa ou, ainda, por um grupo de pessoas que têm objetivos em comum, como professores, metalúrgicos, donas-de-casa, médicos, aposentados, entre outros.
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PRODUTOS DE INVESTIMENTO: FUNDOS E CLUBES DE INVESTIMENTO
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É parecido com um fundo de investimento, só que tem regras específicas, o que o torna interessante. Conheça algumas: n Pode ter no máximo 150 membros. Esse número pode ser maior em duas hipóteses: (1) quando formado por servidores e empregados de uma mesma entidade; e (2) quando formado por condôminos ligados por vínculos associativos. O intuito é que os participantes do Clube se conheçam e troquem experiências, incentivando o aprendizado sobre investimentos. n Sua carteira pode ser constituída de:
no mínimo 51% de ações ou bônus de subscrição ou debêntures conversíveis em ações;
no máximo 49% em quotas de fundos de renda fixa ou títulos de renda fixa;
no máximo 30% em determinadas operações do mercado a termo, de opções e futuros de índice de ações ou ações.
n Tem que ter um administrador, que pode ser uma Corretora, DTVM, banco de investimento ou banco múltiplo com carteira de investimentos. Esse administrador tem por objetivo cuidar da parte burocrática do Clube. n Nenhum cotista pode ter mais de 40% das cotas do clube. n Pode ter auditoria (os fundos são obrigados a ter auditor independente). n O Clube pode contratar um gestor para gerir sua carteira ou pode ser gerido por seus participantes. Uma modalidade interessante para iniciantes é a gestão compartilhada. Nesse caso, a corretora ou a DTVM funciona como orientadora e os participantes tomam a decisão final de compra e venda dos papéis. n Pode ter um plano de investimento, em que seus membros contribuem periodicamente com determinada quantia para formação de seu patrimônio. Esse procedimento é recomendável tecnicamente. Há comprovação empírica de que a regularidade nas aplicações é a melhor maneira de se investir em Bolsa. Dado que não
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se sabe quando a Bolsa alcançará seus topos ou seus vales, a periodicidade tende a acompanhar a tendência de longo prazo da Bolsa, que é de alta. Trata-se de uma opção interessante para iniciantes, incentivada pela BOVESPA. Se você deseja obter mais informações sobre clube de investimento, a BOVESPA disponibiliza em seu site, na página http://www.bovespa.com.br/pdf/clube_investimento.pdf bastante informação, inclusive legislação pertinente e material que ensina a montar um clube de investimento. Além da BOVESPA, o INI (Instituto Nacional de Investidores) tem um site (www.ini.org.br) com farto material sobre Clubes de Investimentos. Lá você encontra as Corretoras associadas e Clubes cadastrados. O INI dispõe de membros orientadores para tirar suas dúvidas, além de material didático para ajudá-lo na escolha de ações para a carteira dos clubes. Além dessas instituições, o site www.investotal.com traz muitas inovações nessa área. Através de um ambiente amigável, os cotistas podem interagir entre si e com a comunidade Investotal como um todo, através de um sistema de votação e tendo à sua disposição profissionais de mercado que monitoram as decisões de investimento dos clubes.
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CAPÍTULO 9
INVESTINDO EM IMÓVEIS
P
or algum motivo gosto de imóveis. Não que considere o melhor dos investimentos, mas não posso negar que tenho certa atração pelas edificações, sua arquitetura e decoração. Sempre me recordo da autobiografia de Agatha Christie quando me imagino comprando um imóvel. Afinal, ela também confessou sua paixão por esse mercado. Talvez seja coisa de arquiteto frustrado. A verdade é que o brasileiro gosta de ter imóveis, principalmente as pessoas de mais idade. Esse é um investimento simples de compreender, não é necessário conhecimento específico para entender que o imóvel pode render aluguéis e se valorizar com o tempo, além disso é algo palpável, que se pode tocar. Daí ser conhecido como um ativo real. Ter sua casa própria é o sonho de muita gente, em todos os cantos do mundo, independentemente de cultura ou crença religiosa. Morar sem pagar aluguel tem um significado muito maior para a maioria das pessoas: significa segurança emocional. Neste capítulo, estaremos conversando mesmo que seja em forma de monólogo sobre imóveis. Esse investimento, que atrai pessoas de todas as classes sociais, também pode ser um bom negócio quando feito de forma racional. Conheçam essa história:
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Sandra e Telma, duas irmãs, receberam de herança de sua mãe um apartamento antigo, de três quartos, na Tijuca, sem suíte nem vaga de garagem. Ao herdarem o apartamento, Sandra decidiu vendê-lo e investir o dinheiro em outro imóvel, em área mais próspera. Telma, emocionalmente envolvida com o apartamento, decidiu mantê-lo, como lembrança de quando era criança. Para Telma, além do lado afetivo, tratava-se de um investimento, pois poderia receber os aluguéis do imóvel ou vendê-lo no futuro por um preço maior.
Como visto, trata-se de imóvel antigo, sem as exigências da era que vivemos, que incluem suíte, vagas de garagem, varanda e outros detalhes mais. Sandra entendeu que o apartamento fazia parte de um passado muito legal e decidiu com a razão. Telma se apegou de tal forma ao imóvel, que achou uma falta total de sentimentos de Sandra. Ela não conseguia seguir o rumo da vida, ficando colada a seu passado. O apartamento jamais se valorizaria muito, e a tendência, tanto por conta da localização do imóvel quanto de suas características, não seriam de valorização acima da inflação. Decisões como a de Telma em nada ajudam a vida financeira das pessoas. Temos que olhar para a frente, pois é para lá que a vida caminha. As coisas boas do passado devem ficar na lembrança. Essa maneira de pensar é muito importante, principalmente para as pessoas de classe média, que não têm condições de desperdiçar nada, tendo que aproveitar cada oportunidade que se apresenta diante de si. Não posso imaginar alguém ficando rico tomando o tempo todo decisões emocionais. Interessante notar como um imóvel está atrelado a esse tipo de decisão. É comum ouvirmos frases como: Puxa, foi a casa onde eu passei minha infância toda..., ou Como posso me desfazer do lar onde criei meus filhos?, ou Mas aquela vista! Onde vou conseguir outra igual? Pior do que todas essas foi quando ouvi: Mas aqui do lado tem um hospital! Conheça também o caso de Graça e Bernardo.
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INVESTINDO EM IMÓVEIS
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Durante oito anos tive vizinhos encantadores. Graça estava sempre ocupada, ora com o jardim da rua, ora com seus imóveis espalhados pelo Rio de Janeiro. Eram imóveis antigos, recebidos de herança, que lhes rendiam aluguéis. Graça, muito disposta, vivia às voltas com reformas em seus apartamentos e casas. Além dos imóveis alugados e da casa onde moravam, tinham também um terreno muito grande no Alto da Boa Vista, que estava à venda desde que os conheci. Para eles, valia um bom dinheiro, mas para o mercado, pouco valia. Existia uma lei que permitia somente a construção de uma casa em todo aquele esplendor da floresta, onde viviam muitos macacos e pássaros, o que desvalorizava o imóvel para fins comerciais. Viviam aguardando a aprovação de uma nova lei municipal sobre encostas para que seu terreno valorizasse. Entretanto, levavam vidas modestas, apesar de todo o patrimônio que tinham.
Ter um patrimônio grande em imóveis não significa riqueza. Nem sempre se consegue alugar um imóvel pelo preço que desejamos, tampouco conseguimos o inquilino dos sonhos. Quanta gente destrói o imóvel, atrasa aluguel, condomínio e outras coisas mais? Por isso, não conte com todo o dinheiro do aluguel. Lembre-se de que é de responsabilidade do proprietário problemas de vazamento, obra externa do prédio e outras coisas mais. Reserve pelo menos o valor de um aluguel mensal por ano para essas despesas. O azulejo fica fora de moda, começam a aparecer problemas normais de desgaste do imóvel, a distribuição interna também passa a não atender mais as necessidades da vida moderna e, com isso, depois de um tempo, o aluguel não é mais reajustado como você imaginava, ao contrário de um investimento em renda fixa, no qual você vai ganhando cada vez mais devido ao efeito bola de neve dos juros que você obtém em cima dos juros que já ganhou. Pensando em tudo isso, pesquisei entre diversos especialistas nesse mercado e procurei listar o que deve ser observado ao se comprar um imóvel. Cheque:
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n Location, location and location1 Esta foi a primeira lição que aprendi há muitos anos. É melhor ter um barraco na Vieira Souto do que uma mansão na Rocinha.2 Isso me disse um corretor americano, quando eu buscava um lugar para morar na terra do Tio Sam. Nunca me esqueci dessas três recomendações. Assim, ao comprar um apartamento, por exemplo, se preocupe mais com o prédio e a rua onde está o imóvel do que com o apartamento em si. Nele, sempre podemos fazer uma reforma. Já reformar a vizinhança ou tirar uma favela de perto não será tarefa tão fácil assim. Verifique também as áreas de expansão da cidade. Elas podem oferecer a possibilidade de atualização do investimento. n Informe-se sobre o vendedor, para não ser surpreendido com dívidas antigas e a anulação da compra por parte dos credores ou sócios dele. Conheço o caso de um homem que, apesar de casado, faz sempre tudo como solteiro. Amanhã, sua esposa pode saber que ele está agindo assim e entrar na justiça, pois a escritura de venda do imóvel não tem sua assinatura. Hoje em dia, toda cautela é pouca. Cuidado também com pessoas civilmente solteiras, mas que mantêm relação de concubinato com outra pessoa. Exija também a assinatura dos/das companheiros/as. n Visite várias vezes o local, em diferentes horários, para verificar se há barulho, trânsito ou outros incômodos. n Cuidado com a proposta de compra e venda. Verifique a possibilidade de devolução do sinal em caso de desistência e faça isso constar no recibo da proposta. n Não dê o restante do dinheiro além do sinal sem ter em mãos todas as certidões solicitadas pelo cartório. Se o imóvel for de pessoa jurídica, é fundamental pedir uma certidão negativa de débitos para assegurar que a empresa não tem dívidas e que o imóvel não poderá ser usado para pagá-las, avisa Valentina Caran em reportagem para a revista Veja Especial. 1 Localização, localização e localização. 2 A Av. Vieira Souto beira a praia de Ipanema, Rio de Janeiro. É um dos metros quadrados mais caros da cidade. A Rocinha é a maior favela da América do Sul, e também fica no Rio de Janeiro.
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n Tamanho do imóvel também é um fator importante. Apartamentos de dois quartos em prédios residenciais com serviços, por exemplo, custam pouco e têm alta aceitação no mercado, aumentando a liquidez do investimento. Marcus Cavalcanti acrescenta ainda na mesma revista que os imóveis comerciais de grande porte no Rio de Janeiro não têm sido um bom negócio, pois a busca de espaço na cidade pelas empresas vem caindo a cada ano. n Evite comprar por modismo. Corre-se um risco muito grande. n Verifique se as contas de condomínio e IPTU foram quitadas. Não compre passivos. n Comprar um imóvel com inquilino morando é sempre arriscado. Talvez o melhor seja não comprar. n No caso de imóvel na planta, cuidado! Não existe aquisição 100% segura nessa modalidade. Compre de empresas com reputação de seriedade e solidez e livres de reclamações nos Procons. Para tornar essa compra mais segura, existe o chamado Seguro de Garantia de Entrega, que tem um custo de 1% a 3% do imóvel. Pode-se, também, solicitar os demonstrativos financeiros das construtoras para uma análise financeira da empresa e tirar certidões negativas de débito com a Previdência e a Receita Federal. n Se a obra for por condomínio, o caso de grupos fechados, e não simplesmente financiada por um banco ou pela construtora, atenção, pois algum condômino pode parar de pagar sua cota e atrasar a obra.
IMÓVEL DE VERANEIO: MORDOMIA OU INVESTIMENTO? Costuma-se dizer que casa de veraneio dá duas alegrias: uma quando se compra e outra quando se vende. Não há dúvidas: investe-se no sonho de passar os fins de semana e as férias de frente para o mar pescando ou na lareira tomando um bom vinho e, de repente, o prazer se transforma em obrigação. As crianças viram adolescentes e já não querem mais subir a serra. A casa começa a precisar de manutenção e você não tem tempo para se dedicar a essa tarefa, tampouco dinheiro. Você gasta um dinheirão com o caseiro, a ração do cachorro, os impostos, o jardim, mas há três anos não aparece mais lá. Conclui que com o dinheiro que está gastando na casa esse tempo todo
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poderia ter viajado para Natal, esquiado em Bucón, no Chile, assistido a shows na Broadway. É hora de vender o imóvel e você não acha comprador. Breadarioli explicou em uma reportagem para a revista Veja que o planejamento antes da compra ajuda a evitar um mau negócio. Um local próximo a um centro urbano, por exemplo, facilita a manutenção. Uma casa de veraneio certamente preserva a intimidade, permitindo que se saia de sua casa na cidade, mas com uma sensação de segurança e tendo a marca pessoal em cada canto, mas não espere por vantagens financeiras. Computando gastos com empregados, impostos, água, gás, luz e telefone, manutenção da piscina, do jardim e do imóvel em si, o custo médio de se manter essa mordomia não sai por menos de R$1.500 por mês. Sabe o que isso significa ao final de um ano, depositando todo mês essa quantia em uma aplicação que rendesse sem imposto de renda 0,9% ao mês? R$19.088,54. Dava para fazer várias viagens legais ou comprar um carro popular novo, concorda? E não ficaríamos restringidos a voltar sempre ao mesmo lugar.
O SONHO DA CASA PRÓPRIA Não há dúvidas, comprar a casa própria é mais do que um investimento financeiro. Antes de tudo, é um investimento emocional. Já vi muita gente fazendo um mau negócio em termos financeiros ao comprar sua casa própria, mas o prazer que tiveram morando lá compensou qualquer prejuízo financeiro. Eu mesma sempre curti muito minhas casas, mesmo não sendo nos locais mais líquidos3 da cidade. Morava onde gostava e curtia minhas plantas e o verde que me rodeava com toda a intensidade. Acordar com o canto dos pássaros não tinha preço para mim, e nem todas comprei à vista. Buscar o financiamento não é algo proibitivo, principalmente quando desejamos muito ter nossa casa e não temos como comprá-la à vista. Pagar juros nunca é um bom negócio, mas pode ser a única maneira de não postergarmos para daqui a 15 anos a compra de nossa casa. A prestação pode ser considerada uma maneira disciplinada de poupar para se ter onde morar. Mas atenção! Analise com cuidado seu futuro e verifique se seus 3 Liquidez tem a ver com a rapidez com que o investidor consegue se desfazer de um ativo a um preço justo em condições normais de mercado.
