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Portuguese Pages 271
![Apostila Poliedro - Português [Volume 4]](https://ebin.pub/img/200x200/apostila-poliedro-portugues-volume-4.jpg)
Sandor Szmutko/Shutterstock.com
Criança participa de manifestação de combate às mudanças climáticas em Londres, Reino Unido. Foto de 2019.
FRENTE 1
CAPÍTULO
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Verbo II: vozes verbais Nessa fotografia, a criança brinca com uma bola que lembra o planeta Terra, durante uma manifestação de milhares de pessoas que se reuniram por vários dias, em diversos países, a fim de chamar a atenção para o problema das mudanças climáticas. Quando um grande número de pessoas ocupa o espaço público para manifestar suas opiniões sobre um problema da atualidade, as vozes de muitos sujeitos se colocam no centro da ação. No estudo da língua, a análise da vozes verbais nos permite identificar quem realiza ou sobre quem recai determinada ação verbal, bem como seus efeitos de sentido na construção dos textos. Neste capítulo, vamos estudar as vozes verbais: ativa, passiva e reflexiva.
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Os sentidos das vozes verbais Estudamos, no capítulo anterior, os conceitos e princípios gerais do verbo. Além de classificar o verbo como uma categoria gramatical que configura os processos da realidade sob a influência do tempo, vimos que essa classe de palavras apresenta um conjunto de propriedades mais amplo do que o dos nomes, pois se estes se flexionam em número e pessoa, aqueles se flexionam em número, pessoa, modo, tempo, aspecto e voz. As flexões de número e de pessoa nos indicam, por exemplo, a relação dos participantes de um enunciado, manifestando-se nas formas de singular ou plural e da primeira, segunda ou terceira pessoas. As flexões de tempo e modo indicam, por exemplo, a posição temporal dos fatos verbais em relação ao momento da enunciação (presente, passado e futuro) e os modos como o enunciador se posiciona em relação a esses fatos verbais, como certeza (indicativo), dúvida/hipótese (subjuntivo) ou ordem/pedido (imperativo). A flexão de aspecto indica a maneira como o enunciador avalia o estado de coisas em relação ao fato verbal enunciado, referindo-se à duração como uma ação prolongada (aspecto durativo), uma ação terminada (aspecto conclusivo ou terminativo), uma ação iniciada (aspecto incoativo) ou uma ação corriqueira ou continuada (aspecto habitual ou permansivo). A voz verbal, por fim, coloca em evidência quem realiza ou quem sofre uma ação verbal, quer dizer, se o sujeito realiza ou recebe o fato verbal enunciado. Leia a tirinha a seguir e compare os enunciados.
exerce a ação A viagem até marte durará meses sujeito verbo sofrem a ação Os viajantes ficarão confinados dentro do foguete sujeito verbo Nesse período, duas vozes verbais produzem efeitos de sentido que se complementam – a viagem que dura, os viajantes que ficam confinados – e estabelecem uma comparação com o enunciado anterior, que se refere ao isolamento provocado pela pandemia. O contraste entre essas duas situações e as reações da personagem Dona Dolores em cada uma são responsáveis por produzir o efeito de humor da tirinha.
Will Leite - willtirando.com.br
A perspectiva do verbo e o posicionamento dos enunciadores
A ação verbal expressa por durará indica a continuidade por “meses” do acontecimento expresso no sintagma nominal “A viagem até Marte”. Vale notar que o substantivo viagem deriva de uma ação verbal (o ato de viajar), mas seu uso substantivado no enunciado permite que o fato verbal expresso pela forma “durará” seja responsável por essa ação. É a viagem quem realiza essa ação de “durar meses”,
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isto é, em seu aspecto durativo, a viagem se prolonga, se estende, se realiza em um longo período. No mesmo período, a oração “e os viajantes ficarão confinados dentro do foguete todo esse tempo” explicita outro fato verbal, o de que os viajantes sofrem o processo de ficarem confinados. A eles cabe receber esse acontecimento de aspecto contínuo e habitual que é estar confinado em algum lugar por um dado tempo.
LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
A voz verbal cumpre a função de colocar no centro da ação verbal determinado participante do processo expresso pelo verbo. É notável que o próprio verbo, em sua perspectiva, também produz diferentes significações, ainda que se refiram a um mesmo acontecimento. A perspectiva verbal trata do ponto de vista a respeito do acontecimento enunciado e dos participantes que fazem parte dele. A perspectiva verbal permite reconhecer o posicionamento do enunciador, ao passo que a voz verbal indica quem realiza ou quem sofre uma ação verbal. Dizer que “manifestantes apedrejam vidraças” ou que “vidraças são apedrejadas por manifestantes” são duas formas de tratar um mesmo acontecimento, enunciado de perspectivas distintas, de modo que a voz verbal evidencia quem age na ação (manifestantes, no primeiro exemplo) ou quem recebe a ação (vidraças, no segundo), a despeito da posição de sujeito da oração. Observe as duas manchetes a seguir, que se referem a um mesmo acontecimento: a onda de protestos de um grupo que se tornou notável pelo uso característico de coletes amarelos durante todos os seus atos e pela continuidade das manifestações, que ocorrem desde 2018 e que começaram como um movimento contra o aumento do preço dos combustíveis na França.
Verbo II: vozes verbais
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Texto 1
Coletes amarelos: Protestos violentos voltam a ocorrer nas ruas de Paris Manifestantes destruíram e saquearam lojas em Paris neste sábado em um ressurgimento dos protestos dos “coletes amarelos”, que começaram há quatro meses na França. BBC News Brasil, 16 mar. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47544419. Acesso em: 18 mar. 2024.
Texto 2
Manifestantes depredam lojas de grife em Paris Os manifestantes conhecidos como coletes amarelos entraram em confronto com a polícia em Paris pela décima oitava semana seguida. Band.com.br, 16 mar. 2019. Disponível em: https://www.band.uol.com.br/videos/manifestantes-depredam-lojas-de-grife-em-paris-16624233. Acesso em: 18 mar. 2024.
A escolha das formas verbais que compõem cada manchete não é isenta ou neutra. Em cada título, o discurso construído sobre um mesmo fato – os protestos realizados pelos coletes amarelos em Paris – é influenciado por variados aspectos, como o enfoque que a notícia dá ao acontecimento relatado, o posicionamento do veículo de mídia que noticia esse acontecimento, a mídia em que essa notícia circula e assim por diante. Aqui, vamos explorar uma dessas possibilidades: o posicionamento do veículo de mídia. A centralidade da forma verbal permite vislumbrar algumas dessas escolhas discursivas quanto aos posicionamentos dos enunciadores. No Texto 1, a forma verbal “voltam a ocorrer” destaca a ocorrência de um fato (“protestos violentos”), relacionado à agência de certo participante (“coletes amarelos”), mas esse participante não se liga ao verbo do enunciado diretamente na oração: os “coletes amarelos” estão destacados no início da manchete, separados da oração principal por dois-pontos. A construção da oração principal com uma locução verbal (em “voltam a ocorrer”), com verbo auxiliar + verbo no infinitivo iniciado por preposição, aponta para o reinício (aspecto incoativo) do acontecimento – a retomada de protestos –, fato que se insere em uma cadeia de ocorrências anteriores associadas aos mesmos participantes. Nessa oração, o sujeito gramatical da locução verbal é “protestos violentos”. Observe que “ocorrer” é um verbo intransitivo, cujo sentido é o de suceder um fato, um evento, mas um protesto é algo que, semanticamente, é sempre realizado por alguém. Desse modo, a ação verbal expressa em “voltar a ocorrer” parece fruto do acaso, e não da ação orquestrada de um grupo de pessoas. Com essa escolha linguística, o enunciador parece querer chamar atenção para o tema da notícia (os coletes amarelos) e só depois enunciar o acontecido (o reinício dos protestos), deixando a atribuição direta e objetiva da realização desses protestos para o subtítulo (“Manifestantes destruíram e saquearam lojas…”). Por esse título, pode-se inferir uma postura mais distante do veículo de mídia sobre o acontecimento, ao mesmo tempo que explicita os “causadores” dos protestos sem dizer quais são as motivações ou as consequências desses protestos. Cabe ao leitor fazer essa associação por conta própria. Outras formas verbais produziriam diferentes sentidos, caso a primeira manchete tivesse sido redigida com outras perspectivas verbais. Compare estas possibilidades de reescrita: Coletes amarelos retomam protestos violentos nas ruas de Paris. Coletes amarelos reiniciam protestos violentos nas ruas de Paris.