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gastos não comprometerão o pagamento de seu financiamento. A contratação de um financiamento para a aquisição da casa própria é uma operação de longo prazo. Esteja atento à sua capacidade de pagamento, não somente a atual, como, principalmente, a futura. Existem algumas maneiras de financiar seu imóvel: n SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO O SFH é um sistema criado para facilitar e promover o financiamento da construção e da aquisição da casa própria, e é fiscalizado pelo Banco Central. Normalmente, os imóveis financiados pelo SFH são do tipo residencial, novos ou usados. Existe também a possibilidade de financiamentos para aquisição de terreno, construção e imóvel comercial, porém a taxas de mercado. Podem ser financiados pelo SFH imóveis avaliados em no máximo R$350 mil, sendo que o valor do empréstimo está limitado em R$245 mil, incluindo principal e despesas acessórias. Os bancos não financiam 100% do valor do imóvel. A maioria dos financiamentos se dá entre 60% e 70% do valor do imóvel, o que significa desembolsar entre 30% e 40% no momento da compra. Não existe limite máximo de prazo dos financiamentos, sendo livremente estabelecido entre as partes, mas costumam variar entre 10 e 25 anos. Tampouco a legislação, desde 24 de junho de 1998, impõe limitação quanto ao número de imóveis financiados pelo SFH que uma pessoa pode ter. O custo efetivo máximo para o mutuário final, incluindo juros, comissões e outros encargos financeiros é de 12% a.a., mais a variação da TR. acrescidos dos custos de seguros e, nos casos dos planos de equivalência salarial, do Coeficiente de Equiparação Salarial (CES). Em 2006, o governo permitiu que os financiamentos fossem oferecidos com taxas prefixadas, sem a correção da TR. Os saldos devedores dos contratos de financiamento, empréstimo, refinanciamento e repasse concedidos por entidades integrantes do SFH são reajustados pelo mesmo indexador da poupança, que hoje é a TR. É permitido que o mutuário liquide o financiamento antes do vencimento. Tal prática pode ser interessante, na medida em que se estanca o pagamento dos juros. Vale lembrar que o FGTS pode ser usado para, durante a vigência do contrato de financiamento, abater o saldo devedor, diminuindo o valor ou a quantidade de prestações.
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Costumo aconselhar meus clientes a utilizarem, sempre que possível, o FGTS. Enquanto ele está pagando TR + 12% ao ano no financiamento, seu FGTS está rendendo TR + 3% ao ano apenas. Você não concorda que é um desperdício pagar mais tendo recursos em caixa? Há, inclusive, um incentivo para quem compra casa com dinheiro do FGTS, que inclui redução de 0,5 ponto percentual na taxa anual de juros para pessoas com renda entre R$380,00 e R$4.900,00. Normalmente, é exigida do mutuário a compra de um seguro que cubra riscos de morte e invalidez permanente. Em caso de morte de um dos mutuários do mesmo financiamento, o seguro quita apenas a parte correspondente ao mutuário que fizer jus à cobertura do seguro. Existem contratos cujo reajuste das prestações é feito de acordo com o aumento da categoria profissional do mutuário. Trata-se de contratos com amparo do Plano de Equivalência Salarial Vinculado à Categoria Profissional PES/CP. Em caso de aumento salarial devido a aumento da produtividade, o mesmo índice é aplicável no reajuste da sua prestação. Caso haja mudança de categoria profissional, pode-se solicitar alteração da data-base de reajuste da prestação. No caso de desemprego, é assegurado ao mutuário o direito à renegociação da dívida junto ao banco, visando restabelecer o comprometimento inicial da sua renda. n CARTEIRA HIPOTECÁRIA A Carteira Hipotecária é um contrato com condições mais livres de financiamento do que o SFH, ou seja, não obedecendo a regras prefixadas por lei específica. Trata-se de uma negociação livre entre a instituição financeira e o candidato a mutuário. A carteira hipotecária é vantagem para quem deseja adquirir um imóvel com valor acima dos R$350 mil estipulados pelo SFH, ou ter um financiamento superior a R$245 mil. Não há limite de prazo. Com tanta facilidade, as taxas de juros acabam ficando mais salgadas, oscilando entre 14% e 70% ao ano,* diante dos 12% ao ano (ou até menos) das linhas do SFH, havendo correção pelo mesmo índice que corrige a poupança (hoje a TR), como no SFH, ou mesmo sem correção, através de taxas prefixadas. Fica também a cargo das instituições financeiras avaliar o grau de comprometimento da renda para pagar as prestações; entretanto, o crité*Dados de abril de 2008.
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rio normalmente adotado para as prestações é um limite entre 20% e 30% da renda familiar. Seja o financiamento tomado por intermédio do SFH ou da Carteira Hipotecária, o imóvel objeto do contrato fica hipotecado ao banco como garantia caso o mutuário deixe de pagar as prestações. n CONSÓRCIO O grande atrativo do consórcio imobiliário é permitir uma compra a longo prazo sem incidência de juros. É uma forma interessante de aquisição de um imóvel para quem não tem pressa para se mudar. Em janeiro de 2008 existiam no mercado 1.753 grupos desse tipo de consórcio em andamento, com um total de 470.467 participantes, de acordo com dados do Banco Central. Entretanto, é essencial saber dar os primeiros passos para não viver um pesadelo. Não há dúvidas de que essa é uma forma arriscada de se operar no mercado imobiliário. Assim sendo, alguns itens devem ser observados antes de se decidir por algum consórcio imobiliário. Considere, antes de mais nada, se o seu fluxo de caixa permite o pagamento de um aluguel e da cota do consórcio ao mesmo tempo. Lembre-se de que o prazo dos consórcios pode variar de 60 a 180 meses, e de que há baixa probabilidade de você ser sorteado com uma carta de crédito logo no início. Mas lembre-se: você pode usar seu FGTS para dar um lance e, assim, se mudar antes do fim do consórcio, não tendo que arcar com os dois custos aluguel e mensalidade do consórcio ao mesmo tempo, e mais: as prestações do consórcio são corrigidas pelo INCC.4 É fundamental também consultar o Banco Central, órgão que regulariza e fiscaliza os consórcios, para verificar se a empresa está autorizada a operar nessa modalidade. Se sua busca for pela internet, entre no site www.bcb.gov.br e, dentro do item Sistema Financeiro Nacional, clique em Consórcios. Opte por Administradoras. Pronto! Navegando por essa página, você terá um mundo de informações sobre todas as empresas. Cheque principalmente a quantidade de participantes ativos, sua taxa de administração e a taxa de inadimplência. Compare com a média do mercado. A taxa de administração é o ganho da administradora por controlar o grupo. O consórcio não tem juros, mas tem taxa de administração. Uma 4 O Índice Nacional da Construção Civil (INCC) é calculado pela Fundação Getulio Vargas.
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taxa de administração de 16,31% representa um custo de R$14.023 de taxa de administração numa carta de crédito de R$100 mil. Alguns bancos têm administradoras de consórcio, como é o caso da Caixa Econômica Federal e do Unibanco (Rodobens), sendo esta última a mais ativa nesse mercado. Vale a pena dar uma olhada também nos seguintes itens, para não ficar vendido depois. Veja a quantidade de seguros que são oferecidos pela administradora. Quanto mais seguros forem vinculados ao negócio, menores os seus riscos. Porém, seus custos serão mais elevados. Um seguro de vida cai bem. Imagina se um consorciado morre. Neste caso, não havendo um seguro, o espólio pode durar anos para ser dividido e isso pode prejudicar muito o restante do grupo. Outro seguro oferecido por algumas seguradoras é o chamado de Quebra de Garantia. Essa modalidade assegura o pagamento do inadimplente depois que ele for contemplado, mesmo papel do fundo de reserva, cujo objetivo é cobrir eventuais problemas do grupo, como inadimplência ou contratação de um advogado. Este é formado ao longo do tempo e são devolvidas as sobras aos consorciados ao final do consórcio. Lembro-me de que em 1990 fui contemplada com um carro num consórcio. Muitos anos se passaram até que, em 2001, recebi correspondência na qual me informavam que eu tinha direito a receber um pouco mais de R$500 de devolução do fundo de reserva do meu grupo. Isso depois de 11 anos, quando eu nem esperava mais! A maioria das administradoras não exige do candidato nenhuma comprovação de renda. Se por um lado essa prática facilita o lado de muita gente, na medida em que não vasculham toda a sua vida e seu histórico de crédito, por outro, a probabilidade de dividir um grupo com pessoas que serão incapazes de honrar seus compromissos aumenta. Entretanto, quando a pessoa é contemplada, é comum a exigência dessa comprovação. Caso o consorciado não tenha como comprovar, algumas administradoras exigem fiador. O imóvel fica, também, em nome do grupo até que o consórcio se encerre. Assim como nos consórcios de carro, nos consórcios imobiliários todo mês são contemplados dois consorciados. Um por sorteio e o outro através de lance, que costuma variar entre 30% a 60% do valor do imóvel. Mais uma vez lembro que o FGTS pode ser usado para esse fim.
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Se o consórcio é melhor ou pior do que o financiamento normal, somente você poderá avaliar. Cada caso é único e, como tal, deve ser avaliado. Cheque, pesquise e compare. Pese os prós e os contras de cada modalidade e use o bom senso. Ficou muito complicado? Consulte um consultor financeiro. Ele pode ajudá-lo a fazer as contas e achar a melhor maneira de atender aos seus anseios de comprar sua casa própria.
FUNDO IMOBILIÁRIO O fundo imobiliário é um condomínio de investidores que tem por objetivo auferir ganhos mediante locação, arrendamento ou alienação das unidades do empreendimento adquirido pelo fundo. São comuns as locações de escritórios, shopping centers e pontos comerciais em geral. É semelhante a um fundo de ações, só que aqui, pelo menos 75% do patrimônio do fundo devem estar aplicados em bens e direitos imobiliários. O saldo em caixa deve ser aplicado em ativos de renda fixa. Diferentemente dos demais fundos oferecidos pelos bancos, o fundo imobiliário, ao ser lançado, emite certo número de cotas para serem compradas por investidores. Quando todas as cotas são vendidas, o fundo fecha, não emitindo mais nenhuma cota. Caso algum cotista deseje futuramente resgatar suas cotas, ele tem que vendê-las a terceiros. Não há resgate, e se alguém deseja investir mais no fundo, tem que comprar cotas já emitidas e em poder dos então cotistas. Atualmente há alguns fundos que já têm suas cotas negociadas na BOVESPA e na SOMA.5 A aplicação em um fundo imobiliário permite a formação de uma carteira composta de empreendimentos imobiliários que envolvem alto volume de recursos e que não estariam ao alcance de investidores individuais, especialmente os de menor capacidade financeira, aumentando, assim, a quantidade de alternativas de investimentos disponíveis. Além disso, o investidor não precisa se preocupar pessoalmente com procedimentos referentes a certidões, escrituras, recolhimento do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Intervivos), dentre outras questões legais e administrativas, pois tais assuntos são de responsabilidade do ad5 SOMA A Sociedade Operadora do Mercado de Ativos é um mercado de balcão organizado e operado pela BOVESPA.
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ministrador, daí a importância dessa figura. Certifique-se de sua credibilidade perante o mercado. Dentre as vantagens aqui levantadas, uma me chama mais a atenção. Imagine, por exemplo, duas situações:
Você tem R$100 mil e lhe foram oferecidas as seguintes propostas de um investimento em imóveis: 1. Um imóvel no valor de R$100 mil 2. Cinco cotas de um fundo imobiliário, com valor de R$20 mil por cota. Suponhamos que você opte pela primeira hipótese e compre o imóvel. Futuramente, por alguma necessidade, você necessita de R$20 mil. Nesse caso, você teria que vender todo o imóvel, e teria um troco de R$80 mil para reinvestir ou dar algum outro destino. Caso você tivesse optado pelas cinco cotas do fundo imobiliário, você poderia vender apenas uma, suprindo sua necessidade e permanecendo com as demais, que continuariam aplicadas no fundo.
Os fundos imobiliários já foram, durante um bom tempo, exclusivos para pessoas de maior poder aquisitivo. Entretanto, já existem no mercado fundos com valor de cota em torno de R$5 mil. Se você gostou da idéia, atente para os seguintes detalhes: n Escolha adequadamente o administrador e gestor do fundo, verificando sua reputação, experiência e qualificação. Há casos em que os cotistas não gostam da administração do gestor e acabam por trocá-lo de cargo. n Conheça detalhadamente a política de investimentos adotada, a fim de escolher a alternativa que melhor atenda a seu perfil de risco/retorno. n Leia atentamente o Prospecto e o Regulamento do Fundo antes da aquisição de cotas.
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n Exija o recebimento dos relatórios que o administrador do fundo está obrigado a enviar aos cotistas, o que lhe permitirá conferir os negócios realizados pelo fundo, a rentabilidade do período, o programa de investimentos para o semestre seguinte, notícias sobre o segmento imobiliário, entre outras coisas. n As cotas de fundos imobiliários não podem ser vendidas por um corretor de imóveis por se tratar de valor mobiliário. Somente um profissional ou empresa autorizada pela CVM pode vender cotas de fundos imobiliários. n A liquidez do fundo imobiliário é reduzida. Trata-se de modalidade de investimento ainda não amplamente difundida. Cheque o histórico de liquidez das cotas do Fundo que você está desejando adquirir, ou se há previsão por parte do administrador de estabelecer algum mecanismo de formação de mercado. n Os fundos imobiliários são fiscalizados pela CVM. Caso deseje obter mais informações sobre o assunto, entre no site da SOMA (www.somativos.com.br), da CVM (www.cvm.gov.br) ou da ANBID (www.anbid.com.br).
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CAPÍTULO 10
PLANEJANDO A APOSENTADORIA
E
xistem dois tipos de pessoas: as que se preocupam com o futuro e as que não se preocupam com o futuro. Este capítulo é dedicado principalmente às primeiras, que buscam tranqüilidade para viver a terceira idade, o que depende de planejamento ao longo de sua vida. Quanto antes você começar a poupar, maior será a contribuição do rendimento recebido sobre esse capital investido na formação do seu colchão de segurança para a aposentadoria. Lembre-se de que quem planta laranja não pode colher maçã. Mas, como fazer? Como tudo na vida, antes de começar, pare para refletir. Imagine seu futuro respondendo, com calma, cada pergunta que se segue.
1.
Com quantos anos você pretende se aposentar?
2.
Quanto de renda vai precisar ter por mês para poder manter seu padrão de vida?
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
3.
De onde virá essa renda?
4.
Durante quantos anos você terá que viver dessa renda? Lembre-se de que a cada ano que passa, a expectativa de vida do ser humano aumenta.
Se você ainda não sabe como responder a essas perguntas, é hora de começar a planejar a sua aposentadoria. Veja só esse exemplo:
O Sr. Weber, 73 anos, era um herdeiro com boa formação. Dentista de certo renome, vivia com todo o conforto que o dinheiro podia comprar, nunca tendo se preocupado com essas coisas de aposentadoria durante sua idade adulta. Casado, tinha uma filha muito ajuizada. Através da experiência vivenciada na casa de seus pais, tudo o que o Sr. Weber fez foi contribuir com o INSS pelo teto máximo. Pagou durante anos sua contribuição, e o fez também para sua mulher, só que por um teto menor. Finalmente chegou o dia da aposentadoria de ambos. Felizes, os dois passaram a desfrutar do que o tempo livre agora lhes permitia. Entretanto, como nunca haviam se preocupado com dinheiro, a poupança que receberam de herança, nessa ocasião, já não era mais do mesmo tamanho de outrora, que foi comida não somente pela má administração, como pelos diversos choques econômicos vividos pelos brasileiros. Para piorar, com o passar dos anos, esse teto máximo da pensão do INSS se transformou hoje em R$1 mil que, somado à aposentadoria de sua esposa, corresponde a R$1,6 mil, o que não é suficiente para custear seus gastos totais. Como não tinha outra fonte de renda, o Sr. Weber e a esposa foram morar na casa da filha, dividindo espaço com netos, genro e todo um dia-a-dia que não era o deles. Todo esse constrangimento poderia ter sido evitado se o Sr. Weber tivesse planejado cuidadosamente sua aposentadoria.
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Hoje em dia as pessoas vivem muito mais tempo do que antigamente e, diferentemente daquela época, suas despesas são muito maiores. A revolução da medicina permitiu esse aumento da expectativa de vida e melhorou a qualidade de vida dos idosos, mas isso representa desembolso maior, e por mais tempo. É uma parafernália de remédios que não existiam antes, sem falar nos altos preços dos planos de saúde para essa faixa etária. Pior se você é do tipo que só tem direito à aposentadoria do INSS, pois, mesmo que receba um teto máximo, será provavelmente pouco para cobrir suas necessidades. Comece a se planejar desde já, de modo a obter um complemento de renda para quando chegar esse dia. Esse complemento pode se apresentar de diversas formas, como: n Aluguéis de imóveis. n Recebimento de dividendos e ganhos de capital de uma carteira de ações. n Juros de aplicações em renda fixa ou fundos de investimento. n Dividendos em participações em empresas. n Benefícios de aposentadoria de fundos de pensão fechados. n Benefícios de aposentadoria de fundos de pensão abertos. Se você não tem aluguéis, não tem o hábito de poupar e investir seu dinheiro regularmente no mercado financeiro nem é proprietário de nenhuma empresa que vá lhe render dinheiro na terceira idade, só lhe resta receber esse complemento por meio de um plano de previdência privada. Se você já participa de algum fundo de previdência, parabéns. Você está no caminho certo. Certifique-se somente de que a projeção da renda futura prevista em seu plano está compatível com suas necessidades projetadas. Caso contrário, é hora de começar a pensar no assunto. Quem sabe aumentando sua contribuição? Caso você não contribua para nenhum plano de previdência, é hora de arregaçar as mangas e começar a contribuir.
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OS FUNDOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTOS Existem no mercado quatro tipos de fundos de previdência privada abertos: n n n n
Plano com remuneração garantida e performance Fapi Fundo de Aposentadoria Programada Individual PGBL Plano Gerador de Benefícios Livres VGBL Vida Gerador de Benefícios Livres
E um fundo fechado para captação de recursos: n Plano com remuneração garantida e performance Antes de entrarmos em cada um desses planos, alguns pontos devem ficar claros no que se refere à prática do mercado nesse ramo. Confira a seguir alguns termos muito utilizados e necessários para se analisar os planos antes de comprá-los. n Taxa de carregamento Percentual incidente sobre as contribuições pagas pelo participante para fazer face às despesas administrativas, de corretagem e de colocação do plano. São normalmente cobradas ao se aplicar no produto. Vamos supor, por exemplo, que você aplique R$100,00 por mês num PGBL e que a taxa de carregamento desse fundo seja de 2%. Isso significa que estará pagando R$2,00 de carregamento e que somente R$98,00 serão efetivamente aplicados no produto. Pode ocorrer de a taxa de carregamento ser escalonada de acordo com o valor investido ou ao longo do plano, tendo um valor percentual maior no começo e caindo nos períodos seguintes. Enquanto o escalonamento por valor incentiva o participante a aumentar seu investimento, o por tempo de permanência funciona como uma forma de ganhar a fidelidade do cliente. n Taxa de administração Segue a mesma lógica dos fundos de investimento e se aplica no caso dos planos de previdência privada: como ninguém trabalha de graça, os administradores e gestores dos planos também são remunerados por seu trabalho, sendo esse custo já incluso no patrimônio do fundo e no cálculo de rentabilidade. Vale ressaltar que a taxa de administração no caso do PGBL
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e do VGBL é cobrada também durante o período de pagamento de benefícios. n Portabilidade Refere-se à possibilidade de trocar de plano durante o período de acumulação do capital. Alguns tipos de planos de previdência privada permitem que você troque de administrador ou de tipo de plano (de renda fixa para ações ou vice-versa), outros não.
PLANO COM REMUNERAÇÃO GARANTIDA E PERFORMANCE Existem dois tipos de planos com garantia e performance: n Plano com Atualização Garantida e Performance (PAGP) n Plano com Remuneração Garantida e Performance (PRGP) Os planos com garantia e performance têm o compromisso de garantir rendimento mínimo estabelecido no contrato sobre o capital acumulado, descontados todos os custos. A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) não define qual é esse critério de garantia, mas o mercado definiu, na maioria das vezes, a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), um índice de inflação calculado pela Fundação Getulio Vargas, como indexador para os produtos. A diferença entre o PAGP e o PRGP diz respeito à remuneração. Enquanto o PAGP garante apenas a atualização pelo indexador definido, o PRGP garante também uma taxa de juros adicional além do indexador. Além dessa garantia, o administrador deve repassar ainda para o beneficiário do plano parte do rendimento que exceder a garantia. Vamos supor, por exemplo, que: Rentabilidade obtida pelo administrador = 18% no ano Garantia do PRGP = IGP-M + 6% ao ano Excedente a retornar para cliente conforme contrato = 50% do que exceder a garantia IGP-M no ano = 5%
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Com base nos eventos citados anteriormente, pode-se calcular a rentabilidade do participante: Garantia = IGPM + 6% = 1,05 × 1,06 = 11,13* Excedente = 18% 11,13% = 0,87% 50% de 6,87% = 3,435% Rentabilidade do participante = 11,13% + 3,435% = 14,65% A carência para o resgate do capital acumulado, em caso de desistência, é de 12 meses. Os planos tradicionais também oferecem a contratação de seguros adicionais, com cobertura para risco de morte ou invalidez. Ocorre sobre o produto a taxa de carregamento no momento da aplicação e há benefício fiscal nas contribuições para o plano de até 12% da renda do contribuinte. O imposto de renda é cobrado do participante no momento do recebimento do benefício, pela tabela normal de imposto de renda vigente, sobre o valor recebido, e não somente sobre o rendimento. É interessante mencionar que, apesar de divulgada no site da SUSEP, em diversas instituições pesquisadas por mim essa modalidade de investimento não foi oferecida. Isso ocorre porque as companhias de previdência não querem assumir o risco de uma garantia de rentabilidade num prazo muito longo. Elas, inclusive, aconselham os participantes desses planos a mudarem para o PGBL ou VGBL, o que aconselho que seja feito. A segurança da seguradora é a sua tranqüilidade futura.
FAPI O Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) é um fundo de investimento em renda fixa que tem como objetivo a poupança de longo prazo, sem garantia de rendimento mínimo. Não é considerado um fundo de previdência privada, embora possa servir para formar uma poupança que vire previdência privada no futuro. É um produto aconselhado para quem pensa em fazer poupança com o objetivo de acumular capital para um negócio ou investimento. * A multiplicação ocorre porque primeiro atualiza-se o valor pelo índice e só depois aplica-se a taxa.
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O gestor do fundo apenas administra o capital na fase de acumulação. No final do período, o poupador retira todo o seu capital de uma só vez e faz o investimento que for mais conveniente, podendo optar, na ocasião, por comprar à vista um plano de previdência, uma casa ou mesmo viajar. Sobre os saques anteriores a um ano de abertura do Fapi são cobrados 5% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Diferentemente dos planos com garantia e performance, o Fapi não cobra taxa de carregamento, tampouco tem garantia de rentabilidade mínima, entretanto oferece também o benefício fiscal de abatimento de até 12% da renda para fins de cálculo do imposto de renda. Atenção! Esse é um produto de alto custo de imposto de renda, pois, além de pagar imposto de renda periodicamente, como num fundo de investimento, conforme visto no Capítulo 6, você será taxado novamente no momento do resgate, de acordo com a tabela do imposto de renda vigente, sobre o capital acumulado, o que inclui o rendimento obtido e já tributado anteriormente. Essa regra diminui a atratividade do produto, que é pouco conhecido e difundido pelo mercado.
PGBL/VGBL O Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) são produtos semelhantes que diferem apenas no quesito tributação. Isso faz com que tenham público-alvo diferente, o que veremos mais adiante. Ambos são planos de previdência privada, estando acoplado a eles o pagamento de benefícios. Eles não garantem rendimento mínimo, pois são estruturados na forma de fundos de investimento. Há três tipos de PGBLs/VGBLs: 1.
Soberano Aplica 100% em títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil e créditos securitizados do Tesouro Nacional. É o tipo com menor risco.
2.
Renda fixa Aplica 100% em títulos de renda fixa públicos ou privados (como CDBs, debêntures e letras de câmbio). Tem um pouco mais de risco, o que pode permitir melhor rentabilidade.
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3.
Composto Além de títulos de renda fixa públicos e privados, pode aplicar até 49% em renda variável (ações). Essa carteira tem maior potencial de ganho, porém com maior nível de risco. É recomendável para investidores que aceitam incorrer em mais riscos e que acreditam que a Bolsa é um investimento que no longo prazo deve se tornar mais rentável do que renda fixa, passando, porém, por períodos de volatilidade. Como os produtos permitem que o participante altere sua estratégia de investimento ao longo do tempo, ele pode começar colocando sua poupança nesta modalidade, que tem maior potencial de ganho, e, à medida que a aposentadoria vá se aproximando, altere para um de perfil mais conservador de plano.
O período mínimo de carência para saques é de 60 dias, em ambos os casos. Os PGBLs e VGBLs também oferecem a contratação de seguros adicionais, com cobertura para risco de morte ou invalidez. Os aportes tanto podem ser mensais como eventuais, mas lembre-se: quanto antes você começar, maior será o efeito dos juros sobre o capital investido para formação do capital final, sobre o qual será calculado o benefício que você receberá quando decidir se aposentar. Tanto no PGBL quanto no VGBL são cobradas taxa de administração e de carregamento, sendo esta incidente sobre as contribuições mensais e aportes. Ao contratar um PGBL ou VGBL, compare bem a rentabilidade entre as administradoras do mercado, pois as taxas cobradas afetam diretamente a rentabilidade dos fundos. Até aqui o PGBL e o VGBL foram apresentados de forma única, pois sua administração e forma operacional são semelhantes, mas onde fica a diferença? Exatamente na cobrança do imposto de renda e no benefício fiscal. Vamos começar com o incentivo fiscal do PGBL. Compare três situações: n Indivíduo sem aplicação n Indivíduo com aplicação no PGBL n Indivíduo com aplicação no VGBL
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Comparação benefício fiscal PGBL/VGBL (em R$) Sem PGBL/VGBL
Com PGBL
Com VGBL
48.000,00
48.000,00
1.656,96
1.656,96
1.656,96
5.760,00
5.760,00
Nova base de cálculo
46.343,04
40.583,04
IR (27,5% 548,82)**
12.195,52
10.611,52
1.584,00
Renda bruta anual tributável INSS Contribuição PGBL/VGBL*
Economia IR * 12% renda bruta anual ** Tabela vigente em 2008
A tabela anterior nos remete à seguinte conclusão: o contribuinte com renda tributável teve abatimento de sua renda, o que lhe permitiu economia de imposto de renda. Em outras palavras, o indivíduo que contribuiu com seu PGBL desembolsou, na realidade, R$4.176,00 (R$5.760,00 R$1.584,00) com o seu plano de previdência, pois deixou de pagar R$1.584,00 de um total de R$12.195,52 que lhe seria devido caso não tivesse feito a contribuição (comparação entre sem PGBL/ VGBL versus com PGBL). Note também que o participante do VGBL não teve esse mesmo benefício fiscal, tampouco lhe foi atribuída uma renda, logo, não poderia receber benefício fiscal, pois 12% de nada é nada. Esse é o caso das pessoas com tributação exclusiva na fonte, ou dos autônomos, que não percebem salários, apenas dividendos de suas empresas. Ficam aqui, então, definidos os públicos-alvos dos dois produtos: n PGBL direcionado para pessoas que têm renda sujeita à tributação e que preenchem o formulário completo da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, pois as contribuições ao plano são abatidas da renda bruta, assim como se faz com os pagamentos com saúde e educação, só que o benefício do PGBL é de até o limite máximo de 12% da renda bruta.