Nas duas primeiras “coletes amarelos” é o sujeito responsável por realizar protestos violentos. Nas duas últimas, “protestos violentos” é o sujeito sobre o qual recai o acontecimento expresso pelo verbo, cuja ação é realizada pelos coletes amarelos. Em todas, a atribuição de responsabilidade é mais explícita e, sem dúvida, o leitor fica mais ciente do posicionamento a respeito da origem ou dos responsáveis pelo acontecimento (coletes amarelos protestam) e do resultado (protestos violentos). No Texto 2, o sujeito é diretamente associado ao fato verbal: manifestantes depredam. A escolha do verbo “depredar”, cujo significado é “causar destruição” ou “apossar-se de bens alheios”, não é neutra: os manifestantes são responsáveis pela destruição e/ou apropriação de algo. No caso, o texto dessa segunda manchete explicita o posicionamento contrário do veículo de mídia à ação dos coletes amarelos (sem mencioná-los no título) e o favorecimento ou defesa da propriedade das “lojas de grife”, alvos da depredação. Por esse título, pode-se inferir que as lojas e as propriedades são tratadas como vítimas de violência e os manifestantes são retratados como causadores da violência nos protestos. Se modificada, a segunda manchete reforçaria ainda mais o alvo da depredação, caso tivesse sido redigida da seguinte maneira. Compare: Lojas de grife em Paris são depredadas por manifestantes.
FRENTE 1
Protestos violentos são retomados nas ruas de Paris pelos coletes amarelos. Protestos violentos são reiniciados nas ruas de Paris pelos coletes amarelos.
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Ao analisar as diferentes possibilidades de construção das manchetes, é possível perceber os efeitos de sentido das diferentes perspectivas e do uso das vozes verbais nos enunciados. Como vimos, cada veículo de mídia adotou, por meio da perspectiva das formas verbais e das vozes verbais que compõem suas manchetes, diferentes posições diante do mesmo fato. Nesse procedimento, a língua é utilizada para produzir discursos diferentes sobre um mesmo acontecimento da realidade.
Estabelecendo relações Embora os veículos jornalísticos e seus profissionais, de modo geral, assumam a busca pela produção de notícias baseadas em um relato isento e objetivo de fatos, a própria linguagem torna essa busca por neutralidade impossível, uma vez que a linguagem nunca é neutra. A seleção de acontecimentos para serem relatados denota o posicionamento de um veículo tanto quanto a escolha de palavras específicas para designar pessoas e fatos. A educação midiática também envolve reconhecer os usos da linguagem para identificação dos posicionamentos dos enunciadores, isto é, dos veículos de mídia, em notícias, reportagens e outros textos jornalísticos.
Classificação das vozes verbais A classificação das vozes verbais se realiza por meio da observação dos papéis sintáticos e semânticos do período. Elas se distinguem entre voz ativa, voz passiva e voz reflexiva. Tal classificação considera as relações entre o sujeito e o complemento do verbo e os papéis (de agente ou de paciente) que cada um desses elementos cumpre na oração. A flexão da voz do verbo ocorre com dois tipos de verbo: o transitivo direto e o transitivo direto e indireto. Nesses verbos, o sujeito pode aparecer como aquele que realiza o fato verbal (voz ativa), que recebe o fato verbal (voz passiva) ou que simultaneamente realiza e recebe o fato verbal (voz reflexiva).
Voz ativa A voz ativa do verbo designa o acontecimento realizado pelo sujeito sobre o objeto (complemento verbal). Nela, o acontecimento verbal é praticado pelo sujeito agente. A voz ativa é considerada, na língua portuguesa, a voz não marcada, isto é, a voz padrão. Leia esta manchete e observe a ação praticada pelo sujeito sobre o objeto.
Onde está a “Garota do Lo-Fi”? YouTube derruba live de música por engano Rolling Stone, 12 jul. 2022. Disponível em: https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/onde-esta-garota-do-lo-fi-youtube-derruba -live-de-musica-por-engano/. Acesso em: 18 mar. 2024.
A relação sintática centrada na forma verbal “derruba” requer um sujeito e um objeto: alguém derruba algo. A função de “YouTube” é de sujeito, a de “live de música” é de objeto direto. Nessa estrutura, a relação semântica é do sujeito que pratica uma ação e do objeto que sofre a ação praticada pelo sujeito. Vejamos outros exemplos: A editora
publicou
sujeito agente
um novo livro. objeto direto
Eles
voz ativa
alugaram
sujeito agente
aquela casa. objeto direto
voz ativa
Observe que, nos exemplos dados, as formas verbais “publicou” e “alugaram” são verbos transitivos diretos, cuja perspectiva semântica requer objetos para preencher seus sentidos.
Voz passiva A voz passiva do verbo designa o fato verbal sofrido pelo sujeito. Nela, a ação verbal ocorre sobre o sujeito paciente. O agente que realiza essa ação pode estar ou não presente na oração. Leia esta outra manchete, que trata do mesmo acontecimento da manchete anterior. Observe a ação verbal sofrida pelo sujeito.
Transmissão da “menina do lo-fi” é derrubada pelo YouTube após 20 mil horas MENEZES, Clara. O Povo, 11 jul. 2022. Disponível em: https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/07/11/transmissao-da-menina-do-lo-fi-e-derrubada-peloyoutube-apos-20-mil-horas.html#:~:text=Ap%C3%B3s%2020%20mil%20horas%20em,milh%C3%B5es%20de%20reprodu%C3%A7%C3%B5es%20na%20 plataforma. Acesso em: 10 abr. 2024.
A relação sintática centrada na forma verbal “é derrubada” requer um sujeito que sofre essa ação: algo ou alguém foi derrubado. Nessa construção, a ação verbal é realizada por alguém ou algo que pode estar explícito ou não.
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LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
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Verbo II: vozes verbais
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A função de “Transmissão da ‘menina do Lo-Fi’” é de sujeito, contudo é o “YouTube” o responsável pela ação verbal, quem a realiza. O termo que designa quem realiza o fato verbal na voz passiva é o agente da passiva. Nessa estrutura, a relação semântica é do sujeito que recebe a ação e do agente da passiva que a pratica. Vejamos outros exemplos: Um novo livro foi publicado [pela editora].
sujeito paciente
verbo ser + particípio
agente da passiva
voz passiva Aquela casa foi alugada [por eles].
sujeito paciente
verbo ser + particípio agente da passiva
voz passiva Observe que o agente da passiva pode estar presente ou não na oração, ou seja, mesmo que fossem omitidos os agentes da passiva, ambas as orações poderiam ser consideradas completas do ponto de vista sintático e semântico. Entretanto, evidenciar essas estruturas na oração confere mais contexto ao enunciado.
Atenção O agente da passiva é o termo da oração que, na voz passiva, realiza a ação expressa pelo verbo. Ainda que o verbo seja de significação transitiva direta, na voz passiva a forma verbal é sempre seguida de preposição, normalmente “por” e suas variações (ou, em alguns casos, “de” e suas variações). O agente da passiva pode ser representado por substantivo (ou palavra substantivada), por pronome ou por numeral. Transmissão é derrubada pelo YouTube.
sujeito paciente (substantivo)
verbo ser + particípio
agente da passiva (preposição + substantivo próprio)
Passividade do verbo e a voz passiva A voz passiva não deve ser confundida com a noção de passividade, associada à semântica do verbo, que é relacionada ao fato de o sujeito receber a ação verbal. A voz é uma flexão do verbo. A passividade, por outro lado, depende do sentido expresso pelo fato verbal. Há verbos que, mesmo quando estão na voz ativa, têm sentido passivo. Leia esta manchete:
Trabalhadores recebem segunda parcela do 13o salário até esta terça MAIA, Dhiego. InfoMoney, 19 dez. 2022. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/trabalhadores-recebem-segunda-parcela-do-13osalario-ate-esta-terca-veja-como-calcular-valor/. Acesso em: 18 mar. 2024.