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n VGBL direcionado para pessoas que não têm renda tributável ou que preenchem o formulário simplificado da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda. Se os participantes de VGBL não têm benefício fiscal dessa natureza, que facilidade em termos de tributação lhes é oferecida, dado que em ambas as modalidades de planos o imposto de renda é cobrado da mesma forma: no resgate? Mais uma vez, compare:
Cálculo do imposto de renda no PGBL e VGBL (em R$) supondo imposto de renda pela alíquota progressiva PGBL Valor da contribuição* (a)
VGBL
50,000,00
50.000,00
Valor no resgate** (b)
200.000,00
200.000,00
Rendimento (c = b a)
150.000,00
150.000,00
Base de cálculo para IR
200.000,00 (b)
150.000,00 (c)
IR (27,5% 502,58)***
54.497,42
40.747,52
* Valor histórico das contribuições ** Valor contribuído mais os rendimentos obtidos *** Vigência 2008
Visualizando a tabela anterior, pode-se concluir que enquanto a base de cálculo para o imposto de renda do PGBL é o capital investido mais os rendimentos, ou seja, o valor total acumulado, o imposto de renda no VGBL incide somente sobre os rendimentos auferidos. Se não teve o benefício anual do desconto no imposto de renda, o VGBL finalmente tem seus dias de glória. Quando o VGBL é comparado a uma possibilidade de acumular poupança num fundo de investimento, há uma vantagem competitiva do plano de previdência, dado que nos fundos de investimento a metodologia de cálculo do imposto de renda é de pagamentos periódicos. No caso do VGBL, a postergação do pagamento do imposto permite que o participante fique recebendo juros em cima dos rendimentos totais auferidos mas não tributados, pois não há a cobrança periódica do imposto.
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No que se refere à tributação dos planos de previdência, o investidor de previdência tem que escolher, no momento da contratação do produto, a metodologia que deseja para o seu plano, que pode ter alíquotas progressivas ou regressivas. A legislação dá um pequeno prazo para o investidor trocar a metodologia, após a contratação do plano. n Alíquota progressiva É utilizada a mesma tabela vigente para o cálculo do imposto de renda sobre os salários, que é maior quanto maior for o valor sendo resgatado, sujeito, inclusive a isenção, quando o resgate ou o benefício recebido for inferior a um determinado valor, estipulado pela legislação vigente. Essa metodologia é aconselhável para quem está programando receber benefícios inferiores ao teto de isenção de imposto de renda. n Alíquota regressiva Utiliza a tabela que se segue, que pressupõe que o investidor vai deixar seus recursos aplicados pelo prazo mínimo de 10 anos e cujo benefício será superior ao valor da isenção da tabela vigente de imposto de renda.
Tabela Regressiva de imposto de renda previdência privada* Prazo de permanência
Alíquota
Até 2 anos
35%
2 a 4 anos
30%
4 a 6 anos
25%
6 a 8 anos
20%
8 a 10 anos
15%
10 anos ou mais
10%
Na minha opinião, essa metodologia é confusa e atrapalha o investidor. Se estamos contratando uma previdência para nos beneficiarmos daqui a 20 anos, como saber como estaremos lá na frente? Mas, enfim, supondo que você é uma pessoa aplicada e que sua renda tende a aumentar significativamente ao longo dos anos, talvez a utilização da tabela regressiva seja melhor. O mais recomendado é fazer contas, junto com o corretor *Vigente em 2008.
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que lhe atender, para saber a melhor opção para você. Muitas seguradoras costumam oferecer um simulador para lhe ajudar nessa decisão. Os PGBLs e VGBLs são produtos muito vendidos no mercado devido à facilidade de acompanhamento de suas rentabilidades e de portabilidade. Há a possibilidade de troca de administrador ou de tipo de risco do fundo. Ambos os planos permitem que o contribuinte escolha quanto e como contribuir: se em parcelas mensais, ou de uma só vez. Suas contribuições podem variar. Além disso, o participante pode optar pela forma de recebimento da renda ao decidir se aposentar, a saber: n Renda mensal vitalícia Consiste em uma renda paga vitaliciamente ao participante, a partir da data de concessão do benefício. n Renda mensal por tempo determinado Consiste na renda paga temporária e exclusivamente ao participante. O benefício cessa com seu falecimento ou o fim da temporariedade contratada. n Renda mensal vitalícia com prazo mínimo garantido Consiste em uma renda vitalícia paga ao participante, a partir da data de concessão do benefício. Caso o participante venha a falecer antes do prazo garantido, o benefício será pago aos beneficiários ou a seus herdeiros até o prazo garantido, em caso de falecimento destes. n Renda mensal vitalícia reversível ao beneficiário indicado Consiste em uma renda paga vitaliciamente ao participante, a partir da data de concessão do benefício escolhido. Ocorrendo o falecimento do participante durante o recebimento dessa renda, o percentual do seu valor estabelecido na proposta de inscrição será revertido vitaliciamente ao beneficiário indicado. No caso de o beneficiário falecer antes do participante e durante o período de recebimento da renda, a reversibilidade do benefício estará extinta.
BENEFÍCIOS EXTRAS QUE PODEM SER CONTRATADOS Os planos previdenciários podem ser contratados de forma individual ou coletiva. Podem oferecer, ainda, juntos ou separadamente, os seguintes tipos básicos de benefício:
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n Renda por sobrevivência Trata-se da renda a ser paga ao participante do plano que sobreviver ao prazo de diferimento contratado. n Renda por invalidez É a renda a ser paga ao participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente ocorrida durante o período de cobertura. n Pensão por morte Renda a ser paga aos beneficiários indicados na proposta inicial, em decorrência da morte do participante, ocorrida durante o período de cobertura. n Pecúlio por morte Importância em dinheiro, pagável de uma só vez ao próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente ocorrida durante o período de cobertura.
QUANDO COMEÇAR A CONTRIBUIR Quanto antes você começar, maior será a poupança formada. Logo, seja qual for a modalidade escolhida, comece ainda hoje. Se você não pode poupar muito, inicie com uma mensalidade menor e vá aumentando à medida que sua renda for permitindo. Não espere ter muito para começar. Na vida, é muito difícil termos tudo o que desejamos. Se formos esperar o dia tão sonhado, nunca faremos nada, por isso o negócio é começar, mesmo que com pouco. Viva um dia de cada vez e jamais se esqueça de que...
...tudo começa com o primeiro passo. Toda pessoa vitoriosa é uma pessoa que sabe das dificuldades, só que simplesmente não desiste com facilidade. Ela sabe que para atingir sua meta, tem que dar o primeiro passo e seguir andando, pois só termina quem começou. Lembre-se de que o dinheiro vai sendo capitalizado ao longo do tempo e que, quanto maior o tempo, maior o rendimento. Assim, suponhamos que você se programou para participar com R$100,00 por mês. Veja só o que acontece com seu dinheiro ao final da 12a prestação, supondo um rendimento de 10% ao ano: ele vale, incluindo a última parcela de R$100,00, o equivalente a R$1.254,05.
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Façamos agora um exercício: R$1.254,05 ¸ 12 meses = R$ 104,50 Em outras palavras, para juntar R$1.254,05 em um ano, sem receber juros, você teria que depositar mensalmente R$104,50. Mas você depositou somente R$100,00. Deu para entender? Imagina agora depois de dez anos, como será esse efeito! E mais, quanto mais para a frente você deixar para fazer o plano, mais alta será sua contribuição mensal para poder juntar em menos tempo o que precisa para poder receber os benefícios que deseja.
COM QUANTO CONTRIBUIR Contribua com quanto sua renda permitir. Os bancos, seguradoras e empresas de previdência privada estão aptos a fazer as contas para você. Se você gosta de pesquisar na internet, pode usar os simuladores dos sites, que calculam com quanto você deve contribuir para atingir na idade desejada um benefício definido, ou com base no benefício desejado, com quanto você deve contribuir. Mas atente: como são cálculos aproximados, com base em projeções de rentabilidade, essas projeções estão sujeitas a alterações.
PLANO DE PREVIDÊNCIA VERSUS POUPANÇA PROGRAMADA Já fui, por diversas vezes, questionada por clientes com relação às vantagens de se contribuir para um fundo de previdência privada sobre a poupança programada. Nesta modalidade, uma pessoa deliberadamente pouparia uma quantia mensal durante anos para, ao desejar se aposentar, ter recursos suficientes para viver da renda desses recursos ou comprar um seguro que lhe garanta uma renda. Nessas circunstâncias, costumo elencar uma série de perguntas: Você é disciplinado o suficiente para todo mês, no mesmo dia, fazer um depósito em uma aplicação? 2. Será uma aplicação separada ou você vai juntar com outras aplicações? 3. Se estiver junto com as outras aplicações, como você vai saber a quantas anda o dinheiro separado para a sua aposentadoria? 4. Você tem a capacidade de, periodicamente, projetar o benefício mensal que aquele dinheiro poupado lhe dará daqui a 10 ou 12 anos por mais 20 ou 30 anos? 1.
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Se você respondeu não a alguma das perguntas, um plano de previdência é mais indicado para você. Não conheço ninguém que tenha essa disciplina. Os planos de previdência emitem boletos mensais de pagamento ou debitam diretamente de sua conta corrente o valor estipulado. Sem falar nos extratos periódicos que enviam para você informando da rentabilidade e dos benefícios previstos. Algumas pessoas reclamam da rentabilidade dos planos, alegando que podem conseguir rentabilidade maior com o seu dinheiro, sobre o qual não pagam taxa de carregamento. Só uma última pergunta: Se você decidir trocar de carro e não tiver separado o dinheiro da aposentadoria, você irá raspar toda a sua reserva, pensando em depois recompô-la? Pense, então, que a taxa de carregamento é um custo que você incorre para afastá-lo dessas tentações de consumo do dia-a-dia.
QUE CUIDADOS TOMAR AO COMPRAR UM PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA A Fundação Procon SP enumerou uma série de dicas para o consumidor que está procurando um plano ou fundo de previdência privada. Vale a pena dar uma lida. n Analise a solidez financeira da empresa: A empresa assume responsabilidades de longo prazo, por isso a escolha de empresas sólidas e especializadas no ramo é fundamental para a segurança do participante. n Analise o perfil de investimento do fundo ou plano: Verifique se a carteira de investimentos é agressiva (mais recursos em ações e imóveis) ou se é conservadora (concentração em aplicações de renda fixa). A perspectiva de rendimento e do nível de risco depende da composição da carteira. O histórico de rendimento e gestão da carteira é um bom indicativo para saber se a empresa está cumprindo seu compromisso, mas resultados passados não garantem resultados futuros, por isso mantenha permanente observação dos resultados. n Compare custos: Verifique que taxas mais elevadas de gestão ou administração e carregamento prejudicam muito a rentabilidade
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da carteira e a renda futura do participante. Compare esse custo com o custo de gestão de uma poupança programada.1 n Escolha o tipo de benefício no final do plano: O participante pode escolher prazo vitalício ou renda por período definido; é mais fácil ter uma idéia de expectativas na aposentadoria do que quando se começa a poupar. n Valor mínimo de contribuição: Não deve ser muito alto. Lembre-se de que dificuldades econômicas acontecem ao longo dos anos, e uma contribuição muito alta pode ser um estímulo para interromper o plano, o que sempre prejudica o participante. n Verifique a idoneidade da empresa: Antes de contratar um plano de previdência privada, o consumidor deve fazer uma pesquisa nos órgãos de defesa do consumidor e na SUSEP para saber como ele está sendo visto pelos seus clientes no mercado, se responde a processos, se honra compromissos etc. n Leia com cuidado o contrato: Ele é a única arma do consumidor para contestar alguma determinação da entidade administradora. E lembre-se: a propaganda emitida pela empresa deve ser vista como garantia de que aquelas condições oferecidas serão cumpridas. Guarde todo o material publicitário que pode esclarecer a natureza do produto comprado. Ficam aqui mais duas sugestões: n Cheque a portabilidade do fundo: Certifique-se quanto à possibilidade de trocar de administrador ou de tipo de fundo no que se refere a risco da carteira ou mesmo de classificação de plano de previdência. n Analise a metodologia do imposto de renda: Lance mão dos simuladores oferecidos pelo mercado nos sites dos bancos e seguradoras, e verifique os valores da tabela de imposto de renda vigente.
1 A poupança autoprogramada é um produto no qual o cliente define a data que deseja que o banco faça aplicações programadas em sua poupança.
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CAPÍTULO 11
FAZENDO CONTAS
N
ão restam dúvidas: neste mundo dos investimentos há de se conhecer algumas contas básicas no intuito de otimizar sua vida financeira. Busco reunir aqui algumas delas, bem como sugerir atalhos e dicas de onde você pode encontrar ajuda para resolver essas questões matemáticas. A primeira dica é: Compre uma calculadora financeira; ela facilitará seus cálculos. A mais utilizada no mercado é a HP-12C. Aos poucos você irá se habituar com a máquina a ponto de não fazer compras a prazo sem conferir os cálculos da loja. Um curso básico de matemática financeira é também muito útil. O próprio manual da HP-12C já é uma aula. Existem cursos tanto presenciais como pela internet, como o disponibilizado pela Andima (www.andima.com.br). Dentre as diversas contas que poderiam ser apresentadas, selecionei aquelas que têm que fazer parte da sua rotina. No dia em que essas contas entrarem no seu sangue, pode ter certeza de uma coisa: você se tornou um exímio financista e nunca mais será enrolado nas contas ao fazer um negócio.
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RENTABILIDADE DA POUPANÇA Como se sabe, a poupança rende TR1 + 6% a.a., com juros capitalizados mensalmente, o que significa TR + 0,5% a.m. Relendo em termos matemáticos, tem-se que todo mês seu dinheiro rende, além da TR, 0,5%. Logo, estamos falando que os juros no mês seguinte são calculados sobre os juros do mês anterior, o que caracteriza juros compostos. Dessa forma, pode-se calcular a taxa de juros efetiva anual que equivale a 0,5% a.m. Dizer simplesmente que o correspondente a 0,5% a.m. é 6% a.a. (0,5 × 12) é negar a lógica dos juros compostos. Assim, temos: (1 + ia) = (1 + is)2 = (1 + im)12 = (1 + idu)252 = (1 + idc)360, em que: i = taxa de juros a = ano s = semestre m = mês du = dias úteis dc = dias corridos 1 ano = 2 semestres = 12 meses = 252 dias úteis = 360 dias corridos Aplicando a fórmula, pode-se fazer a correspondência: 0,5% = 0,005 1 ano = 12 meses Substituindo, na fórmula: (1 + 0,005)12 = (1 + i)1 1,0617 = 1 + i Þ i = 1,0617 1 Þ i = 0,0617 ou i = 6,17% a.a. CONCLUSÃO: A poupança rende efetivamente TR + 6,17% a.a. e não 6%.
Traduzindo: Não se pode somar as taxas de juros mensais para achar a taxa anual. A relação entre essas taxas não é de soma e, sim, exponencial. 1 TR Taxa referencial de juros, calculada pelo governo.
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PROJEÇÃO DA RENTABILIDADE DE UM FUNDO Lembro-me bem de um cliente que costumava ligar para mim após transcorridos uns dez dias do mês. Ele me fazia sempre a mesma pergunta. Queria saber qual tinha sido a rentabilidade dos fundos até aquela data e, com base na resposta, ele projetava a rentabilidade para todo o mês corrente. Conheça como era sua conta. Supondo: Rentabilidade acumulada em 7 dias úteis = 0,4398% = 0,004398 (id7) Número de dias úteis no mês = 22 Utilizando a mesma metodologia anterior, em que: (1 + im) = (1 + idu)n, sendo (A) n = número de dias úteis no mês, pode-se dizer que: (1 + idu)7 = (1 + id7), sendo d7 = sete dias úteis Substituindo: (1 + idu)7 = (1 + 0,004398) = 1,004398 (1 + idu) = (1,004398)1/7, sendo 1/7 = raiz sétima Logo: 1 + idu = 1,00062715 idu = 0,00062715 = 0,062715% Uma vez sabendo-se a taxa diária, é só projetar para o mês, utilizando-se a relação (A):
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(1 + im) = (1 + 0,00062715)22 = 1,0139 im = 0,0139 = 1,39% CONCLUSÃO: Por meio de uma taxa diária, pode-se calcular a taxa equiva-
lente para o mês, para o ano ou para o período que se desejar, mas lembre-se de que essa taxa é projetada apenas, e que o passado não é garantia de que se repetirá no futuro.
RENTABILIDADE ACUMULADA DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO A lógica dos juros compostos também é aplicada no cálculo da rentabilidade dos fundos de investimento. Veja o exemplo de um fundo, cuja rentabilidade mensal encontra-se abaixo:
Rentabilidade mensal hipotética do fundo (%) Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 Mês 8 Mês 9 Mês 10 Mês 11 Mês 12 1,29
1,35
1,45
1,37
1,33
1,51
1,54
1,23
1,38
1,42
1,41
1,39
É de se imaginar que a rentabilidade acumulada ao final de 12 meses seja o somatório das rentabilidades mensais, ou 16,67%, mas está errado. O efeito dos juros sobre os juros leva a uma rentabilidade de 18,00%, calculada do seguinte modo: Rentabilidade acumulada = (((1 + i1) (1 + i2) (1 + i3) ... (1 + in)) 1) × 100 Lembre-se de que: 1,29% = 0,0129 Aplicando a fórmula nos dados acima, encontra-se: Rentabilidade acumulada = (((1+0,0129) (1+0,0135)...(1+0,0139)) 1) × 100 = 18,004% CONCLUSÃO: Para calcular a rentabilidade acumulada em determinado
período, divida cada rentabilidade isolada por 100, some 1 a esse número e multiplique os diversos fatores encontrados entre si. Desse produto diminua 1 e multiplique por 100. Essa é a resposta final.
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EFEITO DO IMPOSTO DE RENDA NUM FUNDO DE INVESTIMENTO A alíquota do imposto de renda incidente sobre os fundos de investimento com cobrança semestral (todos exceto fundos de ações) tem por base o enquadramento do fundo, segundo classificação da Receita Federal e da CVM. Os fundos considerados de longo prazo (prazo médio da carteira superior a 365 dias) são tributados pela alíquota de 15% no final de maio e novembro, conforme já explicado no Capítulo 6 sobre fundos de investimento. Já os fundos considerados de curto prazo (todos os outros, exceto ações), têm come-cotas de 20%. Observe a seguir a rentabilidade líquida, para o caso de cobrança de fundos de longo prazo, com come-cotas semestral, tendo por base a tabela apresentada no item anterior.
Rentabilidade mensal hipotética do fundo dez
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
1,03
1,08
1,16
1,10
1,06
1,21
1,23
0,98
1,10
1,14
1,13
1,11
Pode-se, portanto, calcular a rentabilidade acumulada líquida de imposto de renda para os doze meses apresentados: Rentabilidade bruta até o primeiro come-cotas: (((1+0,0103)(1+0,0108)(1+0,0116)(1+0,011)(1+0,0106))1) × 100 = 6,83% Rentabilidade líquida = Rentabilidade bruta (6,83%) × 1 alíquota aplicável (15%) = 5,80% Rentabilidade bruta até o segundo come-cotas: (((1+0,058)(1+0,0123)(1+0,0098)(1+0,011)(1+0,0114)(1+0,0113) (1+0,0111))1) × 100 = 13,08%
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Veja o efeito perverso do come-cotas: A rentabilidade bruta após o segundo período do fundo foi de 13,08% e de um título de renda fixa, cuja rentabilidade mensal tivesse sido igual à do fundo, teria sido de 14,18%, conforme já calculado no item anterior deste mesmo capítulo. Veja esse raciocínio aplicado na prática para um fundo DI que rendeu 90% do CDI desde o início do Plano Real e um CDB que foi renovado a cada três anos. Enquanto no primeiro caso houve cobrança de imposto de renda somente nas renovações, no fundo, o pagamento de imposto de renda foi devido semestralmente, abalando a rentabilidade líquida.2 Observe o gráfico que se segue: R$1.000,00 aplicado desde início do Plano Real até junho de 2008, líquido de imposto de renda
10.000,00
R$ 9.970,42
R$ 9.583,37
CDB 90% CDI
Fundo 90% CDI
7.000,00
4.000,00
1.000,00
Nele podemos ver que R$1.000,00 aplicado no CDB se transformou, líquido de imposto de renda, em R$9.970,42. Já o mesmo valor aplicado num fundo que rendia o mesmo tanto, virou R$9.583,37. Essa diferença de R$387,05 foi devido, exclusivamente, à metodologia de cobrança de imposto de renda dos fundos, ao sistema de come-cotas. 2Apesar de ter ocorrido mais de uma alteração no cálculo do imposto de renda durante o período, variando alíquotas e prazo do come-cotas, que chegou a ser mensal numa época, para fins de comparação foi considerada apenas a variação na legislação que entrou em vigor em 1o de janeiro de 2005, que mudou a alíquota de 20% para 15% para aplicações de mais de dois anos, o que é o caso deste estudo.
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Conclusões: 1. A rentabilidade acumulada líquida de imposto de renda em um fundo de investimento não pode ser calculada tendo por base a rentabilidade acumulada bruta do fundo. Isso ocorre por se tratar de juros compostos, em que a relação é exponencial. Em outras palavras, o come-cotas é perverso para a rentabilidade de um fundo de investimento, pois você deixa de ganhar rentabilidade em cima de uma parcela dos juros. 2. No quesito imposto de renda, o CDB leva vantagem sobre um fundo de investimento com come-cotas.
CHEQUE ESPECIAL VERSUS RESGATE DE APLICAÇÃO Algumas pessoas já me confidenciaram que, quando não têm dinheiro na conta, entram no cheque especial, mesmo tendo investimentos. A lógica delas é que se resgatarem da aplicação, não irão repor depois o valor resgatado. Tal atitude não é saudável. Enquanto sua aplicação está rendendo, digamos, 1,0% a.m., já descontado o imposto de renda, você estará pagando de juros no cheque especial algo na casa dos 7,64%3 no mesmo período. Em outras palavras: de cada R$1 mil aplicados, você recebe R$10 de juros por mês líquido, enquanto paga R$76,40 de juros. Conclusão:
Nunca assuma uma dívida se você tem dinheiro para pagar. Fique fora do pagamento de juros, que só come o seu dinheiro, principalmente de dívidas em cheque especial e cartão de crédito, em que a taxa de juros é muito alta. Caso vivencie uma emergência, faça um empréstimo pessoal no banco, mas evite entrar no cheque especial. Se você estiver todo enrolado no cheque especial, ainda assim negocie com seu banco e troque seu saldo devedor por um empréstimo, em que os juros chegam à metade da taxa do cheque especial e do cartão de crédito.
3 Taxa do cheque especial em março de 2004, divulgada no site do Banco Central do Brasil.
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RENTABILIDADE DA PREVIDÊNCIA PRIVADA Ao fazer um plano de previdência privada, preste atenção na taxa de carregamento, que pode variar em até 10%. Veja só o estrago que ela causa na rentabilidade do produto. Suponhamos uma contribuição mensal de R$100,00 num PGBL com taxa de carregamento de 5% e cuja rentabilidade anual tenha sido de 15%. Valor da contribuição = R$100,00 () Taxa de carregamento = R$5,00 Valor aplicado no fundo = R$95,00 Rentabilidade = 15% Valor atualizado = R$ 95,00 + (95,00 × 15%) = 109,25 Como você contribuiu com R$100,00, sua rentabilidade efetiva foi de 9,25%, ou (((109,25 ¸ 100,00)1) × 100). CONCLUSÃO: Para o cálculo da rentabilidade efetiva do que você con-
tribuiu para os planos de previdência, retire o efeito da taxa de carregamento, que tem sinal negativo sobre a sua rentabilidade no produto.
TAXA DE JUROS REAL Tive uma cliente há tempos que gostava de viver com os juros reais de seus investimentos. Todo mês eu fazia a conta e lhe enviava o valor real de seus rendimentos. Esse cálculo é simples, mas muitas vezes feito de forma equivocada. Suponha que sua carteira tenha rendido 1,53% no mês de maio de 2003, e que a inflação no período, medida pelo IGP-M, tenha sido 0,57%. Dada uma alíquota de imposto de renda de 20% sobre o rendimento, tem-se: 1,53% = 0,0153 0,57% = 0,0057
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Aqui, como no caso das rentabilidades acumuladas, também não podemos simplesmente diminuir 0,57 de 1,53. Temos que tirar o efeito de um valor sobre o outro, procedendo conforme o cálculo que se segue: TNB = Taxa nominal bruta = 1,53% TNL = Taxa nominal líquida TRL = Taxa real líquida IGP-M = 0,57% Alíquota imposto de renda = 20% 100% 20% = 80%, ou 0,80 TNL = TNB × 0,80 TRL = (((1 + TNL) ¸ (1 + índice inflação)) 1) × 100 Aplicando-se a fórmula acima nos dados, encontra-se: TNL = 1,53% × 0,80 = 1,22% = 0,0122 TRL = ((1 + 0,0122) ¸ (1 + 0,0057) 1) × 100 = 0,65% No caso de minha cliente, supondo que o valor que ela tivesse investido fosse de R$500.000,00, nesse mês, especificamente, eu teria resgatado de suas aplicações e creditado em sua conta corrente o valor de: R$500.000,00 × 0,65% = R$3.250,00 e o restante da rentabilidade teria continuado aplicado, de tal forma que o dinheiro não perdesse seu valor no tempo para a inflação. CONCLUSÃO: Para achar a rentabilidade real, descontados os efeitos da
inflação, ou de outro indexador que você goste de usar, como o dólar, por exemplo, não diminua sua rentabilidade pela inflação. Nesse caso, deve ser usada a divisão.
OUTRAS CONTAS Posso ficar aqui fazendo outras tantas contas, mas acredito que essas são as mais importantes para quem está preocupado com o investimento. Se você quiser calcular, por exemplo, quanto tem que aplicar mensalmente com
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uma taxa de juros específica, durante um prazo x, irá precisar de uma calculadora financeira ou de uma tabela financeira. Nesse caso, se você não tiver esse conhecimento específico, sugiro que utilize o site do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br). Clicando em Serviços ao cidadão você encontrará a opção Calculadora do cidadão, que oferece as seguintes possibilidades: 1. 2. 3. 4.
5.
Aplicação com depósitos regulares caso de PGBL/VGBL ou prestações. Conversão de moedas pode-se inclusive especificar datas passadas. Correção de valores corrige valores pela poupança, TR e diversos índices de inflação. Financiamentos com prestações fixas muito útil para ver o custo final total no caso de financiamentos, pois a taxa de juros anunciada não inclui impostos nem alguns custos fixos. Valor futuro de um capital calcula qualquer um dos seguintes itens com base em juros compostos: número de meses, taxa de juros mensal, capital atual ou valor futuro.
O site do Banco Central é muito útil em diversos aspectos, já que apresenta muitas informações para você, investidor. Vale a pena navegar e conhecer sua utilidade.
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CAPÍTULO 12
ORGANIZANDO A HERANÇA
N
unca me esqueci da história de Paulo Cesar. Era um homem com grande patrimônio e, quando morreu, sua esposa não tinha ciência do patrimônio do marido e foi tudo muito complicado até ela conseguir organizar a lista dos imóveis, das contas bancárias e os documentos de tudo para providenciar o inventário e a venda de pelo menos um imóvel para pagar as despesas do dia-a-dia. Organizar a herança, entretanto, não é um privilégio para ricos. Deve-se, sim, independentemente do patrimônio, pensar em como queremos que nossos bens sejam divididos e procurar protegê-los de herdeiros gastadores. Vou contar uma historinha para você. Ruth era uma amiga da família, aposentada. Solteira, morava num apartamento conjugado em Copacabana, no Rio de Janeiro. Seus únicos parentes eram uns sobrinhos que só apareciam na sua casa para pedir dinheiro ou na época do réveillon, para que pudessem curtir a festa da passagem de ano na praia. Ruth tinha uma grande amiga de muitos anos, que cuidou dela quando ficou doente, no fim de sua vida. Meses antes de morrer, indignada pelo descaso de seus parentes, mandou chamar um tabelião e fez um testamento, deixando o pouco que tinha para sua amiga, que sempre esteve a seu lado, desde que se conheceram, há mais de 40 anos.