A forma verbal “recebem”, no sentido de aceitar em pagamento, é transitiva direta. Na oração, embora o sujeito realize a ação verbal, a semântica desse verbo denota um fato ou acontecimento do qual o sujeito é “alvo”. Assim, nem sempre a passividade de uma ação verbal demanda o uso da flexão na voz passiva.
Voz passiva analítica
Campus segue ocupado, mas por poucos manifestantes R7, 22 nov. 2019. Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/hong-kong-campus-segue-ocupado-mas-por-poucos-manifestantes-22112019. Acesso em: 18 mar. 2024.
FRENTE 1
A voz passiva pode ser construída de duas maneiras. Nos exemplos apresentados anteriormente, como “Protestos são retomados”, “Lojas são depredadas”, “O livro foi publicado”, “A casa foi alugada” e “Transmissão é derrubada”, predomina o uso da forma verbal composta: verbo ser + particípio do verbo principal. Essa forma é classificada como voz passiva analítica. A formação da voz passiva analítica é predominante no português brasileiro, com o uso do verbo auxiliar “ser”, mas alguns outros auxiliares também podem aparecer. Observe estes exemplos com o verbo auxiliar “segue”:
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Em muitos casos, a voz passiva é utilizada quando não é possível ou desejável enunciar o agente da ação expressa pelo verbo. Veja esta outra manchete, construída com dois períodos centrados em formas verbais na voz passiva analítica:
Brasília foi vandalizada e 300 foram presos no domingo Poder 360, 9 jan. 2023. Disponível em: https://www.poder360.com.br/ brasil/brasilia-foi-vandalizada-e-300-foram-presos-no-domingo/. Acesso em: 18 mar. 2024.
sempre está explícito, o verbo deve concordar com ele: procura-se ideia ou procuram-se ideias. Cabe ao leitor inferir, pela leitura da reportagem à qual essa frase da capa faz referência, quem é o agente responsável pela procura das ideias inovadoras. Com a forma verbal seguinte “paga-se bem”, é mais fácil inferir que, possivelmente, se trata de empresas buscando pessoas criativas capazes de ter ideias inovadoras para ocupar vagas bem remuneradas no mercado de trabalho.
Atenção
Nessa manchete, as ações verbais expressas por “vandalizar” e “prender” não identificam os agentes da passiva no período, somente os sujeitos pacientes: “Brasília” e “300”. Não é possível ou não é desejável, dados os sentidos desses verbos, reconhecer quem os praticaram. Contudo, cabe ao leitor inferir que parte dos autores da vandalização está entre o grupo de pessoas que foram presas. Essa característica da voz passiva faz com que ela seja preferida quando há essa intencionalidade do enunciador.
Importante notar que são apresentadas duas estruturas diferentes na capa da revista:
• Procuram-se ideias inovadoras
voz passiva com
partícula apassivadora
• Paga-se bem
voz ativa com índice de indetermi-
nação do sujeito Posteriormente neste capítulo, essas duas construções serão estudadas mais detalhadamente.
Voz passiva sintética
Reprodução
Há uma outra possibilidade de construção da voz passiva, que se realiza com verbo + pronome apassivador, classificada como voz passiva sintética (ou voz passiva pronominal). Leia esta capa de uma revista:
Em “procuram-se ideias”, a relação semântica é de um sujeito paciente que recebe uma ação praticada por um agente que não está explícito. Vejamos outros exemplos: Publicam-se livros. verbo + pronome apassivador -se
sujeito paciente
Alugam-se casas.
verbo + pronome apassivador -se
sujeito paciente
Saiba mais O pronome se funciona como partícula apassivadora para a construção da voz passiva sintética. Contudo, alguns teóricos e estudiosos de gramática na atualidade vêm questionando as construções da voz passiva sintética com esse pronome, argumentando que ele cumpre um papel sintático de sujeito de uma oração na voz ativa e um papel semântico indeterminado (quando não se pode ou não se deseja identificar o sujeito). Então, no exemplo “Procuram-se ideias inovadoras”, o “se” ocuparia o espaço de sujeito indeterminado e agente da ação verbal “procuram”; seguindo essa ideia, seria como se a frase ficasse disposta da seguinte forma na ordem direta: Se procuram ideias inovadoras.
sujeito
Em “procuram-se ideias inovadoras”, a ação verbal de “procurar” implica que alguém busca algo. O sujeito paciente “ideias inovadoras” é alvo da ação verbal de “procurar”, mas o agente da passiva não está explícito na oração, exceto pelo pronome apassivador -se. Como o sujeito paciente
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LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
verbo
complemento verbal (ob. direto)
O fato verbal expresso por “procuram” é sempre realizado por alguém, não sendo possível que as ideias procurem a si próprias. Assim, há sempre um sujeito ativo que realiza a ação verbal, a qual exige um objeto direto.
Verbo II: vozes verbais
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VOZ PASSIVA SINTÉTICA 3 ORAÇÃO COM SUJEITO INDETERMINADO
Jean Galvão, instagram
Como estudamos em capítulos anteriores, a estrutura sintática da oração com sujeito indeterminado é aquela em que não podemos identificar o agente da ação expressa pelo verbo. Isso pode ocorrer quando não é possível ou desejável identificar o sujeito da oração. Como sua estrutura (forma verbal + pronome se) é bastante similar à da voz passiva sintética, é necessário diferenciar essas duas construções sintáticas. Observe as frases da lousa no primeiro quadrinho da tirinha.
Vimos que a estrutura da voz passiva sintética (ou pronominal) é feita com verbo + pronome apassivador. Quanto aos aspectos sintáticos e semânticos, a voz passiva requer a existência de um sujeito paciente, que recebe a ação verbal. Em “vende-se casas”, por exemplo, o substantivo “casas” recebe a ação de vender. Essa oração equivale, na estrutura da voz passiva analítica, a “casas são vendidas”. Note que, na tirinha, a forma verbal “vende-se” não está seguindo a regra prevista na norma-padrão, uma vez que não está concordando com o sujeito paciente “casas” – o correto, de acordo com a norma-padrão, seria “vendem-se casas”. Observe que o verbo “vender” é transitivo direto. Em “precisa-se de empregados”, o substantivo “empregados” não é agente nem paciente da ação verbal. Essa oração equivale a “precisam de empregados” – no sentido de que alguém precisa de algo. Nesse caso não há voz passiva, mas uma construção com um sujeito que não pode ser reconhecido ou definido. Observe que o verbo “precisar” é transitivo indireto. Em “assiste-se a bons filmes”, o substantivo “filmes” não é agente nem paciente da ação verbal. Essa oração equivale a “assistem a bons filmes” – no sentido de que alguém assiste a bons filmes. Nesse caso também não há voz passiva, mas uma construção com um sujeito que não pode ser identificado ou reconhecido. Observe que o verbo “assistir”, nesse caso, também é transitivo indireto. A oração com verbos na voz passiva sintética apresenta os seguintes elementos distintivos: • verbo transitivo direto;
• • • • • • •
sujeito determinado e explícito com papel semântico de paciente; concordância do sujeito com o verbo; pronome apassivador “se”. A oração com sujeito indeterminado apresenta os seguintes elementos distintivos: verbo transitivo indireto, verbo intransitivo ou verbo de ligação; sujeito indeterminado ou implícito; verbo na 3a pessoa do singular; índice de indeterminação do sujeito “se”.
Para observar se uma oração está na voz passiva sintética ou se é somente uma oração com sujeito indeterminado, a recomendação é tentar fazer a transformação para a voz passiva analítica. Em “precisa-se de empregados”, por exemplo, a transformação para uma oração formada de verbo “ser” + particípio do verbo principal, como “empregados são precisados”, é inadequada e incongruente.