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Ruth, dessa forma, preservou sua vontade. Foi uma forma de agradecer à amiga pelo carinho que esta lhe dedicou durante tanto tempo e, principalmente, nos últimos anos. Nesse caso, Ruth deixou tudo organizado, mas há casos de pessoas que têm muitos imóveis e nenhum ativo financeiro ou seguro de vida. Assim, quando morrem, sua família não tem como pagar suas despesas num primeiro momento, por isso alguns cuidados são importantes, independentemente da idade que temos. Aliás, quanto mais jovem, mais atenção devemos ter nesses assuntos, pois aos 80 anos certamente não temos mais dependentes crianças, o que não ocorre quando somos muito jovens. Muita gente não gosta de falar de morte; acha que é mau agouro, entretanto a morte é a única certeza que temos nesta vida. Como dela não temos como escapar, a melhor coisa é nos prepararmos para deixar nosso patrimônio bem organizado, não causando nenhum transtorno para nossos herdeiros. Veja o que ocorreu com uma senhora simplesmente porque não queria falar sobre essas coisas com o seu pai que estava doente.
Glorinha era uma senhora de família muito conservadora. Nunca havia trabalhado. Sua vida se resumiu a fazer companhia e cuidar dos pais. Uma senhora muito bem educada, bom papo, de bom coração, mas de educação financeira e da vida prática muito longe da ideal. Quando seu pai tinha mais de 90 anos, já doente, falou que estava preocupado com a situação dela depois de sua morte, que seria importante checar se estava tudo certo para ela receber a pensão como sua dependente. Mas como uma senhora educada nesses moldes poderia falar com o pai sobre coisas que envolviam morte e dinheiro? Imediatamente ela afastou qualquer assunto sobre essas coisas tristes, dizendo ao pai que ele não deveria se preocupar com esses assuntos.
Você quer saber o que aconteceu com Glorinha depois da morte do pai? Foi dar entrada na Marinha onde seu pai era funcionário civil para receber a pensão, e ela não tinha direito, pois ele não havia feito sua designação como beneficiária. Resultado: ela teve que entrar na justiça para tentar receber a pensão e o caso ainda não foi resolvido, já tendo se passado dois anos do falecimento de seu pai. Felizmente havia uma poupança com
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a qual ela estava se ajeitando, mas só Deus sabe até quando essa poupança vai ser suficiente para pagar seus custos. Tudo isso poderia ter sido evitado caso o assunto tivesse sido tratado com naturalidade no passado. Dada a importância do tema, e por já ter vivenciado muitos casos de má condução nessa área, foi que busquei reunir, a seguir, alguns pontos que merecem ser considerados, de modo a deixar o pouco ou o muito que temos organizado para aqueles que queremos bem e com quem nos preocupamos.
SENDO TRANSPARENTE E EVITANDO CONFUSÃO Nada como ser transparente e organizado. Confidencie a alguém que você pode contar e que tenha senso prático mãe, esposa(o), amigo(a), filho(a) tudo o que você tem e instrua essa pessoa a como proceder no caso de sua falta. Deixe por escrito em local sabido por essa pessoa uma lista com tudo a que seus herdeiros têm direito a receber no caso de seu falecimento: quem devem procurar, seus seguros de vida, tudo enfim. Apresente também essa pessoa para seu gerente de conta. Isso pode ser de grande valia depois, uma vez que seu gerente já vai estar ciente de que não se trata de um impostor, interessado apenas em seu dinheiro.
CONTA CONJUNTA: COMO FUNCIONA Ter conta conjunta é muito importante não apenas em caso de falecimento. Imagina se você fica doente e incapacitado de movimentar sua conta bancária! Como será possível sacar dinheiro do banco para pagar as despesas médicas? Por isso, ao abrir uma conta no banco, procure sempre que possível manter uma conta conjunta. A conta conjunta solidária tem também vantagens em caso de falecimento. Nessas ocasiões, a prática bancária é a de que o co-titular da conta pode continuar a movimentar a conta normalmente, conforme o contrato de abertura de conta conjunta, minimizando os custos legais caso o dinheiro e as aplicações vinculadas a essa conta tenham que passar por processos judiciais caros e morosos para sua liberação. Entretanto, em caso de haver herdeiros, esse titular, ao sacar os valores disponíveis, responderá judicialmente pelo ato, pois os herdeiros poderão solicitar extratos com a movimentação da conta.
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SEGURO DE VIDA Um bom seguro de vida ajuda muito caso você não tenha ativos financeiros que possam cobrir as necessidades de seus dependentes pelo menos para os primeiros 12 meses depois de seu falecimento. Além disso, comprar um seguro de vida é uma forma disciplinada de fazer uma poupança para seus familiares, pois você terá que contribuir todo mês para manter seu seguro ativo. Hoje em dia existem seguros de vida resgatáveis, nos quais, após certo tempo, você pode resgatar parte do dinheiro corrigido caso o seguro não seja mais necessário. Vale a pena checar no mercado. Contate um corretor cadastrado na SUSEP. Os grandes bancos também oferecem seguro de vida. Informe-se com seu gerente. Além das despesas de manutenção dos beneficiários, um seguro de vida pode ser muito útil em diversos outros casos com os quais não costumamos atinar: n Ajuda no pagamento do imposto de transmissão e custos advocatícios dos bens arrolados no inventário. n Pode ser utilizado para cobrir saldos devedores ou crediários assumidos pelo falecido. n Quando o falecimento ocorre em outra cidade, pode haver necessidade do pagamento de traslado do corpo. n Despesas incorridas pelos familiares para pagar despesas médicas que não caibam no orçamento. Não restam dúvidas; um seguro de vida é essencial para dar tranqüilidade à nossa família. Os seguros de vida normalmente cobrem também casos de invalidez permanente, o que é de enorme valia, principalmente para os autônomos, que contam apenas com seu trabalho para pagar suas despesas.
TESTAMENTO: UM CUIDADO ESPECIAL Além dos cuidados básicos citados, você pode desejar fazer um testamento. É comum desejarmos proteger alguém em particular que precisa de ajuda e
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que merece nosso reconhecimento. Dessa forma, um testamento pode resolver a questão. Veja esse caso real:
O Sr. Luis foi um português que deu muito duro na vida e que morreu de repente, deixando toda a sua fortuna para seu único filho, Roberto, e sua esposa, Adriana, mãe de Roberto, que era um gastador compulsivo. Em poucos anos, Roberto perdeu tudo o que herdara, ficando apenas com dívidas. Tudo o que lhe restou foi um apartamento de três quartos na Tijuca e uma casa em uma vila no Méier, bairros de classe média no Rio de Janeiro. Sem a fortuna para administrar, de patrão Roberto voltou a ser empregado de uma empresa. Ao completar 60 anos, Roberto foi mandado embora. Seus filhos logo ficaram preocupados com a situação, dado que a fonte de renda da Dona Adriana era o aluguel da casa do Méier e da vaga de garagem no prédio onde moravam. Sabedora da fraqueza do filho, Dona Adriana foi orientada e preparou um testamento, deixando o apartamento para seu filho, com cláusulas de incomunicabilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade, e a casa do Méier para os netos, com usufruto vitalício de seu filho.
O que fez Dona Adriana? Em primeiro lugar, ela fez o que podia ser feito naquela ocasião: ouviu seu coração de mãe, mas pensou com a razão. Depois, tomou uma atitude concreta, não esperando um milagre que mudasse a maneira como seu filho levava a vida. Ela procurou ajuda de um advogado e testou a metade de seus bens para seus netos, mas garantiu a seu filho o uso e os ganhos que o imóvel do Méier viesse a render. Dessa maneira, Roberto poderia alugar a casa, ganhar dinheiro para seu sustento e, caso fosse muito necessário, e se seus três filhos concordassem, a casa poderia ser vendida, bastando que ele abrisse mão do usufruto a que tinha direito. Em outras palavras, vender esse imóvel não era impossível, apenas difícil, pois tinha que haver a conivência das quatro pessoas envolvidas. Com o outro imóvel, o apartamento da Tijuca, as cláusulas de incomunicabilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade garantiam uma moradia para seu filho e a preservação do imóvel para seus netos, aos quais ela desejava todo o bem do mundo. Caso Roberto viesse a falecer depois dela,
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o apartamento não se comunicaria com uma possível nora, ou seja, a nora não teria direito a esse bem, nem ele poderia penhorá-lo para conseguir um empréstimo ela tinha pavor que isso viesse a acontecer tampouco vender o bem. Estava preservado o patrimônio e garantida uma renda mínima (o aluguel da casa do Méier) para seu filho. O testamento é feito na presença de um tabelião e pode ser do tipo cerrado. Neste caso, não tem como um estranho saber se você fez e qual o conteúdo do testamento, o que algumas vezes acontece quando se tem uma fortuna mais elevada e disputa entre alguns herdeiros. Conheço uma senhora muito rica, Dona Marlene, que foi obrigada a refazer seu testamento na forma cerrada por causa de suas noras, que foram reclamar com ela do conteúdo do testamento, uma vez que beneficiava determinadas pessoas em detrimento de outras. Um testamento cerrado, nesse caso, pode ser muito útil, afinal, desde que obedeça às regras da lei brasileira quanto à herança, que garante 50% de seus bens para seus herdeiros necessários (descendentes e ascendentes) e para o cônjuge meeiro, quando o caso, os outros 50% a parte disponível pode ser testada para quem você desejar. Caso você deseje fazer um testamento, consulte um advogado para ter certeza de que foi tudo feito na conformidade do texto da lei, o que evitará muita dor de cabeça para seus herdeiros e legatários.
DOAÇÃO EM ADIANTAMENTO DE LEGÍTIMA A doação em adiantamento de legítima é uma forma legal de doar em vida parte ou todo o seu patrimônio, que posteriormente caberá a seus herdeiros. Neste caso, é necessária a outorga uxória dos demais herdeiros e meeiro(a). Em outras palavras, os herdeiros necessários e meeiro(a) têm que assinar o documento de doação, mostrando anuência ao fato. Esse mecanismo legal pode ser muito útil, evitando custos posteriores para os herdeiros com advogados e custas processuais de inventários; contudo, cuidado! Existem casos de pais que doam seus bens para os filhos e depois terminam seus dias sem nada, às vezes não por mau-caratismo dos filhos, mas por maus negócios ou envolvimento com terceiros que desencadeiam uma perda do patrimônio.
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Há também casos de pais que doam em vida suas participações acionárias em empresas e se elegem diretores; entretanto, devido a interesses pessoais dos filhos, estes acabam afastando o pai da administração do negócio em prol de uma visão pessoal de gestão. Assim, vale a pena toda a cautela na hora de doar seu patrimônio para aqueles que hoje merecem sua atenção. Existem casos interessantes, e este que cito a seguir me chamou especial atenção.
O Sr. Hinsz fez um adiantamento de legítima. Era um homem muito organizado. Doara todo o seu patrimônio financeiro para os três filhos e documentou tudo, entregando, inclusive, uma cópia a seu gerente do banco, que a arquivou na pasta do cliente. Quando de sua morte súbita, eu, na ocasião sua private banker,1 fiquei muito preocupada, pois era uma grande quantia. Um de seus filhos me procurou, me mostrou cópia do documento que havia sido entregue ao private banker anterior e, após consulta ao jurídico do banco, a titularidade da conta foi alterada, sem necessidade de burocracia ou inventário. O documento dizia que o Sr. Hinz doava aquele dinheiro em vida para seus três filhos, na sua totalidade, e que este seria depositado naquela conta corrente conjunta solidária, daquele banco, em nome dele e da esposa, e que seria investido, cabendo também os rendimentos a seus filhos. Essa foi, sem dúvida, uma ótima maneira de resolver o problema, sem prejuízo de seus herdeiros.
Apenas um último comentário: consulte um advogado caso você deseje fazer um adiantamento de legítima. Informe-se de que esta é a melhor forma jurídica que atende à sua necessidade específica.
HERDANDO DÍVIDAS Muita gente pensa que, no caso de morte, cessam as dívidas. Isso pode ser verdade em certos casos, mas não vale como regra geral. Muitas vezes os contratos de empréstimos e financiamentos ficam atrelados a um seguro 1 Gerente de investimento do Private Bank, onde grandes clientes investidores são atendidos no banco.
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que cobre o pagamento do saldo devedor em caso de falecimento, por isso é preciso que os herdeiros analisem cada contrato para se certificar da possibilidade de quitação do empréstimo ou negociar a devolução do bem. Conforme reportagem de Danielle Borges para o Jornal do Comércio,
(...) em caso de falecimento do chefe de família, a quitação de parcelas de créditos pessoais, cartão de crédito e compras a prazo com carnês não é obrigação dos herdeiros, mas financiamentos de carros e imóveis dependerão dos contratos.
A reportagem traz uma lista de cuidados especiais que os herdeiros têm que ter para evitar transtornos. Confira:
O que fazer para não ter problemas com as dívidas: n Verificar os contratos, quando houver. n Notificar as empresas credoras sobre o óbito do contratante do financiamento. n Abrir inventário e, se necessário, incluir quantias que deseja recuperar, referentes a parcelas já pagas de financiamentos. n Enquanto a decisão da justiça não sair, pagar em juízo o valor das parcelas cobradas.
Cheque os contratos de: n Financiamento de imóveis. n Financiamentos de carros. n Impostos devidos. n Dívidas no cartão de crédito. n Parcelas referentes a créditos pessoais. n Contribuições de associações ou clubes. n Dívidas no cheque especial.
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ORGANIZANDO A HERANÇA
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Milton Zlotnik, advogado especializado em defesa do consumidor e direito de família, citado no referido artigo, alerta para as dívidas que não são dos herdeiros em nenhuma hipótese, como financiamentos com carnê ou promissórias, e sem contrato, créditos pessoais tomados em instituições financeiras, carro comprado de um amigo e dívidas no cartão de crédito, pois são dívidas muito pessoais e que não foram feitas, teoricamente, em benefício de toda a família, principalmente quando não existem contratos. Caso a família seja pressionada a pagar a dívida do falecido, sempre há a possibilidade de negociação na justiça com a empresa credora, principalmente quando a família tem como comprovar que não tem condições financeiras de manter o pagamento das parcelas.
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CAPÍTULO 13
ALOCANDO O PORTFOLIO
V
ez por outra me perguntam: Qual a melhor aplicação no momento? Se você começou a ler este livro do início, já está entendendo de muita coisa sobre investimentos e certamente será capaz de responder que depende de um conjunto de variáveis, que passam por seu perfil de risco, seu patrimônio atual, suas necessidades de caixa e mais outros fatores. Sendo capaz de responder a essa pergunta, pode começar a organizar suas finanças de forma estruturada, o que lhe permitirá otimizar sua vida financeira, não incorrendo em riscos desnecessários ou deixando de ganhar dinheiro por medo de perder tudo. Neste capítulo, você vai preparar um Plano de Alocação de Portfo1 lio, determinando o mix de produtos de investimento para a sua situação atual. Ele é particular, para este momento de sua vida, e levará em consideração todos os pontos tratados anteriormente e mais alguns outros. O desenvolvimento de um Plano Pessoal de Alocação de Portfolio é uma abordagem disciplinada e sistemática em investimentos. Seu objetivo é determinar como seus investimentos podem ser alocados, dentre as opções disponíveis. Este depende de seus objetivos financeiros, horizonte de investimento, tolerância a risco e situação financeira atual. Determinar seu mix de produtos é a síntese do processo.
1 Ou Plano de Alocação de Ativos ou de Carteira.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Estatisticamente é comprovado que o Plano de Asset Allocation é responsável por 91,50% da performance de sua carteira de investimentos, logo, é um item que merece atenção. É mais importante definir o que caberá a cada grande grupo de investimentos, como renda fixa, renda variável, mercado imobiliário e empresarial, do que o detalhe de cada grupo. Optar, por exemplo, por ações da Petrobras em vez de Vale do Rio Doce é considerado menos relevante para rentabilizar o portfolio. É importante mencionar, ainda, que um Plano de Alocação de Portfolio prevê uma diversificação dos investimentos que, quando bem-feita, pode protegê-lo contra muitos riscos. Ganhos em um investimento podem sobrepujar perda em outros. Por fim, cabe aqui um parêntese. O plano deve ser reavaliado periodicamente, pois nossas necessidades, momentos de vida pessoal e as variáveis de mercado que levamos em consideração são passíveis de mudanças. O processo envolve quatro etapas, demonstradas por Reilly e Brown (1997), na figura que se segue:
Processo de alocação de portfolio
Não se assuste. Pode parecer complicado, mas não é. Como tudo na vida, um passo de cada vez e primeiro as primeiras coisas.
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155
DEFINIÇÃO DA POLÍTICA DE INVESTIMENTOS É hora de você traçar seu Demonstrativo Financeiro Pessoal, definir suas necessidades futuras de caixa e seu perfil de investidor. Utilize as tabelas que se seguem, ou acesse o site da editora. Todo processo de otimização requer conhecimento profundo do que se pretende melhorar. Assim, comece por você; conheça sua real situação de vida; saiba seu valor financeiro e não se preocupe se o resultado não o agradar. Pense que somente os descontentes buscam aperfeiçoamento. Precifique os ativos por seu valor de mercado, sem o imposto de renda que lhe couber. Procure ser conservador em suas estimativas. Converta para reais suas aplicações em moedas estrangeiras.
Demonstrativo financeiro pessoal Ativo (A)
R$
Passivo (B)
*
Caixa em Reais
Contas a Pagar
*
Caixa em Moeda Estrangeira
Saldo Devedor Carro
Seguros a Receber
Saldo Devedor Imóveis
Outros Valores a Receber
Outros Saldos Devedores
*
Poupanças
Dívidas Bancárias
*
CDBs
Dívidas com Cartões de Crédito
*
Títulos de Renda Fixa
Dívidas com Lojas
*
Fundos de Renda Fixa
Outras Dívidas
*
Invest. Exterior Renda Fixa
*
Fundo Cambial
*
Títulos Cambiais
*
Ações
*
Fundos de Renda Variável
*
Investim. Exterior Rda. Variável
*
R$
Total do Passivo
Patrimônio Líquido (A B)
Outros Fundos de Investimento Fundos de Previdência
Total do Patrimônio Líquido
Automóveis Imóveis Participação em Empresas Obras de arte Ouro Jóias Total do Ativo Obs.: No ativo ficam todos os seus investimentos, poupanças e o que você tem a receber. No passivo fica tudo que você tem a pagar, o que você deve.
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156
Seu patrimônio líquido é negativo? É hora de repensar sua vida e a maneira como você gasta dinheiro. Faça um resumo dos ativos que listou anteriormente no quadro a seguir:
Alocação atual de seu portfolio Ativo
R$
% do patrimônio total
Mercado financeiro Mercado imobiliário Mercado empresarial Obras de Arte, Jóias, Outros Total
100%
Rearrume suas aplicações no mercado financeiro, conforme quadro a seguir:
Divisão do ativo financeiro R$
% do ativo financeiro
Investimento em moedas (real, dólar, outras) Renda Fixa Atrelada ao CDI, IGP-M ou TR Renda fixa prefixada Atrelada ao dólar Total da Renda Fixa Renda Variável Ações Fundos de ações Total da Renda Variável Derivativos Total do Ativo Financeiro *
100%
* Igual ao somatório de todos os itens assinalados com * no demonstrativo financeiro pessoal.
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157
O próximo passo é averiguar suas necessidades de caixa. Um planejamento efetivo vislumbra os próximos 12 meses. Liste todas as suas despesas e receitas. Chegue o mais próximo possível da realidade. É comum calcular as despesas apenas pelos custos maiores e fixos e muitas vezes esquecemos de gastos com itens como manicure, tarifa bancária, anuidade do cartão de crédito, entre outras. Esses pequenos gastos fazem a diferença. Veja só dois exemplos: Valor médio mensal aproximado de tarifa de manutenção de conta corrente: R$18,00. Logo, em um ano você gasta: R$18,00 × 12 = R$216,00. Esse é o custo médio de cada conta corrente que você mantém: R$216,00 por ano! Observe bem o caso da manicure: Analise a tabela que se segue:
Custo da manicure Periodicidade do serviço
Custo R$
Embelezamento mão
Semanal
8,00
R$8,00 × 52 = R$416,00
Embelezamento pé
Semanal
12,00
R$12,00 × 52 = R$624,00
Descrição
Custo anual total
1 ano = 52 semanas
R$1.040,00
O quadro acima nos remete à seguinte conclusão:
De grão em grão a galinha enche o papo. Por isso, junte suas contas de luz, gás, telefone e tantas outras contas para não errar. Esse é um trabalho que pode tomar tempo, mas de grande valia, principalmente para repensar a maneira como você gasta dinheiro. Sentando para fazer esse trabalho uma vez com um cliente, ele se assustou com o tanto que gastava e finalmente descobriu por que não conseguia sair do cheque especial. Ele nunca havia listado suas despesas e comparado com suas receitas. Foi um trabalho muito interessante, que o ajudou a reestruturar sua vida financeira, o que acabou refletindo em sua vida pessoal.
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Total de Entradas de Caixa (K)
Outras entradas
Venda de ações
Venda de participação em empresas
Venda de imóveis
Herança
Fundo de pensão
FGTS
Rescisão contratual
Dividendos de ações
Retirada como sócio de empresa
Pensão INSS ou outro órgão
Pensão alimentícia
Aposentadoria
Serviços prestados
Juros de aplicações financeiras
Aluguéis
Salário
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Projeção de entradas de caixa para os próximos 12 meses Mês 9
Mês 10
Mês 11
Mês 12
Outros
Taxa de incêndio
Coleta de lixo
Água/esgoto
Telefone móvel
Telefone fixo
Gás
Energia elétrica
Serviços públicos
Outros
Seguros
Reparos e manutenção
IPTU
Condomínio
Aluguel/financiamento
Moradia
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Mês 9
Definição de necessidades: Fluxo de caixa Projeção de despesas pessoais atuais e para os próximos 12 meses Mês 10
Mês 11
Mês 12
Lavanderia
Vestuário
Estética
Alimentação
Despesas pessoais
Outros
Aluguel de vaga de garagem
Transporte público/táxi
Seguro de carro
Financiamento de carro
Manutenção
Estacionamento
Combustível
Transporte
Outros
Passagem de empregados
INSS de empregados
Diaristas/motoristas
Salário de empregados fixos
Empregados domésticos
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Mês 9
Mês 10
Mês 11
Mês 12
Outros
Livros/material escolar
Cursos avulsos
Mensalidades
Educação
Outros
Medicamentos
Terapia
Dentista
Médicos
Plano de saúde
Saúde
Outros
Internet (provedor + banda larga)
TV a cabo
Assinaturas de jornais/revistas
Férias
Hobbies
Lazer/restaurantes
Despesas pessoais (continuação)
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Mês 9
Mês 10
Mês 11
Mês 12
IPTU
Condomínio
Aluguel/financiamento
Casa de veraneio
Outros
Outros impostos
IPTU
Telefone
Manutenção
Papelaria
Taxas
Condomínio
Secretária
Aluguel
Escritório (caso de autônomos)
Outros
Juros
Renovação de cheque especial
Anuidade de cartão de crédito
Manutenção de conta corrente
Bancos
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Mês 9
Mês 10
Mês 11
Mês 12
Total de despesas
CPMF (a) x 0,38%
Outras
Pensão alimentícia
Seguros (vida, outros)
Despesas extraordinárias
Presentes
Contribuições/donativos
Empréstimos pessoais
Carnê leão
INSS
Previdência privada
Clubes/associações
Diversos
Coleta de lixo/outros
Água/esgoto
Telefone fixo
Gás
Energia elétrica
Seguros
Reparos e manutenção
Casa de veraneio (continuação)
Item
Total R$
Mês 1
Mês 2
Mês 3
Mês 4
Mês 5
Mês 6
Mês 7
Mês 8
Mês 9
Mês 10
Mês 11
Mês 12
164
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Faça um resumo de seu fluxo de caixa para os próximos 12 meses com base nas tabelas anteriores. Aqui você poderá planejar sua poupança.
Necessidades de caixa Próximos 12 meses R$
Média mensal R$
Entrada de caixa Despesas Fluxo líquido de caixa
Ressalte suas necessidades específicas, descrevendo inclusive qual o indexador a ser usado, quando o caso. Estas servirão como um lembrete na hora de montar seu Plano de Alocação de Portfolio. Podem ser listadas prestações intermediárias de apartamentos, compra de carro, viagens e outros grandes itens específicos. Anote o valor junto com sua descrição e o prazo em que essa quantia será necessária.
Necessidades de caixa específicas Prazo/data
R$
Descrição
Horizonte de investimento Com base na informação que você agrupou, é hora de pensar em seu horizonte de investimento. Separe metas e valores e determine prazos para cada valor; por exemplo, suponhamos que: Daqui a oito meses você pretende trocar de carro e que, do que tem em caixa hoje, precisa separar R$8 mil para este prazo. 2. Em três anos você quer comprar uma casa, e do seu patrimônio, quer reservar R$30 mil para esse prazo. 1.
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3.
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Todo seu dinheiro restante será alocado para sua aposentadoria, prevista para daqui a 20 anos.
Em outras palavras, do que você tem em caixa hoje, quanto pretende alocar para que prazo, ou melhor: qual seu horizonte de investimento?
Horizonte de investimento Horizonte
R$
%
Curto prazo Médio prazo Longo prazo 100%
Perfil do investidor Utilize o resultado de seu teste de perfil de risco do Capítulo 2 e transcreva-o para cá. o
Conservador
o
Moderado
o Agressivo
LEMBRE-SE: Conservador 100% em renda fixa; Moderado até 30% em
renda variável; Agressivo acima de 30% em renda variável.
Objetivos É importante ter objetivos na vida. O que pretendo com minha poupança? Aonde quero chegar? Pretendo juntar dinheiro para a aposentadoria mas sem sacrificar demais meu consumo hoje? Ou vale tudo por um futuro sem sobressaltos? Anote aqui seus objetivos financeiros e quando pretende atingi-los: Prazo/data
Meta R$
Descrição
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166
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
CENÁRIOS A próxima etapa se resume em buscar informações sobre os cenários macroeconômicos. Peça ajuda a um economista ou utilize as seguintes fontes: n Relatórios mensais de bancos e administradoras de recursos. n Site do Banco Central do Brasil. O link www.bcb.gov.br/?FOCUS MERC traz as expectativas do mercado quanto a diversos indicadores econômicos. n Jornais e revistas. n Sites sobre finanças, como o www.investshop.com.br, por exemplo. n Sites dos bancos. Cheque as tendências de taxas de juros, inflação, dólar e Bolsa. Informe-se também sobre o que está acontecendo no Congresso Nacional. Quais as reformas, emendas e aprovações em curso? Estas beneficiarão o país? Não se esqueça de procurar a tendência do crescimento da economia e do nível de desemprego; lembre-se de que um país em crescimento significa um país com emprego, o que, por sua vez, significa renda, gera consumo, gera riqueza e é bom para as empresas e tudo o que é bom para as empresas, é geralmente bom para o acionista, que se traduz nos índices de Bolsa, como o IBOVESPA. Se você tiver dificuldades nesta parte, busque assessoria junto a um consultor financeiro ou peça a seu gerente de banco que lhe passe as informações disponíveis pelas áreas técnicas da instituição. Conhecidas as tendências econômicas, é hora de se informar sobre os produtos oferecidos pelos bancos e pelas administradoras de recursos. Atenção: não opere com muitos bancos; lembre-se de que quanto mais espalhar seu dinheiro, menos dinheiro você terá em cada banco, o que diminui seu poder de barganha. Pior se o seu interesse em abrir mais contas estiver por conta de uma ampliação de sua linha de crédito total. Saiba que o cheque especial deve ser apenas utilizado por pouquíssimos dias não é um produto para ser usado por prazos maiores. Se esse é o seu caso, reorganize-se. Durante a busca de onde investir ou onde manter uma conta corrente, compare os seguintes itens:
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ALOCANDO O PORTFOLIO
167
n Rentabilidade dos produtos Dificilmente um banco será imbatível em todos os produtos. Todos os gestores de recursos são muito bem informados e a probabilidade de algum ter uma informação privilegiada sistematicamente é muito difícil. Vez por outra, eles trocam de posição no ranking de performance. n Tamanho da instituição Tem gente que tem restrição a banco pequeno, por exemplo. Tenha em mente que nem sempre tamanho é documento. Se você decidir aplicar diretamente numa Asset,2 informe-se da credibilidade da instituição e de seu processo de operação. Algumas pessoas preferem aplicar diretamente com a Asset, sem a interferência do banco, mantendo seu investimento bem apartado de seus recursos utilizados no dia-a-dia. Outras pessoas gostam de concentrar tudo numa instituição só, na qual, além da conta corrente e dos serviços bancários, podem ter seus investimentos. Faça o que lhe atender melhor. n Qualidade do atendimento Verifique que tipos de relatórios a instituição disponibiliza para você, quantos clientes seu gerente tem, se o acesso ao banco, tanto em termos reais como virtuais (via Internet banking) lhe atende. Há a possibilidade de seu gerente vir até você ou não? n Tarifas e taxas Suspeite dos free lunches.3 Isso não existe no mundo real. Sempre digo para meus clientes que banqueiro faz conta, aliás, ele é craque nesse quesito. Se um banco lhe oferecer ressarcir a CPMF para que você troque de instituição, pergunte logo o que ele vai exigir de você em troca. Cheque as tarifas e as taxas de administração dos fundos e dos produtos de previdência. n Riscos Antes de aplicar, pergunte sempre qual o risco de cada produto e se informe sobre a situação da instituição. Essa última informação especificamente pode ser obtida no site do Banco Central, que lista as instituições do mercado de acordo com seu tamanho. No site da ANBID pode ser obtida informação sobre as Assets. Solicite sempre os prospectos dos fundos de investimentos e leia-os atentamente antes de fazer sua aplicação. 2 Jargão no mercado para asset management (administradora de recursos). 3 Expressão idiomática em inglês que significa que não existe nada dado de graça.