Atenção A palavra “se”, quando usada junto a verbos intransitivos ou transitivos indiretos, não exerce nenhuma função sintática na oração. Nesse caso, é empregada somente para marcar um sujeito indeterminado. Sendo assim, nas orações estudadas anteriormente – “Precisa-se de empregados” (tirinha) e “Paga-se bem” (capa da revista) –, o “se” é um índice de indeterminação do sujeito.
A voz reflexiva do verbo designa o fato verbal em que o sujeito ocupa simultaneamente os papéis de agente e paciente. Isto é, ele realiza e recebe o fato verbal expresso na oração. De modo geral, na comparação com a voz ativa, a voz reflexiva não modifica a ordem da organização sintática (sujeito – verbo – objeto). Observe a voz reflexiva na tirinha a seguir, que trata de empatia.
FRENTE 1
Voz reflexiva
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Armandinho, de Alexandre Beck
A tirinha explora os efeitos de sentido relacionados ao sentimento de empatia. Na oração “se perceber na realidade do outro”, a voz reflexiva indica que o agente da ação verbal é também o “objeto” dela. Assim, o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo perceber: alguém percebe a si mesmo. A voz reflexiva geralmente é marcada por pronomes pessoais átonos, que exercem a função de objeto direto e são flexionados na mesma pessoa do sujeito. Observe estes casos: Minha filha se machucou hoje na escola.
sujeito
objeto direto verbo transitivo
Eu me arrumei para a festa da escola.
sujeito objeto direto verbo transitivo
A voz reflexiva também pode expressar sentido de reciprocidade, quando uma ação verbal é compartilhada de forma mútua entre dois ou mais agentes. Trata-se, portanto, da voz reflexiva recíproca. Veja como isso ocorre nestes exemplos:
The Town 2023: Famosos se beijam no festival TAVARES, Celso. G1, 7 set. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/the-town/2023/noticia/2023/09/07/ the-town-2023-famosos-se-beijam-no-festival-fotos.ghtml. Acesso em: 18 mar. 2024.
BBB 21: Juliette e Arthur se abraçam e se perdoam UOL, 22 abr. 2021. Disponível em: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/04/22/ juliette-abraca-arthur-em-noite-de-eliminacao-so-te-desejo-coisas-lindas.htm. Acesso em: 18 mar. 2024.
Nos exemplos, as formas verbais “beijar”, “abraçar” e “perdoar” são praticadas pelos sujeitos de modo recíproco, explicitando fatos verbais realizados simultaneamente e em reciprocidade. Na voz reflexiva recíproca, as formas verbais ficam sempre no plural.
Saiba mais Há variedades linguísticas do português brasileiro em que a voz reflexiva é construída com o apagamento do pronome reflexivo. O linguista Marcos Bagno, no livro Gramática Pedagógica do Português Brasileiro, identifica casos como o da variedade falada em Minas Gerais:
• Eu [me] formei em Direito. • Nós [nos] mudamos da Pampulha.
• Eu [me] assustei quando ouvi aquele trovão.
Voz ativa e voz passiva: transformações O uso da voz passiva, em termos semânticos, é uma inversão nas relações dos sentidos expressos pelo verbo. Vimos que a voz ativa é a organização sintática predominante na língua portuguesa – basta lembrar da ordem direta da oração (sujeito – verbo – objeto, ou SVO). Assim, a voz passiva é a voz marcada, construída para expressar uma intencionalidade pelo enunciador. Releia o texto da capa da revista e compare as construções de cada oração em diferentes vozes: Voz passiva sintética Procuram-se ideias inovadoras
verbo transitivo direto + pronome apassivador -se Voz passiva analítica Ideias inovadoras são procuradas
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sujeito paciente
LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
Voz ativa [Pessoas] procuram ideias inovadoras sujeito agente [indeterminado]
verbo ser + particípio
sujeito paciente
verbo transitivo direto
objeto direto
Verbo II: vozes verbais
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Assim, para toda voz passiva é possível reconhecer a voz ativa correspondente. Essa transformação de vozes é, de modo geral, um dos principais enfoques das vozes verbais de diferentes vestibulares. Acompanhe a resolução do exercício a seguir.
Exercício
resolvido
1. UEL-PR Obtém-se a forma verbal “prejudica-os”, transpondo para a voz ativa a frase: a) Eles são prejudicados pelos próprios amigos. d) Eles foram prejudicados pelo chefe. b) Ele vem sendo prejudicado pelos empresários. e) Eles são prejudicados pela ambição. c) Ele é prejudicado pelos sucessivos equívocos. Resolução: A atividade pode ser resolvida observando as vozes verbais em cada uma das frases, transformando-as da voz passiva para a voz ativa e fazendo a devida flexão verbal adequada (tempo e modo, pessoa e número). Também é importante reconhecer a transformação dos pronomes pessoais do caso reto em pronomes oblíquos átonos. Alternativa A: incorreta. A frase na voz ativa seria “os próprios amigos prejudicam-nos”. Alternativa B: incorreta. A frase na voz ativa seria “os empresários vêm prejudicando-o”. Alternativa C: incorreta. A frase na voz ativa seria “sucessivos equívocos prejudicam-no”. Alternativa D: incorreta. A frase na voz ativa seria “o chefe prejudicou-os”. Resposta: alternativa E.
• • • •
Na transformação da voz ativa para a voz passiva ocorrem as seguintes mudanças: O sujeito agente passa a ser agente da passiva (pois ele continua sendo agente da ação verbal). O objeto direto passa a ser sujeito paciente.
A forma verbal simples do verbo transitivo passa para a forma composta, com o auxiliar ser 1 o particípio do verbo principal e preposição (geralmente “por”). A forma verbal no particípio concorda com o sujeito verbal.
Revisando 1. FCMSCSP 2021 Examine a tira do cartunista argentino Quino.
a) O que a reação dos personagens ao texto do folheto publicitário indica? b) Considerando o contexto, reescreva o texto do folheto publicitário na voz ativa. 2. ESPM-SP 2019 Aborto, porte de armas e o presidente Donald Trump foram alguns dos assuntos que dominaram a primeira audiência de confirmação do juiz conservador Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos, realizada em meio a protestos de ativistas e tentativas de adiamento do processo por parte de democratas. Kavanaugh passará por mais dois dias de sabatina, na quarta e na quinta, e testemunhas contra e a favor do juiz devem ser ouvidas na sexta.
Assinale a afirmação correta sobre o trecho: “... testemunhas contra e a favor do juiz devem ser ouvidas na sexta...” A frase está: a) na voz passiva analítica, enfatizando o sujeito paciente “testemunhas”, alvo do processo verbal. b) na voz ativa, enfatizando o agente indeterminado do processo expresso pelo verbo. c) na voz passiva sintética e, se transpuséssemos para a voz ativa, teríamos “devem ouvir testemunhas contra e a favor do juiz na sexta”, enfatizando o sujeito indeterminado.
FRENTE 1
(Folha de S.Paulo, 04/09/2018)
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d) na voz passiva analítica e, se transpuséssemos para a voz ativa, teríamos “ouvirão testemunhas contra e a favor do juiz na sexta”, realçando o sujeito indeterminado na ação de ouvir. e) na voz passiva e, se transpuséssemos para a voz ativa, teríamos “deverão ouvir testemunhas contra e a favor do juiz na sexta”, dando destaque em “testemunhas”. 3. Fuvest-SP 2018 Leia o texto.
e pelo isolamento que o medo impõe.” (2o parágrafo) foi construído na voz passiva. Ao se adaptar tal trecho para a voz ativa, a locução verbal “foram substituídas” assume a seguinte forma: a) substitui. d) substituiu. b) substituíram. e) substituem. c) substituiriam. 5. Unesp 2024 Examine a charge de Millôr Fernandes, publicada originalmente em 12.03.1969.