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PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
n Rentabilidades bem acima da média Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O passado apenas indica como foi. Não se iluda com ganhos espantosos; produtos com retornos muito acima da média do mercado correm algum tipo de risco maior. Informe-se com o gerente. No caso de aplicações em ações, rentabilidades acumuladas muito altas podem indicar que é um bom momento para sair e não para entrar nesse mercado. Por fim, fica aqui um último e sábio conselho: aplique seu suado dinheiro numa instituição banco ou asset, grande ou pequena com a qual você se sinta confortável e seguro. Volto a bater na mesma tecla:
Dinheiro foi feito para dar prazer. Não adianta ir pela cabeça de um amigo seu e colocar seu dinheiro nas mãos de um fera do mercado se você não se sente confortável e prefere aplicar num grande banco, mesmo que a rentabilidade não seja das melhores. O importante é maximizar seus investimentos na instituição que você gosta de operar.
IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE ALOCAÇÃO DE PORTFOLIO Baseado nos dados levantados até aqui, trace seu plano de Plano de Alocação de Portfolio (Plano de Asset Allocation). Lembre-se de que Bolsa é dinheiro de longo prazo, do qual você não necessita nos próximos três ou quatro anos. Produtos com risco, como fundos agressivos que operem derivativos, têm horizonte de médio a longo prazos. Suas rentabilidades podem ser negativas em determinados meses, apresentando ganhos acima do mercado somente no longo prazo. Aplique em títulos de renda fixa os recursos destinados às necessidades de curto prazo. Lembre-se de que aplicações que acompanhem o CDI servem como proteção. Ao aplicar em um fundo de investimento, esteja de acordo com sua filosofia de investimentos. Imóveis devem ser vistos como diversificação e seu horizonte é de lon-
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 13 – EC-02
ALOCANDO O PORTFOLIO
169
go prazo. Moedas, como dólar ou euro, servem para hedge,4 não são consideradas investimento, apesar de poderem apresentar ganho em momentos pontuais. E não se esqueça de sua aposentadoria. Para se organizar, utilize a planilha que se segue ou acesse o site da editora.
Asset Allocation R$ Banco 1
%1
R$ Banco 2
%2
Soma % (1 + 2)
Mercado Financeiro Renda Fixa
Renda Variável
Fundos Mistos
Outros Produtos Financeiros Previdência Privada Seguros Resgatáveis
Mercado Imobiliário Mercado Empresarial Total
100%
4 Termo utilizado no mercado financeiro que significa proteção.
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 13 – EC-02
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
170
FEEDBACK Periodicamente reavalie a alocação de seu portfolio. O mercado é muito dinâmico. Use a tabela a seguir como base. Pode ser hora de aumentar ou diminuir seus investimentos em Bolsa ou de ficar quieto num fundo de curto prazo. Compare seu novo patrimônio líquido calculado com base no seu Demonstrativo Financeiro Pessoal e acompanhe o crescimento. Pode acreditar: com o tempo você será um exímio investidor e se sentirá orgulhoso do quanto progrediu no assunto, a ponto de não ficar nervoso quando Fátima Bernardes anunciar uma queda da Bolsa no Jornal Nacional. Você já terá entendido e assimilado a dinâmica do mercado e estará craque na administração dos riscos da sua carteira; conseguirá dormir tranqüilo mesmo em dias de turbulência no mercado.
Evolução do Demonstrativo Financeiro Pessoal (em R$)
Descrição
Data:
Data:
Data:
Data:
___/___/___
___/___/___
___/___/___
___/___/___
Ativo (A) Passivo (B) Patrimônio Líquido (A B) Variação Patrimonial Líquida (%)5
Pense se seu patrimônio líquido variou (cresceu) conforme você planejava. Caso negativo, busque seu erro e, caso o problema esteja na sua alocação do portfolio, refaça-a. Vivemos num mundo dinâmico e, às vezes, é necessário fazer alguns ajustes na carteira.
5 Para calcular a variação percentual do seu Patrimônio Líquido (PL), utilize a fórmula: Variação PL = [(PL na data n ¸ PL na data n 1) 1] × 100 Por exemplo: Suponha que seu PL na data 2 (n) seja de R$280.000,00, e na data 1 (n 1), seja de R$240.000,00. Neste caso, a variação do PL será de: Variação PL = [(R$280.000,00 ¸ R$240.000,00) 1] × 100 = 16,7%
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 13 – EC-02
ALOCANDO O PORTFOLIO
171
Revisão da Alocação de Portfolio (em R$) Data:__/__/__
%
Data:__/__/__
%
Data:__/__/__
Mercado Financeiro Renda Fixa ,
Renda Variável
Fundos Mistos
Outros Produtos Financeiros Previdência Privada Seguros Resgatáveis
Mercado Imobiliário Mercado Empresarial Total
100%
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 13 – EC-02
%
CAPÍTULO 14
COLHENDO OS FRUTOS DO CAPITAL INVESTIDO
V
ocê está chegando ao fim da leitura deste livro. Neste ponto, você já adquiriu muitos conhecimentos e é capaz de organizar seus investimentos; porém, antes de terminar, gostaria de deixar alguns recados adicionais sobre riqueza, de modo a ajudá-lo a pensar num objetivo maior do que o simples juntar e ficar rico. Primeiramente, aproveite os rendimentos de suas aplicações. Toda vez que você utilizar os rendimentos, sinta como se fosse um presente que você dá a você mesmo, afinal, você poupou durante um tempo, restringindo seu consumo, agora é hora de desfrutar o resultado de seu esforço. Depois, não se torne escravo do dinheiro. Ficar rico é muito bom, mas não pode ser o seu objetivo na vida. Como disse Michael Dell, dono da maior empresa de PCs do mundo, em entrevista exclusiva a Eduardo Salgado publicada nas páginas amarelas da revista Veja: Antes de mais nada, acho que querer ser milionário não é um bom objetivo na vida. Meu único conselho é: ache aquilo que você realmente ama fazer. Exerça a atividade pela qual você tem paixão. É dessa forma que temos as melhores chances de sucesso. Se você faz algo de que não gosta, dificilmente será bom. Não há sentido em ter uma profissão somente pelo dinheiro.
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 14 – EC-02
174
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Se você for jovem, pense bem no conselho anterior, dado por um dos homens mais ricos do mundo. O Bernardinho do vôlei jamais seria quem é se não gostasse muito de vôlei. Só ganha muito dinheiro quem realmente gosta do que faz, porque faz com amor, dedicação e prazer. Outro conselho que posso dar a você é que aprenda a dizer não quando for do seu interesse, principalmente às abordagens de venda que não lhe interessam. Não se sinta vitimado, perdendo o controle sobre você e sua vida. Desde que nascemos, as pessoas e as circunstâncias tentam nos levar em direções que não desejamos. Freqüentamos festas que não queremos ir, trabalhamos com o que não gostamos e tantas outras coisas mais. Estamos o tempo todo desejando ser amados, admirados, e por vezes nos sentimos acuados, com sentimentos que não nos permitem dizer um não para uma vendedora. Lembre-se: o dinheiro é seu e você não deve se deixar levar pelas palavras estudadas de alguém que foi treinado para vender seguros, cartões de crédito e outros produtos mais. Conheço gente que comprou um PGBL sem precisar e sem ser o produto adequado à sua necessidade simplesmente porque sua gerente pediu e porque não conseguiu dizer um não. Havia uma necessidade muito grande dentro dessa pessoa, inconsciente mesmo, de ter a aprovação para seus atos, não querendo se passar por má ou por desmancha-prazeres. O dinheiro é seu e de mais ninguém; você não deve satisfação a ninguém sobre ele. Liberte-se de seus medos e fantasias e tenha controle sobre seu dinheiro e sua vida. Curta a vida, aproveite, mas sem esbanjar, é claro. Saiba multiplicar seu dinheiro em investimentos corretos e usufrua os bons prazeres da vida com os rendimentos que este trouxer para você. Comece hoje a mudar seus hábitos financeiros, caso estes não estejam contribuindo para a construção de sua riqueza. Transcrevendo palavras da Seicho-No-Ie, doutrina de origem japonesa, acrescento: não desista de buscar sua independência financeira apenas porque é difícil. Reflita sobre as palavras do Mestre Masaharu Taniguchi:1
1 Fundador da Seicho-No-Ie.
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 14 – EC-02
COLHENDO OS FRUTOS DO CAPITAL INVESTIDO
175
Aquele que não dá o primeiro passo não poderá dar o passo seguinte. Aquele que não avança passo a passo não poderá ver a paisagem que se descortina cem passos adiante. Mesmo que agora ele não esteja enxergando a paisagem lá adiante, acabará enxergando-a se for andando.
E mais: evite pagar juros. Sempre que possível pague à vista e assuma crediários somente quando não der para adquirir aquele bem de outra forma. Não faça crediários longos, pois os juros costumam ser maiores. Lembre-se de que você recebe de juros em seus investimentos muito menos do que o valor a pagar no crediário. Não se esqueça, principalmente e acima de tudo, de educar seus filhos para a vida financeira. Desde cedo ensine o valor de cada coisa, determine uma mesada que seja condizente com sua idade, necessidades de seu círculo de amizades e suas posses. Nada de dar mais do que você pode. Tive vários clientes que tinham filhos que praticamente nada faziam na vida e podia-se ver que tudo era fruto da criação. Muitas vezes os pais, no desejo de dar conforto aos filhos e não querendo que eles passem as mesmas privações que vivenciaram, mimam-nos a tal ponto de torná-los adultos não-producentes. Esse ato de poupar o filho de tudo é também muitas vezes compreendido pelo filho como uma prova de sua incapacidade, o que baixa sua auto-estima e atrapalha seu desenvolvimento. Ensine seus filhos a lidar com a vida prática, o dia-a-dia, e motive-os, elogiando-os constantemente toda vez que surgir uma oportunidade. Construa adultos com bom nível de auto-estima, o que permitirá sucessos pessoal e profissional. Somente pessoas motivadas vão em busca de seus sonhos, sendo persistentes para alcançar e conquistar um projeto até o final. Fale sobre dinheiro com eles, trate do assunto com naturalidade, tanto quando houver fartura como em momentos de escassez. Mostre a eles a importância de ter uma vida equilibrada, seja em termos emocionais, seja em termos financeiros. Ensine-lhes a poupar, independentemente de quanto ganhem.
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 14 – EC-02
176
PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO
Por fim, não poupe pelo simples prazer de poupar, sem um objetivo definido. Isso é coisa do Tio Patinhas. Você merece muito mais da vida e deve poupar porque tem objetivos maiores, como comprar uma casa, fazer uma longa viagem ou ter uma aposentadoria sem sobressaltos. Dinheiro deve ser o meio para se obter prazer e não o fim em si. Saiba colher os frutos do capital que você investiu. Seja próspero e feliz.
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO FINANCEIRO – 1466 – CAPÍTULO 14 – EC-02
ANEXOS
CAMPUS – PLANEJE SEU FUTURO – 1466 – CAPÍTULO 15 – EC-02
16,52
22,94
29,31
48,32
IGPM
Poupança
Taxa DI
Ibovespa
7,30
53,09
39,74
15,24
14,57
1995
59,69
27,09
16,36
9,19
7,17
1996
41,64
24,60
16,55
7,74
7,36
1997
24,56
28,58
14,43
1,79
7,88
1998
106,01
19,06
12,24
20,10
47,83
1999
10,47
19,02
8,40
9,95
9,30
2000
9,30
17,94
8,60
10,37
18,67
2001
18,40
19,09
9,16
25,30
52,27
2002
118,51
23,26
11,11
8,69
23,42
2003
17,76
16,16
10,80
12,42
8,49
2004
46,60
19,00
9,21
1,20
11,06
2005
33,72
15,04
8,28
3,85
8,65
2006
47,88
11,09
7,71
7,74
15,98
2007
13,63
R$
–
10.000
20.000
30.000
40.000
50.000
Dólar
1.519,33
IGPM
4.339,89
Poupança
6.089,69
Taxa DI
20.129,80
R$1.000,00 corrigido pelos indicadores de julho de 1994 a junho de 2008
IBOVESPA
43.318,16
5,40
3,51
6,82
10,13
2008**
Valor atualizado de R$1.000,00 corrigido pelos indicadores de 1o de julho de 1994 até 30 de junho de 2008.
*início no mês de julho **até junho
14,90
Dólar
1994*
Histórico dos principais indicadores desde o início do Plano Real
www.bovespa.com.br www.cvm.gov.br
BOVESPA
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
www.ini.org.br www.investotal.com www.portaldoinvestidor.gov.br
INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIDORES
INVESTOTAL
PORTAL DO INVESTIDOR
www.comoinvestir.com.br
www.bcb.gov.br
BANCO CENTRAL DO BRASIL
www.folhainvest.com.br
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Treinamento sobre as diversas áreas do mercado financeiro.
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O que encontrar
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