No Brasil colonial, o indissolúvel vínculo do matrimônio, tal como ele era concebido pela Igreja Católica, nem sempre terminava com a morte natural de um dos cônjuges. A crise do casamento assumia várias formas: a clausura das mulheres, enquanto os maridos continuavam suas vidas; a separação ou a anulação do matrimônio decretadas pela Igreja; a transgressão pela bigamia ou mesmo pelo assassínio do cônjuge. Maria Beatriz Nizza da Silva, História da Família no Brasil Colonial. Adaptado.
a) No texto, que ideia é sintetizada pela palavra “crise”? b) Reescreva a oração “tal como ele era concebido pela Igreja Católica”, empregando a voz ativa e fazendo as adaptações necessárias. 4. Unesp 2017 Leia o excerto do livro Violência urbana, de Paulo Sérgio Pinheiro e Guilherme Assis de Almeida, para responder à questão. De dia, ande na rua com cuidado, olhos bem abertos. Evite falar com estranhos. À noite, não saia para caminhar, principalmente se estiver sozinho e seu bairro for deserto. Quando estacionar, tranque bem as portas do carro [...]. De madrugada, não pare em sinal vermelho. Se for assaltado, não reaja – entregue tudo. É provável que você já esteja exausto de ler e ouvir várias dessas recomendações. Faz tempo que a ideia de integrar uma comunidade e sentir-se confiante e seguro por ser parte de um coletivo deixou de ser um sentimento comum aos habitantes das grandes cidades brasileiras. As noções de segurança e de vida comunitária foram substituídas pelo sentimento de insegurança e pelo isolamento que o medo impõe. O outro deixa de ser isto como parceiro ou parceira em potencial; o desconhecido é encarado como ameaça. O sentimento de insegurança transforma e desfigura a vida em nossas cidades. De lugares de encontro, troca, comunidade, participação coletiva, as moradias e os espaços públicos transformam-se em palco do horror, do pânico e do medo. A violência urbana subverte e desvirtua a função das cidades, drena recursos públicos já escassos, ceifa vidas – especialmente as dos jovens e dos mais pobres –, dilacera famílias, modificando nossas existências dramaticamente para pior. De potenciais cidadãos, passamos a ser consumidores do medo. O que fazer diante desse quadro de insegurança e pânico, denunciado diariamente pelos jornais e alardeado pela mídia eletrônica? Qual tarefa impõe-se aos cidadãos, na democracia e no Estado de direito? (Violência urbana, 2003.)
O trecho “As noções de segurança e de vida comunitária foram substituídas pelo sentimento de insegurança
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LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
(Millôr Fernandes. Guia Millôr da filosofia, 2016.)
a) Explicite a relação de sentido estabelecida entre a expressão “engolir minhas próprias palavras” e a imagem da charge. b) Reescreva na voz passiva a fala que compõe a charge. 6. Univag-MT 2021 Leia o início do conto “Músculos e nervos”, de Aluísio Azevedo, para responder à questão. Terminava a primeira parte do espetáculo, quando D. Olímpia entrou no circo, pelo braço do pai. Havia grande enchente. O público vibrava ainda sob a impressão do último trabalho exibido, que devia ter sido maravilhoso, porque o entusiasmo explodia por toda a plateia e de todos os lados gritavam ferozmente: “Scott! À cena Scott!”. Dois sujeitos de libré azul com alamares dourados conduziam para o interior do teatro um cavalo que acabava de servir. Muitos espectadores, de chapéu no alto da cabeça, estavam de pé e batiam com a bengala nas costas das cadeiras; as cocotes pareciam loucas e soltavam guinchos, que ninguém entendia; das galerias trovejava um barulho infernal, e, por entre aquela descarga atroadora, só o nome do idolatrado acrobata sobressaía, exclamado com delírio por mil vozes. — Scott! Scott! Olímpia sentiu-se aturdida; o pai, no íntimo, arrependia-se de lhe ter feito a vontade, consentindo em levá-la ao circo, mas o médico recomendara tanto que não a contrariassem... e ela havia mostrado tanto empenho no capricho de ir aquela noite ao Politeama... De repente, um grito uníssono partiu da multidão. Estalaram as palmas com mais ímpetos; choveram chapéus; arremessaram-se leques e ramalhetes, Scott havia reaparecido. — Bravo! Bravo, Scott!
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E os aplausos recrudesceram ainda. O ginasta, que entrara de carreira, parou em meio da arena, aprumou o corpo, sacudiu a cabeleira anelada, e, voltando-se para a direita e para a esquerda, atirava beijos, sorrindo, no meio daquela tempestade gloriosa. (Demônios, 2007.)
Dois sujeitos de libré azul com alamares dourados conduziam para o interior do teatro um cavalo que acabava de servir. (2o parágrafo)
Transpondo-se para a voz passiva a oração centrada no verbo sublinhado, surge a forma verbal: a) é conduzido. c) foi conduzido. e) são conduzidos. b) eram conduzidos. d) era conduzido. 7. IFNMG 2015
A ação explicitada pelo verbo pode ser praticada pelo sujeito (voz ativa), sofrida pelo sujeito (voz passiva) ou praticada e sofrida pelo sujeito (voz reflexiva). Em qual dos trechos a seguir é identificada a voz passiva? a) “Seu avô é um grande mentiroso” c) “Isso é um disco de vinil” b) “O disco era colocado em um aparelho elétrico” d) “E assim a música tocava” 8. UFRGS 2015 À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, Chagas e Silva postava-se de palito à boca, como se tivesse descido do restaurante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que somente ali se comesse bem em Porto Alegre. Longe disso! A Rua da Praia que o diga, ou melhor, que o dissesse. O faz de conta do inefável personagem ligava-se mais à importância, à moldura que aquele portal lhe conferia. Ele, que tanto marcou a rua, tinha franco acesso às poltronas do saguão em 5 que se refestelavam os importantes. Andava dentro de um velho fraque, usava gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba curta, polainas e uns olhinhos apertados na tez bronzeada. O charuto apagado na boca, para durar bastante, era o toque final dessa composição de pardavasco vindo das Alagoas. Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. Fixou-se na Rua da Praia, que percorria com passos lentos, carregando um ar de indecifrável importância, tão ao jeito dos grandes de então. Os estudantes tomaram conta dele. Improvisaram co10 mícios na praça, carregando-o nos braços e fazendo-o discursar. Dava discretas mordidas e consentia em que lhe pagassem o cafezinho. Mandava imprimir sonetos, que “trocava” por dinheiro. Não era de meu propósito ocupar-me do “doutor” Chagas e, sim, de como se comia bem na Rua da Praia de antigamente. Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a visitar casas por onde sua imaginação de longe esvoaçava. Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialidades, dispunha da melhor matéria-prima para as casas de 15 pasto. Essas casas punham ao alcance dos gourmets virtuosíssimos “secos e molhados” vindos de Portugal, da Itália, da França e da Alemanha. Daí um longo e florescente período de boa comida, para regalo dos homens de espírito e dos que eram mais estômago que outra coisa. Na arte de comer bem, talvez a dificuldade fosse a da escolha. Para qualquer lado que o passante se virasse, encontraria salões ornamentados, recintos maiores ou menores, tabernas ou simples tascas. A Cidade divertia-se também pela barriga.
Assinale a alternativa que apresenta a correta passagem de segmento do texto da voz ativa para a voz passiva. a) Chagas e Silva postava-se de palito à boca (l. 01) – Chagas e Silva era postado de palito à boca b) Ele, que tanto marcou a rua (l. 04) – A rua, que tanto foi marcada por ele c) Fixou-se na Rua da Praia (l. 08) – Foi fixado na Rua da Praia d) Os estudantes tomaram conta dele (l. 09) – Ele foi tomado conta pelos estudantes e) Essas casas punham ao alcance dos gourmets virtuosíssimos “secos e molhados” (l. 15) – Os gourmets eram postos ao alcance de virtuosíssimos “secos e molhados” por essas casas
FRENTE 1
Adaptado de: RUSCHEL, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2009. p. 110-111.
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Exercícios propostos Natividade não se opôs, mas entendia que algumas palavras deviam ser cortadas. (l. 18-19)
1. Uerj 2017
O discurso
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Natividade é que não teve distrações de espécie alguma. Toda ela estava nos filhos, e agora especialmente na carta e no discurso. Começou por não dar resposta às efusões políticas de Paulo; foi um dos conselhos do conselheiro. Quando o filho tornou pelas férias tinha esquecido a carta que escrevera. O discurso é que ele não esqueceu, mas quem é que esquece os discursos que faz? Se são bons, a memória os grava em bronze; se ruins, deixam tal ou qual amargor que dura muito. O melhor dos remédios, no segundo caso, é supô-los excelentes, e, se a razão não aceita esta imaginação, consultar pessoas que a aceitem, e crer nelas. A opinião é um velho óleo incorruptível. Paulo tinha talento. O discurso naquele dia podia pecar aqui ou ali por alguma ênfase, e uma ou outra ideia vulgar e exausta. Tinha talento Paulo. Em suma, o discurso era bom. Santos achou-o excelente, leu-o aos amigos e resolveu transcrevê-lo nos jornais. Natividade não se opôs, mas entendia que algumas palavras deviam ser cortadas. — Cortadas, por quê? perguntou Santos, e ficou esperando a resposta. — Pois você não vê, Agostinho; estas palavras têm sentido republicano, explicou ela relendo a frase que a afligira. Santos ouvia-as ler, leu-as para si, e não deixou de lhe achar razão. Entretanto, não havia de as suprimir. — Pois não se transcreve o discurso. — Ah! isso não! O discurso é magnífico, e não há de morrer em S. Paulo; é preciso que a Corte o leia, e as províncias também, e até não se me daria fazê-lo traduzir em francês. Em francês, pode ser que fique ainda melhor. — Mas, Agostinho, isto pode fazer mal à carreira do rapaz; o imperador pode ser que não goste... Pedro, que assistia desde alguns instantes ao debate, interveio docemente para dizer que os receios da mãe não tinham base; era bom pôr a frase toda, e, a rigor, não diferia muito do que os liberais diziam em 1848. — Um monarquista liberal pode muito bem assinar esse trecho, concluiu ele depois de reler as palavras do irmão. — Justamente! assentiu o pai. Natividade, que em tudo via a inimizade dos gêmeos, suspeitou que o intuito de Pedro fosse justamente comprometer Paulo. Olhou para ele a ver se lhe descobria essa intenção torcida, mas a cara do filho tinha então o aspecto do entusiasmo. Pedro lia trechos do discurso, acentuando as belezas, repetindo as frases mais novas, cantando as mais redondas, revolvendo-as na boca, tudo com tão boa sombra que a mãe perdeu a suspeita, e a impressão do discurso foi resolvida. Também se tirou uma edição em folheto, e o pai mandou encadernar ricamente sete exemplares, que levou aos ministros, e um ainda mais rico para a Regente. MACHADO DE ASSIS. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997.
efusão: manifestação expansiva de sentimentos. assentir: concordar.
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LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
A voz verbal na oração sublinhada põe em destaque a sugestão de Natividade em relação ao discurso do filho. Identifique essa voz verbal e justifique seu emprego no texto, a partir da afirmativa acima. 2. CPAEAM 2022
Um caminho tortuoso Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas, não é à toa que a maioria das pessoas acha que o conhecimento científico cresce linearmente, sempre se acumulando. No entanto, uma rápida olhada na história da ciência permite ver que não é bem assim: o caminho que leva ao conhecimento é tortuoso e, às vezes, vai até para trás, quando uma ideia errada persiste por mais tempo do que deveria. Isso pode ocorrer por razões como censura política […] ou por ideologias na classe científica, defendidas por membros influentes. Apresentar a ciência nas escolas e universidades ou nos meios informais de comunicação como uma crença infalível da civilização esconde um de seus lados mais interessantes: o drama da descoberta, as incertezas da criatividade. Cientistas tendem a reagir negativamente às ideias que ameaçam o que eles pensam ser a verdade. Por um lado, essa descrença é essencial, dado que a maioria das ideias novas está errada. Por outro, ela pode revelar um conservadorismo que atravanca o avanço do conhecimento. Um bom exemplo disso é o experimento de Albert Michelson e Edward Morley, realizado em 1887 para detectar o movimento da Terra através do éter, o meio material cuja função era servir de suporte para a propagação das ondas de luz. · Tal qual as ondas de som se propagam no ar, supunha-se que as ondas luminosas também necessitassem de um meio para se propagar, o éter. O experimento mediria as diferenças na velocidade da luz quando um raio luminoso ia contra o éter ou a favor, como quando ·andamos de bicicleta e sentimos um “vento” contra nosso corpo. (Unia bola jogada contra ou a favor do “vento” terá velocidades diferentes.) Para total e completa surpresa da comunidade científica, o experimento não detectou diferenças na velocidade da luz em qualquer direção. Em meio à perplexidade generalizada, várias tentativas de explicar o achado foram propostas, inclusive uma por George Fitzgerald e Hendrik Lorentz que sugeria que as hastes do aparato podiam encolher na direção do movimento. Esse encolhimento de fato existe, mas não como proposto pelos dois. Apenas em 1905 Einstein explicou o que estava acontecendo, com sua teoria da relatividade especial: o éter não existe – a velocidade da luz é sempre a mesma, uma constante da natureza. Observações recentes andam questionando a existência de um outro meio material ainda não detectado, a matéria escura. Essa matéria, supostamente feita de
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GLEISER, Marcelo. Um caminho tortuoso. Folha de São Paulo, 29 de abril de 2012. Com adaptações.
Assinale a opção correta em que o trecho em destaque corresponde à voz do verbo. a) “Observações recentes andam questionando a existência […]” – voz reflexiva. b) “Cientistas tendem a reagir negativamente às ideias […]” – voz passiva sintética. c) “Do jeito que a ciência é ensinada nas escolas […]” – voz passiva analítica. d) “[…] várias tentativas de explicar o achado foram propostas […]” – voz passiva sintética. e) “Tal qual as ondas de som se propagam no ar […]” – voz ativa analítica. 3. FMJ-SP 2023 Leia o trecho do livro O fim da Terra e do Céu, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder à questão. No dia 18 de maio de 1996, o jornal norte-americano Boston Globe publicou a seguinte manchete: “Graças aos Céus, o enorme asteroide só passou de raspão.” O dito-cujo, com um diâmetro de quinhentos metros, passou pela Terra à distância de 446 mil quilômetros, um pouco maior do que a distância até a Lua. Esse foi o maior objeto a passar pela Terra jamais observado, e isso apenas cinco dias após seu ponto de maior proximidade. Imagine o que Martinho Lutero ou Increase Mather não teriam dito; decerto: “Deus nos mandou um sinal! Pecadores, arrependei-vos antes do fim do milênio que se aproxima ou queimareis para sempre nas chamas do Inferno!” O que antes era relegado a textos religiosos, profecias de pedras flamejantes que cairão dos céus trazendo a destruição do mundo, tornou-se parte perfeitamente legítima da esfera da astronomia. Analisemos os fatos: nas últimas duas décadas do século passado, cientistas comprovaram que uma colisão com um objeto extraterrestre dizimou os dinossauros; o Congresso norte-americano ordenou à NASA que estudasse seriamente a ameaça de futuras colisões; o horrendo e magnífico impacto entre o cometa Shoemaker-Levy 9 e o planeta Júpiter foi observado em detalhe; e várias passagens de asteroides perto da Terra foram registradas. Os antigos medos apocalípticos ressurgiram, anunciados pelos próprios cientistas: os astrônomos passaram a ser vistos por muitos como os novos profetas do Fim. Mas não basta só afirmar que o Fim se aproxima; é importante também mostrar os possíveis caminhos para a salvação. E assim fizeram os astrônomos, sugerindo diversas estratégias de proteção contra
um possível encontro com um invasor celeste, inclusive sua destruição ou deflexão no espaço sideral. (O fim da Terra e do Céu, 2011. Adaptado.)
os astrônomos passaram a ser vistos por muitos como os novos profetas do Fim (2o parágrafo)
Ao se transpor esse trecho para a voz ativa, a forma verbal resultante será: a) seriam vistos. b) passaram a ver. c) viram. d) foram vistos. e) passariam a ser vistos. 4. FCMSCSP 2023 Leia o artigo “Pedaço de mim”, do neurocientista Sidarta Ribeiro, para responder à questão. A cada ano, milhões de pessoas passam pela experiên cia da perda traumática de uma extremidade corporal. Frequentemente, as penas psicológicas e sociais da amputação vêm acompanhadas de uma dor mais bruta, fruto da percepção fantasmagórica do pedaço perdido, mão ou pé ausente doendo em pesadelos de sono e vigília. Pulsando, queimando ou coçando, o membro fantasma reclama da incompletude do mutilado. Um corpo que já não se representa como é, e sim como foi. Decepado de forma acidental, o membro leva consigo terminais nervosos que não se reconstituem no coto. Disso resulta o desequilíbrio de vastos circuitos neurais que cartografam a interface com o ambiente, chegando até o âmago do sistema nervoso. As regiões cerebrais correspondentes ao membro amputado são invadidas e loteadas por representações vizinhas, num processo que pune a falta de atividade neural com a inexorável substituição de sinapses e células. Tal plasticidade remapeia a relação do corpo com o mundo, provocando a sensação fantasma. Um poeta diria que o cérebro transforma em incômodo a saudade do pedaço que perdeu. Será possível reverter esse processo? Um estudo de 2004 com pacientes biamputados submetidos a transplantes de ambas as mãos mostrou que o cérebro é capaz de se reorganizar topograficamente mesmo após vários anos de amputação. Os resultados são extremamente animadores do ponto de vista clínico, pois indicam que o córtex cerebral, anos depois da drástica modificação induzida pela amputação, continua capaz de plasticidade plena. A incorporação harmônica de uma parte alheia devolve ao paciente sua função original, fundindo duas pessoas num corpo novo e maravilhoso. Nada se perde e tudo se transforma num milagre da cirurgia e da reabilitação em que o pedaço afastado renasce útil, matando a saudade do corpo exilado de si. Regressam os sinais, recria-se o mapa, segue refeita a vida. (Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020. Adaptado.)
Considere as seguintes frases extraídas do artigo: 1. “A cada ano, milhões de pessoas passam pela experiência da perda traumática de uma extremidade corporal.” (1o parágrafo) 2. “Pulsando, queimando ou coçando, o membro fantasma reclama da incompletude do mutilado.” (1o parágrafo)
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partículas diferentes das que compõem o que conhecemos no Universo (ou seja, coisas feitas de elétrons, prótons e nêutrons), deve ser seis vezes mais abundante que a matéria comum e se aglomerar em torno de galáxias, inclusive a nossa. As observações não detectaram a quantidade esperada de matéria escura. E agora? A coisa é complicada porque existem outros métodos de detecção da matéria escura que parecem bastante claros. Qualquer que seja a resolução do impasse atual, estou certo de que algo de novo e surpreendente está para acontecer. Será interessante ver a reação da comunidade ao se deparar com o inesperado.
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3. “A incorporação harmônica de uma parte alheia devolve ao paciente sua função original, fundindo duas pessoas num corpo novo e maravilhoso.” (3o parágrafo) a) Em qual dessas frases o autor faz uso do recurso retórico da personificação? Justifique sua resposta. b) Reescreva na voz ativa o trecho “As regiões cerebrais correspondentes ao membro amputado são invadidas e loteadas por representações vizinhas” (2o parágrafo). 5. FGV-SP 2021 Leia o texto de Teresinha Costa para responder à questão. Em História social da criança e da família, Philippe Ariès faz um estudo na Europa, no período compreendido entre a Idade Média e o século XX, para demonstrar como a definição de criança se modificou no decorrer do tempo de acordo com parâmetros ideológicos. Pela análise de pinturas, diários, esculturas e vitrais produzidos na Europa no período anterior aos ideais da Revolução Francesa, Ariès forja a expressão “sentimento da infância” para designar “a consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto”. Esse sentimento vai aparecer a partir apenas do século XVII. Na Idade Média, a criança era vista como um pequeno adulto, sem características que a diferenciassem, e desconsiderada como alguém merecedor de cuidados especiais. Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas ou negligenciadas, mas sim que não se tinha consciência de uma série de particularidades intelectuais, comportamentais e emocionais que passaram, então, a ser consideradas como inerentes ou até mesmo naturais às crianças. Ariès comenta, inclusive, que os pintores ocidentais reproduziam crianças vestidas como pequenos adultos, e que somente percebemos se tratar de uma criança devido ao seu tamanho reduzido. Nas sociedades agrárias, a infância era um período rapidamente superado e, tão logo a criança adquiria alguma independência, passava a participar da vida dos adultos e de seus trabalhos, jogos e festas.
No português do Brasil, a função sintática do sujeito não possui, necessariamente, uma natureza de agente, ainda que o verbo esteja na voz ativa, tal como encontrado em: a) “O carro furou o pneu”. b) “e bateu no meio fio”. c) “O refém conseguiu acionar a população”. d) “tentaram linchar eles”. e) “afirmou o major”. 7. Unicentro-PR 2017 Passando a frase: “Ela havia feito muitos doces de leite para a festa” para a voz passiva, obtém-se: a) Doces de leite para a festa foram feitos. b) Muitos doces de leite para a festa haviam sido feitos por ela. c) Fizeram-se muitos doces de leite por ela para a festa. d) Muitos doces de leite havia ela feito para a festa. e) Para a festa ela fez muitos doces de leite. 8. ITA-SP 2017
A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas? Por Francisco Fernandes Ladeira
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(Psicanálise com crianças, 2010.)
Isso não significava que as crianças fossem até então desprezadas (2o parágrafo)
Se esta frase for transposta para a voz ativa, a locução verbal sublinhada muda para: a) desprezavam. b) eram desprezadas. c) desprezam. d) seriam desprezadas. e) desprezassem. 6. Fuvest-SP 2020 Leia o trecho extraído de uma notícia veiculada na internet: “O carro furou o pneu e bateu no meio fio, então eles foram obrigados a parar. O refém conseguiu acionar a população, que depois pegou dois dos três indivíduos e tentaram linchar eles. O outro conseguiu fugir, mas foi preso momentos depois por uma viatura do 5o BPM”, afirmou o major. Disponível em https://www.gp1.com.br/.
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À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é impotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid Da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica. Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de proposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/ resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu
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Adaptado de: http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-emquestao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipular-as-pessoas/. (Publicado em 14/04/2015, na edição 846. Acesso em 13/07/2016.)
Assinale a opção em que o verbo destacado está na voz passiva pronominal. a) Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica. (linhas 21 a 23) b) As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. (linhas 29 a 31) c) “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências [...]” (linhas 52 e 53) d) “[...] complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam” [...] (linhas 52 a 54) e) “A síntese e as conclusões que um telespectador vai realizar depois de assistir um telejornal não podem ser antecipadas por ninguém; [...]” (linhas 64 a 67) 9. USCS-SP 2022 Leia o texto, extraído do livro Viva a língua brasileira!, de Sérgio Rodrigues, para responder à questão.
Personagem O substantivo personagem, que um dia foi exclusivamente feminino, é cada vez mais – sobretudo no Brasil – compreendido como aquilo que chamam “comum de dois”, uma palavra invariável que pode ser masculina ou feminina conforme o caso. Barbarismo? Erro crasso? Seria preciso ser extremamente conservador para condenar a esta altura algo que autores cultos vêm empregando há décadas e que todos os principais dicionários brasileiros e portugueses já aceitam: personagem é um substantivo de dois gêneros. Se não cabe acusar de incorrer em erro quem, fiel ao uso clássico, diz que Bentinho é “uma personagem”, tampouco faz sentido condenar quem opta pelo uso moderno e distingue entre “o personagem Bentinho” e “a personagem Capitu”. Influência do francês? Vinda do francês personnage – e portanto descendente do latim persona, inicialmente “máscara de teatro”, onde fomos buscar nosso substantivo pessoa –, a palavra teve seu gênero exclusivamente feminino defendido com ardor pelo influente gramático brasileiro Napoleão Mendes de Almeida em seu Dicionário de questões vernáculas. Para Napoleão, o personagem não passava de um francesismo, influência do francês le personnage. Talvez fosse mesmo. Como em tantas outras questões em que o purismo foi atropelado pela marcha da história, cabe perguntar: e daí? (Viva a língua brasileira!, 2016.)
Verifica-se o emprego de voz passiva em: a) “Se não cabe acusar de incorrer em erro quem, fiel ao uso clássico, diz que Bentinho é ‘uma personagem’” (3o parágrafo) b) “todos os principais dicionários brasileiros e portugueses já aceitam: personagem é um substantivo de dois gêneros.” (2o parágrafo) c) “Para Napoleão, o personagem não passava de um francesismo, influência do francês le personnage.” (5o parágrafo) d) “quem opta pelo uso moderno e distingue entre ‘o personagem Bentinho’ e ‘a personagem Capitu’.” (3o parágrafo) e) “Como em tantas outras questões em que o purismo foi atropelado pela marcha da história, cabe perguntar: e daí?” (5o parágrafo) 10. FMABC-SP 2021 Leia o trecho do livro A sociedade dos indivíduos, de Norbert Elias, para responder à questão. Todos sabem o que se pretende dizer quando se usa a palavra “sociedade”, ou pelo menos todos pensam saber. A palavra é passada de uma pessoa para outra como uma moeda cujo valor fosse conhecido e cujo conteúdo já não precisasse ser testado. Quando uma pessoa diz “sociedade” e outra a escuta, elas se entendem sem dificuldade. Mas será que realmente nos entendemos? A sociedade, como sabemos, somos todos nós; é uma porção de pessoas juntas. Mas uma porção de pessoas juntas na Índia e na China formam um tipo de sociedade diferente da encontrada na América ou na Grã-Bretanha; a sociedade composta por muitos indivíduos na Europa do século XII
FRENTE 1
35 próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entramos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus 40 personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...] [...] A mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre 45 como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, 50 idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a 55 cientista social Alessandra Aldé em seu livro A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. Seguindo essa linha de raciocínio, no original 60 estudo Muito Além do Jardim Botânico, Carlos Eduardo Lins da Silva constatou como telespectadores do Jornal Nacional acionam seus mecanismos de defesa, indivi duais ou coletivos, para filtrar as informações veiculadas, traduzindo-as segundo seus próprios valores. “A síntese 65 e as conclusões que um telespectador vai realizar depois de assistir a um telejornal não podem ser antecipadas por ninguém; nem por quem produziu o telejornal, nem por quem assistiu ao mesmo tempo que aquele telespectador”, inferiu Carlos Eduardo.
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era diferente da encontrada no século XVI ou no século XX. E, embora todas essas sociedades certamente tenham consistido e consistam em nada além de muitos indivíduos, é claro que a mudança de uma forma de vida em comum para outra não foi planejada por nenhum desses indivíduos. Pelo menos, é impossível constatarmos que qualquer pessoa do século XII ou mesmo do século XVI tenha conscientemente planejado o desenvolvimento da sociedade industrial de nossos dias. Que tipo de formação é esta “sociedade” que compomos em conjunto, que não foi pretendida ou planejada por nenhum de nós, nem tampouco por todos nós juntos? Ela só existe porque existe um grande número de pessoas, só continua a funcionar porque muitas pessoas, isoladamente, querem e fazem certas coisas e, no entanto, sua estrutura e suas grandes transformações históricas independem, claramente, das intenções de qualquer pessoa em particular. (A sociedade dos indivíduos, 1994. Adaptado.)
Ao se transpor a oração “a mudança de uma forma de vida em comum para outra não foi planejada por nenhum desses indivíduos” para a voz ativa, a locução verbal sublinhada assume a seguinte forma: a) planejaram. b) planejariam. c) planejaria. d) planejara. e) planejou. 11. Unesp 2015 A questão toma por base uma modinha de Domingos Caldas Barbosa (1740-1800).
Protestos a Arminda Conheço muitas pastoras Que beleza e graça têm, Mas é uma só que eu amo Só Arminda e mais ninguém. Revolvam meu coração Procurem meu peito bem, Verão estar dentro dele Só Arminda e mais ninguém. De tantas, quantas belezas Os meus ternos olhos veem, Nenhuma outra me agrada Só Arminda e mais ninguém. Estes suspiros que eu solto Vão buscar meu doce bem, É causa dos meus suspiros Só Arminda e mais ninguém. Os segredos de meu peito Guardá-los nele convém, Guardá-los aonde os veja Só Arminda e mais ninguém. Não cuidem que a mim me importa Parecer às outras bem, Basta que de mim se agrade Só Arminda e mais ninguém.
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LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo 15
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Não me alegra, ou me desgosta Doutra o mimo, ou o desdém, Satisfaz-me e me contenta Só Arminda e mais ninguém. Cantem os outros pastores Outras pastoras também, Que eu canto e cantarei sempre Só Arminda e mais ninguém. (Viola de Lereno, 1980.)
Assinale a alternativa que indica duas estrofes em que o termo “Arminda” surge como paciente da ação expressa pelo verbo da oração de que faz parte. a) Primeira e terceira estrofes. b) Sétima e oitava estrofes. c) Primeira e oitava estrofes. d) Terceira e quarta estrofes. e) Terceira e quinta estrofes. 12. Unip-SP 2023 Leia o texto do escritor Moacyr Scliar. O alho tem poderes que salvam da morte, use-o, e com o mau hálito não se importe. Não o despreze, como aquele raro acusador para quem alho faz piscar, dá sede e causa fedor. Versos extraídos do Regimen sanitatis salernitanum, a obra médica básica no término da Idade Média. São aforismos rimados, aos quais não falta, como se vê, um toque de humor. Seu sucesso não se deve porém só a esse aspecto, como também ao prestígio da escola médica de Salerno, surgida naquela cidade italiana por volta do século XI. A região era conhecida pelo clima saudável, e tinha uma outra atração: os restos mortais de São Mateus, o Evangelista. O afluxo de pessoas doentes provavelmente levou para lá muitos médicos e estimulou a criação de uma escola de medicina. Muitos trabalhos foram então publicados, inclusive – o que era uma novidade – por uma mulher, Trotula, autora de um tratado de obstetrícia chamado De mulierum passionibus ante, in et post partum. Trotula era, aparentemente, um apelido muito comum entre as parteiras de Salerno. A escola também incorporou as obras da medicina árabe, graças a um estudioso conhecido – por haver nascido em Cartago, no Norte da África – como Constantinus Africanus. Os médicos de Salerno estudavam a anatomia, mas somente a de animais; um de seus tratados chama-se Anatomia porci, A anatomia do porco. Tratava-se de um grande progresso rumo a um conhecimento médico mais preciso, ainda que a dissecção de cadáveres humanos continuasse proibida. Em 1240 Frederico II conferiu à escola de Salerno o direito de graduar médicos; o curso tinha cinco anos, com um ano adicional de prática sob supervisão – uma espécie de residência médica. Mais que isso, nenhum profissional poderia trabalhar, a não ser que tivesse diploma. A profissão tornava-se assim institucionalizada. O Regimen sanitatis salernitanum tornou-se extremamente popular, tendo sido traduzido para vários idiomas. Era muito apreciado pelo público em geral, por causa de conselhos de bom senso tais como: “Nunca se alimente se seu estômago não estiver vazio e limpo” ou “Levante de manhã cedo e lave com água fria as mãos
Verbo II: vozes verbais
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Recorra primeiro ao Doutor Silêncio, depois ao Doutor Alegria e depois ao Doutor Dieta. (Moacyr Scliar. A paixão transformada, 1996. Adaptado.)
Ao se transpor o trecho “A escola também incorporou as obras da medicina árabe” (1o parágrafo) para a voz passiva, a forma verbal resultante será: a)